Em campanha

A candidatura diesel

Na esteira do “diesel-gate” vieram finalmente a lume uma imensidão de estudos que apontam o diesel em meio urbano como um dos principais (se não o principal) promotores de doenças pulmonares, coronárias e mentais

Mesmo com as mais eficazes filtragens, a quantidade de metais pesados (arsénico, chumbo, cádmio, etc.) de óxidos nítricos, partículas finas que o nosso organismo não consegue filtrar e que o diesel despeja nas nossas cidades é aterradora.

Em Dezembro passado, Atenas, Madrid, México e Paris apresentaram um plano conjunto para proibir o diesel nas cidades, enquanto se multiplicam as iniciativas para o substituir por gás natural ou melhor ainda por carros elétricos, mesmo em cidades de grande pobreza como Dhaka.

Foi por isso com estupefacção que vi na imprensa uma anunciada candidata à presidência do município de Lisboa fazer o que, para mim, foi a sua primeira apresentação pública de campanha. O tema? Que caro que é encher o depósito do seu veículo com gasóleo!

Dificilmente poderíamos ter melhor arquétipo de quem está totalmente desfasado das preocupações do nosso tempo e que representa o inverso do que Lisboa precisa.

Bruxelas, 2017-01-06

Nota do Director

As opiniões expressas nos artigos de Opinião apenas vinculam os respectivos autores.

Paulo Casaca, em Bruxelas

Paulo Casaca, em Bruxelas

Foi deputado no Parlamento Europeu de 1999 a 2009, na Assembleia da República em 1992-1993 e na Assembleia Regional dos Açores em 1990-1991. Foi professor convidado no ISEG 1995-1996, bem como no ISCAL. É autor de alguns livros em economia e relações internacionais.

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