Poesia

A Jornada

Catarina Fortunato é uma poetisa Angolana que descreve a mulher tal como é. Não tem peias nem barreiras e coloca-se numa posição de nudez de alma tão grande que deixa de ser apenas uma poetisa Angolana para viver nas letras o universal do ser mulher

malangatana

“Catarina Fortunato ou Mãe dos Setinhos, como também é chamada é uma poetisa Angolana que descreve a mulher tal como é. Não tem peias nem barreiras para colocar a alma feminina no papel, e no livro O Meu Avesso, coloca-se em uma posição de nudez de alma tão grande, que deixa de ser apenas uma poetisa Angolana, que guarda em si as características de seu país e povo, para viver nas letras o universal do ser mulher.”

Tito Mellão Laraya in Prefácio Do Livro

“O Meu Avesso”, de Catarina Fortunato

 

A jornada

Sorrisos expulsos lavam corpos enganados

Mal amados
Mal agarrados, mal afamados

Olhos cansados mendigam compaixão
Abraços desarmados simulam paixão
Corações palpitam sem emoção
Sem calor, sem razão, sem tesão

Perfume que hipnotiza o silêncio
De quem reja suplicando o toque na intimidade

O trânsito flui, uns vão e outros não voltam
A atmosfera poluída de insegurança
Ora lágrimas, ora gargalhada

As incertezas fluem para o lamaçal de lembranças
Onde germina o orgulho encharcado de vergonha

O vento sopra devagar sem esta dor arrastar
Egos remendados tricotam colchas de amor-próprio
Almas carentes abrigam-se no conformismo

E de manhã um novo dia se fez

 

in O Meu Avesso, p50

A autora escreve em PT Angola

Mãe dos Setinhos, em Luanda

Mãe dos Setinhos, em Luanda

Escritora

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