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Segunda-feira, Dezembro 6, 2021

A obra de Caetano Veloso provoca o pensamento e a ação contra o conformismo

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

Pela segunda vez esta coluna terá um único artista. A outra vez foi sobre canções de Chico Buarque acerca do mundo do trabalho, numa homenagem ao Dia do Trabalhador. Justamente os dois maiores expoentes da música popular brasileira tão diferentes entre si. Felicidade ter dois autores com Caetano e Chico para alegrar nossas vidas.

Pela segunda vez esta coluna terá uma único artista. A outra vez foi sobre canções de Chico Buarque acerca do mundo do trabalho, numa homenagem ao Dia do Trabalhador. Justamente os dois maiores expoentes da música popular brasileira tão diferentes entre si. Felicidade ter dois autores com Caetano e Chico para alegrar nossas vidas. Já houve um tempo em que era” proibido” apreciar esses dois talentos, era um ou outro. Coisas da mídia comercial.

A homenagem se justifica pelo aniversário de 78 anos do artista baiano nesta sexta-feira (7). Inclusive ele realizou uma live com seus três filhos, transmitida pela Globoplay para todas as pessoas com acesso à internet. Foi um grande show de uma família talentosa.

As canções foram selecionadas aleatoriamente sem nenhuma pretensão biográfica ou cronológica de sua obra. Politicamente um liberal, Caetano sempre defendeu a liberdade e os direitos humanos.

Cajuína (1979), de Caetano Veloso

“Cajuína” é uma provocação filosófica sobre tudo o que tem importância na vida de qualquer pessoa porque a “matéria vida” é sempre “tão fina” em Teresina no Piauí, ou em qualquer lugar do planeta. Caetano homenageia Torquato Neto que se suicidou em 1972, aos 28 anos, quando visitou o pai do poeta piauiense.

“Existirmos: a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina”

 

 

Alegria, Alegria (1967), de Caetano Veloso

“Alegria, Alegria” marca a carreira de um dos principais nomes do movimento tropicalista na inovação da música popular brasileira. Sua inteligência custou-lhe a prisão e o exílio nos tempos mais duros da ditadura fascista (1964-1985).

“O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia”

 

 

Divino Maravilhoso (1969), de Caetano Veloso e Gilberto Gil; canta Gal Costa

Os versos de “Divino Maravilhoso” já dizem tudo sobre a dureza dos anos de chumbo de uma repressão perversa e destruidora dos sonhos de um país. Mais do que nunca, em pleno século 21 “é preciso estar atento e forte”.

“Atenção para as janelas no alto
Atenção ao pisar o asfalto, o mangue
Atenção para o sangue sobre o chão
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte”

 

 

Tropicália (1968), de Caetano Veloso

A canção “Tropicália” é a própria definição do tropicalismo, um movimento de contracultura com vontade de unir o pop às expressões populares de nossa cultura e expressões de outros lugares e daí surgir com algo novo.

Uma poesia forte onde a realidade está nas entrelinhas porque a censura não perdoava. Melodia igualmente poderosa.

“O monumento não tem porta
A entrada é uma rua antiga
Estreita e torta
E no joelho uma criança
Sorridente, feia e morta
Estende a mão”

 

 

Odara (1977), de Caetano Veloso

“Odara” é a cara de Caetano Veloso para o mundo ficar odara. Ou seja, leve, firme e feliz.

“Deixa eu dançar pro meu corpo ficar odara
Minha cara minha cuca ficar odara
Deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara
Pra ficar tudo joia rara
Qualquer coisa que se sonhara
Canto e danço que dará”

 

 

Oração ao Tempo (1979), de Caetano Veloso

A passagem do tempo irremediável marca a vida de todas as pessoas e para o tempo ser propício é preciso levar a vida com serenidade, mas sem se curvar aos poderosos.

“Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo, tempo, tempo, tempo
Quando o tempo for propício
Tempo, tempo, tempo, tempo”

 

 

O Quereres (1984), de Caetano Veloso

Querer é importante desde que encontre a “mais justa adequação” na poesia, na melodia e na vida. “Tudo métrica e rima e nunca dor”. Por mais escuro que se faça o tempo.

“Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és”

 

 

Um Abraçaço (2012), de Caetano Veloso

Nesta canção, Caetano faz as esperança ressurgir num abraçaço ou beijaço no momento em que beijar e abraçar assustava se não fossem beijos e abraços convencionais. E neste tempo em que beijar e abraçar espera uma vacina? Um abraçaço logo daremos.

“Um amasso, um beijaço
Meu olhar de palhaço
Seu orgulho tão sério
Um grande estardalhaço
Pro meu velho cansaço
Do eterno mistério
Meu destino eu não traço
Não desenho, desfaço
O acaso é o grão, Senhor
Tudo que não deu certo
E sei que não tem conserto
Meu silêncio chorou, chorou”

 

 


Texto em português do Brasil


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