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Quinta-feira, Janeiro 20, 2022

A conversão ferroviária de Cristas e Companhia

Carlos de Matos Gomes
Militar, investigador de história contemporânea, escritor com o pseudónimo Carlos Vale Ferraz

A causa da conversão de Cristas e Companhia do CDS à ferrovia, aos comboios e linhas de caminho-de-ferro  tem uma causa e um nome pagãos: PLANO DE INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURAS – FERROVIA 2020.

O profeta que converteu Cristas, e que convocou a sempre disponível comunicação social ao cheiro do milagre do dinheiro, tem o curioso nome de PETI 3+!

O PETI 3+ prevê um conjunto de investimentos: devidamente identificadas por um conjunto alargado de stakeholders (investidores privados) para os negócios de construção e exploração do Corredor Atlântico, do fomento do transporte de mercadorias e em particular das exportações e da articulação entre os portos nacionais e as principais fronteiras terrestres com Espanha.”

Quem julga que o que leva Assunção Cristas a viajar de comboio com os seus pagens, à frente do enxame da comunicação social, é são as genuínas e bondosas preocupações com a falta de ar condicionado nas carruagens, de atrasos nos horários, de supressão de composições, de desalinhamento nos carris não necessita de comprar asinhas, vai para o céu directamente com a graciosidade de um puro e ingénuo anjinho!

Com papas e bolos se enganam tolos! Mas parece haver quem acredite na banha de cobra!

É que, para estes investimentos do tal santo PETI3+,  está previsto um: pacote financeiro composto por fundos comunitários do programa Connecting Europe facility (CEF) quer na componente geral (30 a 50% de comparticipação) quer na componente coesão (85% de comparticipação) e do programa Portugal 2020 (85% de comparticipação) a que se poderá acrescentar o Plano Juncker e o contributo da Infraestruturas de Portugal.”

Após décadas de desprezo, de desinvestimento, de destruição (Sorefame), as notícias dos comboios que começaram a descarrilar, a atrasar, a encalorar no verão e a enregelar no inverno (lá chegaremos), da ferrovia que desapareceu, não surgem por acaso, nem, ainda menos, por séria preocupação dos políticos e dos jornalistas com o bem estar das populações, com a melhoria da sua mobilidade, com os doentes que necessitam de ir à consulta de comboio ou os estudantes que nele embarcariam para as escolas. É o dinheiro, o dinheiro para investidores, que converte Cristas à ferrovia. Que a faz andar afogueada pela linha do Oeste e ramais a distribuir panfletos com mais câmaras de televisão atrás do que tainhas em águas turvas.

Águas turvas. O súbito interesse de políticos e jornalistas pelos comboios é o cumprimento de uma missão de promoção dos tais stakeholders para se colocarem nas melhores posições à volta da fonte de onde brotarão os fundos comunitários, sempre a correr do comum para o privado.

A ferrovia vai dar dinheiro! É por isso que os políticos e os jornalistas andam num virote a tratar de abrir caminho aos seus stakeholders!

Os grandes partidos, que administram os grandes interesses, promovem a distribuição dos “fundos” de forma discreta. O segredo é a alma do negócio. As pequenas formações, como o CDS, têm duas soluções para comerem alguma coisa: ou estabelecem alianças e parcerias, e aceitam a discrição, as sombras e os silêncios do mundo dos negócios, era o estilo Paulo Portas de come e cala-te, que deu submarinos, por exemplo; ou saem para a feira e fazem um arraial, um Portugal em Festa, com promessas de desconto nas bifanas e nos cobertores – é o estilo de arriar a giga de Cristas. Este estilo de andar de sirene ligada, de malhar no ferro enquanto está quente, já correu mal a Cristas com o aproveitamento dos incêndios de Pedrógão e agora já a levou a cometer a imprudência de confessar o que não devia ser dito: que o verdadeiro objectivo da sua conversão ferroviária é privatizar as linhas rentáveis em nome dos grandes interesses e deixar para o contribuinte as linhas de baixa rentabilidade, e os prejuízos.

Quanto a bem servir o povo, desinteressadamente, através de comboios limpos, rápidos, frescos, estamos conversados. Assunção Cristas e os seus acompanhantes andam apenas a promover os negócios dos grupos do costume. Pura propaganda a investimentos, a concessões e privatizações.  Lobbying para os stakeholders! (o inglês disfarça a trapaça)

É para fazer a propaganda a estes grandes negócios que os grandes grupos dos tais stakeholders (bancos e fundos de investimento) não se importam de ter prejuízo nos grupos de comunicação social e é por isso – para fornecer audiências às súbitas preocupações de Assunção Cristas com as comodidades dos passageiros de comboio – que pagam um milhão por uma promotora de públicos (votantes) como a esfusiante e capitosa Cristina Ferreira!

 

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