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Quinta-feira, Junho 24, 2021

4º Figueira Film Art

José M. Bastos
Crítico de cinema

Japonês Masakazu Kaneko, com “Albino’s Trees”,  foi o grande vencedor.Há 45 anos nasceu na Figueira da Foz um Festival de Cinema que durante três décadas foi uma referência na cultura cinematográfica portuguesa. Deixou uma marca indelével.

Ainda num tempo em que os agentes da polícia política se sentavam ao lado dos espectadores na saudosa sala de cinema do Casino, um grupo de pessoas liderado por José Vieira Marques iniciou uma aventura que contribuiu para a formação de várias gerações de cinéfilos e abriu (num país mergulhado no atavismo e numa vil tristeza) janelas por onde entrava o melhor cinema que se fazia no mundo.

Com o “25 de Abril” também aqui se deu uma explosão. Muitos dos grandes cineastas de vários continentes descobriram a Figueira e as ruas e esplanadas do Bairro Novo ficavam pejadas com críticos de todos os jornais e de gente vinda de todo o país à “descoberta” do cinema.

Alguns dos jovens frequentadores do certame haveriam de se abalançar a criar cineclubes e a fazer festivais nas suas terras. Depois, como todos os seres vivos, o Festival da Figueira envelheceu e morreu… pouco tempo antes da morte do seu fundador.

Figueira Film Art

Mas não morreu a ideia da “Figueira da Foz, cidade de cinema”. E assim, em 2014 teve a sua primeira edição o Figueira Film Art  uma nova iniciativa de divulgação cinematográfica, agora sedeada no Centro de Artes e Espectáculos longe do bulício (que retenho na memória) das Ruas Bernardo Lopes e Cândido dos Reis.

A quarta edição da nova mostra figueirense começou no dia 28 de Agosto e terminou no passado domingo. Nela foram exibidos 67 filmes de 13 países.

Grande vencedor

O japonês Masakazu Kaneko foi o grande vencedor. Com o seu segundo filme, “The Albino’s Trees”, o cineasta de 38 anos arrecadou não só o prémio de melhor longa metragem de ficção como os de melhor realizador e melhor fotografia. De acordo  com a organização do Festival , “The Albino’s Trees” fala do dilema ético de um caçador que “aceita um contrato lucrativo para matar um veado branco raro” cuja presença destrói o turismo da região, mas que é venerado por uma comunidade local.

Prémio de melhor documentário

O prémio de melhor documentário, em longa metragem, foi para “Els Karamazoff” dos espanhóis Juan Gamero e Carmen Rodríguez, um filme sobre um grupo de artistas de Barcelona que iniciaram as suas carreiras nas fábricas abandonadas do Soho, em Nova Iorque, na década de 70 do século passado.

Distinções


As distinções relativas às curtas metragens recaíram em “Une Derniere Course”, de Sérgio do Vale, e “El Mundo Entero”, de Julián Quintanilla, que venceram ex-aequo na área de ficção e “Rota do Contrabando”, de Eduardo Costa que foi considerado o melhor documentário.

Alvaro Velarde, Jesus Alvarez e Daniel Render autores do guião do filme peruano “El Candidato”, foram galardoados com o prémio para o melhor argumento.

O prémio “Escolas” (filmes realizados em contexto escolar ou académico) foi para “A Instalação do Medo”,  de Ricardo Leite, baseado na obra homónima de Rui Zink.

Uma referência final para a homenagem ao cineasta, professor e ensaísta figueirense João Mário Grilo que foi o “padrinho” da edição deste ano do Figueira Film Art.

Recorde-se que o seu primeiro trabalho, “Maria”, filmado em super-8, estreou no Festival da Figueira de 1979. A í começou uma brilhante carreira em que se destacam títulos como “A Estrangeira” (1983), “O Processo do Rei” (1990), “O Fim do Mundo” (1992), “Os Olhos da Ásia (1996), “Longe da Vista” (1998) e muitos outros até… “A vossa Terra” (2016), centrado na figura do arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles e que agora foi exibido na Figueira da Foz.

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