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João de Sousa

Domingo, Novembro 28, 2021

Debate aceso entre Sanders e Clinton na Flórida

sanders
Hillary Clinton e Bernie Sanders voltaram a defrontar-se em debate, nas vésperas de mais eleições primárias nos EUA. Desta vez, o debate foi em Miami, estado da Flórida.

Sobre a questão da imigração, a BBC revelou que Hillary Clinton criticou o adversário quando ele votou contra uma reforma sobre este assunto, em 2007, ao que o senador do Vermont respondeu que tinha reservas quanto ao tratamento dado a trabalhadores convidados. Ele chegou a dizer que o programa em cima da mesa era semelhante a um regime de escravatura, e acusou a ex-primeira-dama de se opor a que imigrantes ilegais obtenham uma carta de condução.

No que diz respeito a questões financeiras, Sanders insinuou que a secretária de Estado tinha algo a esconder ao não revelar transcrições de discursos pagos para firmas de Wall Street e que estava dependente das grandes corporações.

Outro tema muito discutido foi o da política externa dos EUA. O site da Telesur cita o pré-candidato democrata à Casa Branca, que declarou: “não creio que seja a função do Governo dos EUA ir derrubando governos por todo o mundo”, depois de ter refutado a sua rival nas considerações sobre imigração e exportações. Elogiou os governos progressistas latino-americanos e salientou que em Cuba, Fidel Castro, líder do país, “educou a população, deu-lhes cuidados médicos e mudou totalmente a sociedade”.

E foi mais longe ao afirmar que “os EUA cometeram um erro ao tentar invadir Cuba. Foi um erro apoiar os que tentaram derrubar o governo da Nicarágua. Foi um erro destituir o governo, democraticamente eleito, da Guatemala”. Estas declarações foram a resposta à moderadora do debate, conforme revela um vídeo do Washington Post, que aludiu às “feridas abertas” entre os exilados cubanos naquele estado, no que respeita às ideologias do socialismo e comunismo, para pedir ao senador do Vermont para explicar quais as diferenças entre o socialismo que ele professa e o socialismo da Nicarágua, Cuba e Venezuela.

Sanders recorda que também foi contra as manobras de Henry Kissinger que levaram ao derrube do presidente do Chile, Salvador Allende, que tinha sido eleito de forma democrática.

Antes, Hillary Clinton tinha justificado as atitudes da Administração Federal na América Latina com o apoio da estabilidade política e questões de segurança dos cidadãos. Quando questionada sobre a regularização das relações entre Cuba e os EUA, a ex-primeira-dama disse que “o povo cubano merece ter os seus direitos respeitados. Os dois Castro têm de ser considerados autoritários, ditadores. Espero que haja o dia em que existam em Cuba líderes eleitos pelo povo”.

Sanders recordou a sua viagem à Nicarágua nos anos 80, durante a qual se mostrou contra os esforços do governo de Ronald Reagan para fazer cair o governo sandinista. O senador do Vermont acha que os EUA deviam focar-se em trabalhar com os governos pelo mundo fora, aludindo aos sentimentos anti-americanos que tais atitudes das sucessivas administrações norte-americanas despertaram nos povos da América Latina.

Quando a moderadora do debate insistiu em saber se Sanders se arrependia dos elogios feitos a Fidel Castro e Daniel Ortega na década de oitenta, o candidato admitiu que Cuba é “um país autoritário, não-democrático. Espero muito que seja um país democrático tão cedo quanto possível. Mas, por outro lado, seria errado não admitir que fizeram progressos em cuidados de saúde; enviam médicos para todo o mundo. Fizeram progressos na educação”, fazendo ainda votos para o rápido restabelecimento de relações diplomáticas e comerciais entre os dois países.

Num aspecto, Clinton e Sanders concordaram: o ataque ao candidato republicano Donald Trump. “O uso que ele faz da paranóia e do preconceito não tem lugar no nosso sistema político”, enfatizou a ex-primeira-dama, enquanto que Sanders diz que o povo americano “não vai eleger nunca um presidente que insulta mexicanos, muçulmanos, mulheres e afro-americanos”.

O estado da Flórida vai a votos nas primárias democratas de dia 15 de Março, e nessa região residem cerca de 1,8 milhões de hispânicos, cujo papel poderá ser decisivo nestas eleições.

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