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Quarta-feira, Maio 25, 2022

As mudanças do governo espanhol com a entrada dos socialistas

Após a moção de censura contra o governo do conservador Mariano Rajoy (PP) ser aprovada pelo parlamento espanhol, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) ocupou o poder na Espanha, com Pedro Sánchez como primeiro-ministro. Os socialistas desenharam um Estado com mais investimentos sociais e contam com o maior número de ministras da história do país.Manuel Escudero, conselheiro economico de Sánchez, preparou um documento no qual esboçou um orçamento alternativo para a Espanha. Nele, previa um aumento dos investimentos públicos de 8 bilhões de euros (mais de 35 bilhões de reais) para modernizar a estrutura produtiva e repartir melhor os benefícios do crescimento econômico. Para fazer frente a esse aumento dos gastos sociais, os socialistas planejavam aumentar os impostos em um montante similar, especialmente sobre grandes empresas; as multinacionais, por exemplo, deveriam pagar mais, com um aumento do imposto sobre sociedades de 4 bilhões.

“Uma de nossas prioridades é manter a estabilidade econômica e orçamentária”, insistiu o responsável pela área econômica do PSOE. Escudero também afirmou que é preciso “oferecer oportunidades para as classes médias e trabalhadoras”. O PSOE já anunciou que assumirá o atual Orçamento de 2018, elaborado pelo PP: são contas com aumentos para funcionários, pensionistas e redução de impostos para rendas mais baixas. Os socialistas não poderão abordar, no momento, o rumo da política econômica, já que garantem que não demorarão a convocar eleições, mas antes querem estabilizar o país.

Investimentos e plano econômico

Os socialistas pretendem modernizar o modelo produtivo espanhol, excessivamente baseado no setor turístico e de serviços, com pouco valor agregado. Para isso, propõem aumentar o gasto em pesquisa e desenvolvimento, transição ecológica, educação, indústria e agenda digital.

Também querem incentivar os investimentos sociais com mais 5,5 bilhões (24,2 bilhões de reais) para apoiar os que têm mais dificuldades para se integrar à recuperação econômica ou que ficaram desempregados durante a crise. Por isso, do montante total uma soma de 2,4 bilhões de euros (10,5 bilhões de reais) seriam destinados a um plano de choque contra a pobreza. E outros 1,2 bilhão (5,28 bilhões de reais) a melhorar o auxílio há quem está desempregado há muito tempo.

No pacote social também se destacam aumentos para as áreas de igualdade, assistência, saúde e moradia. Para compensar esse aumento de gastos, previam um plano de eficiência e qualidade do gasto público, com economias de 2,5 bilhões (mais de 11 bilhões de reais) mediante a supressão de duplicidades, melhoria na gestão de compras e insumos.

Essa é a declaração de intenções feita pelo PSOE há um mês, cujo cumprimento depende de uma matemática parlamentar que lhes permita colocá-la em prática e, sobretudo, de quando Sánchez decidir convocar eleições.

Um governo de mulheres

Pedro Sánchez terá o Governo com a maior presença de mulheres na história do país. O Conselho de ministros (gabinete) terá oito mulheres e dois homens. Elas ocuparão postos considerados chave para o poder Executivo, como o ministério da Fazenda, que será ocupado pela conselheira (secretária) de Fazenda da Andaluzia, María Jesús Montero, e da Administração Territorial (relações com as regiões), que irá para a deputada catalã Meritxell Batet. A primeira terá que administrar as contas públicas e o orçamento – se for mantido, claro, o de 2018, e se o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) de Sánchez conseguir pactuar o de 2019. Já a catalã terá a missão de administrar a crise territorial aberta pelo separatismo de um setor da população na Catalunha.

Montero é, por enquanto, a segunda andaluza no gabinete, depois da confirmação de que a cordobesa Carmen Calvo será vice-presidenta e ministra da Igualdade. Trata-se da figura mais veterana no gabinete que a presidenta regional da Andaluzia, Susana Díaz, formou em 2015, quando Montero foi reconduzida ao cargo após 11 anos participando ininterruptamente do Governo andaluz. Ocupava a pasta regional de Fazenda e Administração Pública desde 2013, e eram conhecidas suas disputas com o ministro da Fazenda do Governo anterior.

María Jesús Montero Cuadrado (Sevilla, 1966), formada em Medicina e Cirurgia, mestra em Gestão Hospitalar pela Escola de Negócios EADA, é casada e tem dois filhos. Meritxell Batet Lamaña (Barcelona, março de 1973) é licenciada em direito pela Universidade Pompeu Fabra (graças a uma bolsa pública), um diploma que se orgulha de ter obtido enquanto trabalhava como garçonete. Foi professora de Direito Administrativo e também de Direito Constitucional.

A atual secretária de Estudos e Programas na Comissão Executiva Federal do PSOE foi colaboradora de Narcís Serra na primeira secretaria do Partido Socialista da Catalunha (PSC) e diretora da Fundação Carles Pi i Sunyer de Estudos Autonômicos e Locais. Integrou-se como independente à lista eleitoral do PSC em 2004, mas posteriormente se filiou ao partido. Atualmente é deputada nacional por Barcelona e porta-voz de Administrações Públicas da bancada socialista.

Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

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