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Terça-feira, Outubro 26, 2021

António Jacinto

Helena Pato
Antifascistas da Resistência

(1924 – 1991)

Cidadão angolano, bravo combatente contra o colonialismo e o fascismo, perseguido pelo regime colonial fascista, esteve cerca de 10 anos no Campo de Concentração do Tarrafal (de 1961 a 1972). Foi um dos maiores vultos da Literatura angolana.

Poeta angolano

António Jacinto do Amaral Martins, poeta angolano, nasceu no Golungo, Angola, em 28 de Setembro de 1924 e morreu em Lisboa, aos 66 anos, no dia 23 de Junho de 1991. Usou o pseudónimo “Orlando Távora” para assinar alguns contos.

Não contando com os anos de prisão fora do seu país, viveu praticamente toda a sua vida em Luanda. Fez o curso de liceu em Luanda e aí trabalhou como empregado de escritório. Foi fundador, com Viriato da Cruz, do efémero Partido Comunista Angolano, dissolvido posteriormente no movimento nacionalista que também ajudaram a formar.

Singularizou-se como poeta e esteve preso por actividades políticas anti-colonialistas, de 1960 a 1972, a maior parte do tempo desterrado no Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde. Foi transferido depois para Lisboa, em regime de liberdade condicional por cinco anos, arranjando emprego como contabilista. Conseguiu fugir de Portugal em 1973 e ir para Brazzaville, onde se juntou à guerrilha do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

Vida política e culturalmente activa

Ainda antes da independência de Angola, dirigiu o Centro de Instrução Revolucionária do MPLA. Depois da independência, proclamada em 1975, foi co-fundador da União de Escritores Angolanos, e participou activamente na vida política e cultural angolana, sendo Ministro da Educação Nacional, de 1975 a 1978 e Secretário do Conselho Nacional da Cultura. Fez parte do comité central do MPLA.

Elemento importante do Movimento dos Novos Intelectuais de Angola, criado em 1948, publicou Poemas (Lisboa, 1961) e colaborou em Mensagem (Luanda), Mensagem (Casa dos Estudantes do Império), Cultura II, Jornal de Angola, Itinerário, Brado Africano, Império e Notícias do Bloqueio. Sendo um dos mais representativos poetas angolanos, várias vezes incluído em antologias, o autor é também prosador, destacando-se, na sua obra mais recente, os livros Fábulas de Sanji (1988) e Vovô Bartolomeu (1989), que nos revelam um atento e profundo analista da vida social.

Prémios

Foi premiado várias vezes, salientando-se: o Prémio Noma, o Prémio Lotus da Associação dos Escritores Afro-Asiáticos e o Prémio Nacional de Literatura.

Em 1993, o Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD) instituiu em sua homenagem o Prémio de Literatura António Jacinto.

Em 2014 teve lugar, em Lisboa, o Colóquio Internacional «António Jacinto e a Sua Época. A Modernidade nas Literaturas Africanas em Língua Portuguesa», promovido pelo CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa). Vários investigadores portugueses, brasileiros e angolanos juntaram-se para colocar em debate e lembrar a importância da obra deste grande poeta angolano. Outro parceiro foi o CIDAC (Centro de Documentação Amílcar Cabral). Este Colóquio que se propunha alargar o campo dos estudos literários, históricos, culturais sobre uma época, um espólio, países de um continente, influências e a obra de António Jacinto, trouxe ao de cima além da poesia e dos contos, um conjunto importante de cartas escritas dentro e fora da prisão e reforçou a importância do autor nos movimentos da literatura angolana e do mundo.

Obras literárias publicadas

  • Poemas (1961)
  • Vovô Bartolomeu (1979)
  • Poemas (1982, edição aumentada)
  • Em Kilunje do Golungo (1984)
  • Sobreviver em Tarrafal de Santiago (1985; 2ªed. 1999)
  • Prometeu (1987)
  • Fábulas de Sanji (1988)

Poemas célebres

  • O grande desafio
  • Poema da alienação
  • Carta dum contratado
  • Monangamba
  • Canto interior de uma noite fantástica
  • Era uma vez
  • Bailarina negra
  • Ah! Se pudésseis aqui ver poesia que não há!
  • Vadiagem

 

Dados biográficos:

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