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Sexta-feira, Agosto 19, 2022

Denúncia contra Milton Ribeiro e Bolsonaro deve ser investigada com rigor

Francisca Rocha
Francisca Rocha
Professora Francisca é dirigente licenciada de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE) e de Finanças da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB

Para além de um esquema eleitoreiro, a criação de um gabinete paralelo no MEC com poder de destinação de verbas é algo jamais visto na história do país.

O jornal O Estado de S. Paulo publicou na sexta-feira (18) uma gravíssima denúncia de utilização de verbas do Ministério da Educação (MEC) para beneficiar aliados do presidente da República, Jair Bolsonaro.

No dia seguinte foi a vez da Folha de S.Paulo divulgar o conteúdo de um áudio que vazou com o ministro da Educação, Milton Ribeiro afirmando que “a minha prioridade é atender os primeiros municípios que mais precisam” – demagogia barata – “e, em segundo lugar atender a todos que são amigos do pastor Gilmar”. E prossegue: “Porque foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do Gilmar”. Trata-se dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, dirigentes da Convenção Nacional de Igrejas de Assembleia de Deus no Brasil Cristo para Todos.

Somente essa parte do áudio vazado, já seria suficiente para demissão sumária do ministro e instauração imediata de inquérito policial para investigar a grave denúncia. Segundo o Estadão, o MEC já destinou R$ 9,7 milhões para esse esquema.

Fica claro que os doutrinadores sempre foram eles e não as mais de 2,5 milhões de professoras e professores espalhados pelo país, como disseram os defensores da Escola Sem Partido.

Para além de um esquema eleitoreiro, a criação de um gabinete paralelo no MEC com poder de destinação de verbas é algo jamais visto na história do país. Nem a ditadura militar (1964-1985) chegou a esse tipo de crime.

Então, os cortes promovidos nos investimentos em bolsas de estudos para pesquisas e desenvolvimento da ciência, cortes nas verbas das universidades federais, que estão à míngua, cortes na educação básica e a sumária tentativa de barrar qualquer reajuste no Piso Salarial Nacional dos Professores nunca foi por causa da crise econômica, mas sim para ter dinheiro a ser distribuído aos amigos e cabos eleitorais.

As escolas estão praticamente abandonadas pelo Estado. Os profissionais da educação têm que se virar e, muitas vezes, comprar equipamentos necessários para as aulas do próprio bolso. E os salários são aviltantes. Estão entre os piores do mundo.

Lembrando que a primeira presidenta da República eleita no país, Dilma Rousseff foi deposta em 2016 pelas tais “pedaladas fiscais”. Triste rever a história recente do país em que setores da sociedade se deixaram manipular para a elite da rapina destruir o país.

O Ministério Público Federal tem obrigação de investigar essa denúncia contra o ministro, terrivelmente evangélico, Milton Ribeiro, que envolve diretamente o presidente da República. A oposição já protocolou denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF). O Brasil espera investigação rigorosa e rápida. O país precisa de uma resposta urgente e um freio aos desmandos do atual governo.

Afinal, a educação é um dos principais pilares para o desenvolvimento nacional autônomo, livre, com respeito à soberania da nação. O MEC enfrenta a pior crise de sua existência. Com certeza, as professoras e professores, os estudantes e a sociedade civil organizada não cruzarão os braços. Porque se a lei é para todos, ninguém está acima dela.

Neste ano eleitoral precisamos colocar o país nos trilhos do desenvolvimento, da liberdade, do respeito à vida e ao conhecimento. Precisamos retomar e melhorar os investimentos em educação. O Brasil precisa, o povo brasileiro merece.


Texto em português do Brasil

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