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Sexta-feira, Outubro 22, 2021

A condição do pobre na Terra piora com o avanço conservador do capitalismo devorador

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

Ao iniciar a pesquisa para a escolha de canções para esta edição, uma grata surpresa ao encontrar o disco “Quarto de Despejo”, de 1961, com composições da grande escritora Carolina Maria de Jesus (1914-1977).

A ex-catadora de papel, favelada, mãe solo e negra, foi descoberta pelo faro jornalístico do então repórter Audálio Dantas, que fazia uma reportagem na favela do Canindé, em São Paulo, onde Carolina morava. Em seu horário de descanso viu aquela mulher sentada na calçada, escrevendo em seu caderno, provavelmente encontrado no lixo de alguém, e teve a curiosidade, intrínseca a um bom repórter, de saber o que ela escrevia.

Com isso, nasceu o clássico “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, publicado em 1960, traduzido em pelo menos 13 idiomas.

 

Carolina Maria de Jesus

A mineira, Carolina escreveu e interpreta as 12 canções desse disco antológico, com a mesma autenticidade de seus livros. Além de “Quarto de Despejo”, ela publicou “Casa de Alvenaria” (1961), “Pedaços de Fome” (1963), “Provérbios” (1963) e “Diário de Bitita” (1982, póstumo).

Vale a pena prestar muita atenção na visão de classe da escritora e como sua obra permanece atual em 2021. Aqui a canção “O Pobre e o Rico” para compreender a condição do pobre n a Terra, ainda mais em tempos tão sombrios. Importantíssimo ler e ouvir Carolina Maria de Jesus para ajudar na compreensão da vida.

“É triste a condição do pobre na terra
Rico quer guerra
Pobre vai na guerra
Pobre e rico são feridos
Porque a guerra é uma coisa brutal
Só que o pobre nunca é promovido
Rico chega a Marechal”

 

O Pobre e o Rico (1961), Carolina Maria de Jesus

 

Luiza Lian

Mais uma jovem talentosa para o deleite de quem gosta de boa música. A paulistana Luiza Lian está na estrada desde 2015, com rara sensibilidade para os temas mais candentes da atualidade e com humanismo sentido em seu timbre de voz e modo de interpretar. Como é muito comum na música popular brasileira, Luiza mescla uma diversidade de sons, como rock, jazz, bossa nova, MPB, entre outros gêneros. Com uma temática voltada para o bem comum de todas as pessoas.

A canção “Azul Moderno” canta a liberdade e a vontade se superar os dilemas impostos por um sistema injusto e opressor.

“Me perdoe pelas palavras cruéis
Doeu demais
Corto a estrada nessa bifurcação
Obrigada pelo tempo de estada
Mas eu vou tocar o meu próprio cordão”

 

Azul Moderno (2018), de Luiza Lian

 

Thaíde

O rapper Thaíde também é paulistano e está na estrada desde os anos 1980. É considerado um dos mais importantes nomes do rap brasileiro. Em “Profissão MC” reflete sobre a realidade de grande parte dos rappers, pobres, moradores da periferia, quase sempre pretos. O hip hop vislumbra para eles uma oportunidade de dar o recado para a sociedade sobre a necessidade de atenção às periferias e o combate às desigualdades.

“Década de 80 foi muito bom
Voltado direto com a música e o break de chão
Comecei assim, panteras negras
Dragon breakers e finalmente back spin
Eu e o hélio treinávamos lá no primavera
Nos finais de semana, no parque Ibirapuera
O QG era casa do Mário, grande irmão
Família toda apoiava, todo mundo sangue bom
Humildade, coragem e respeito, um grande
Aprendizado não sabia nem falar direito mas aprendi”

 

Profissão MC (2013), de DJ Dri e Thaíde

 

Rico Dalasam

Assumidamente LGBT, o rapper paulista Rico Dalasam, como representante da comunidade queer rap, ele não versa somente sobre a temática da sexualidade. Une muitos temas com visão humanista. Expressa a vontade de uma sociedade mais igual e justa. Em suas canções sente-se a influência dos estadunidenses Rick James, Prince e André 3000.

“Um pedaço de colo
Um gole de café
Uma foto de um ano
Que eu não lembro qual é
Um pedaço de bolo
Um desenho no prato
E a onda vem pra tirar
A areia do meu pé
São tantos os pedaços”

 

Vividir, de Rico Dalasam, Roberto Coelho e Dinho Souza

 

Monarco

Como é bom poder homenagear alguém em vida. É o caso do presidente de honra da escola de samba Portela, Hildemar Diniz, mais conhecido como Monarco, carioca de nascimento, mas um dos grandes nomes do samba no país. Em agosto, Monarco completa 88 anos, em plena atividade artística. Seu primeiro disco solo foi lançado em 1976, com temas como “O Quitandeiro” (com Paulo da Portela) e “Lenço” (com Francisco Santana). Presença garantida nas rodas de samba do Rio de Janeiro. Para alegrar o Brasil.

“Quitandeiro, leva cheiro e tomate
Pra casa do Chocolate que hoje vai ter macarrão
Prepara a barriga macacada
Que a boia tá enfezada e o pagode fica bom

Chega só 30 litros de uca
Para fechar a butuca
Desses negos beberrão
Chocolate, tu avisa a crioula
Que carregue na cebola e no queijo parmesão”

 

O Quitandeiro (1976), de Monarco e Paulo da Portela

 

James Blunt

O cantor e compositor inglês, James Blunt apresenta uma temática humanista. Bom conhecer o seu trabalho.

“Se continuarmos bebendo vamos nos apaixonar de novo
Então encha o copo, encha o copo
Não devemos estar pensando porque nós ainda não estamos satisfeitos
Então encha o copo, encha o copo
Garçom você pode derramar um pouco de amor?”

 

Garçom (Bartender, 2017), de James Blunt


Texto em português do Brasil


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