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Quinta-feira, Janeiro 20, 2022

Os 100 anos do revolucionário do tango

Argentina comemora o centenário de Astor Piazzolla, o grande nome do Novo Tango.

Em 1934, Carlos Gardel era um herói nacional. Todo argentino o conhecia, admirava e sabia de cor suas canções. Sua fama ultrapassava fronteiras – e foi justamente isso que o levou a Nova York para rodar um filme. Sem que ninguém soubesse, durante as filmagens, ele conheceria o homem que revolucionaria a sua arte, o tango, nas décadas seguintes.

Astor Piazzolla, na época, tinha apenas 13 anos, e morava em Nova York com a família. Acabou conhecendo Gardel porque seu pai, admirador do tanguero, quis lhe levar um presente. O garoto mostrou seus dons ao acordeón e acabou (imagine só!) sendo convidado para acompanhar Gardel em sua turnê.

Por sorte, o pai do menino não deixou. O avião que transportava Gardel e seus 16 músicos caiu, matando todos. Piazzolla, que tocou tango pela primeira vez na vida justamente ao conhecer o ídolo argentino, ainda levaria alguns anos para se transformar no grande novo nome do gênero. E quando o fez, ganhou fama equivalente à de Gardel.

Neste ano, a Argentina celebra os 100 anos de Piazzolla, um de seus maiores compositores e certamente o grande nome do tango moderno. Autor de clássicos como Adiós NoninoLibertango e as Quatro Estações Portenhas, Piazzolla foi o responsável por levar o tango a um novo patamar – misturando-o com o jazz e com a música clássica de seu tempo.

A influência do jazz veio naturalmente: antes de ouvir tango, o menino Astor, filho de italianos, já morava nos EUA. Nascido em Mar del Plata, ele passaria grande parte da vida fora da Argentina, inclusive se refugiando da ditaduras militar em Paris.

Os ritmos do tango jamais seriam os mesmos depois da fusão que ele promoveu, tanto com seus arranjos quanto com suas composições próprias – que foram suficientes para encher 64 LPs ao longo de sua carreira.

O mergulho na música erudita veio quando ele teve aulas com Nadia Boulanger: aos 23 anos, ele passaria quatro meses estudando com a lenda da música, que deu aulas entre outros para Lutoslawski, Leonard Bernstein e para o brasileiro Egberto Gismonti.

Amiga de Stravinsky, conhecedora da música erudita de vanguarda do início do século, Boulanger mudaria a forma como Piazzolla pensava a música.

Na volta a Buenos Aires, já com alguns discos gravados no exterior, Piazzolla forma seu Octeto Buenos Aires e dá inicio ao chamado “novo tango”. Num primeiro momento, muita gente lhe torceu o nariz. O uso de guitarras, a orquestração, os arranjos, tudo soava excêntrico demais para o ritmo mais popular dos portenhos.

Piazzolla chegou a cansar do descaso dos compatriotas e partiu novamente para um autoexílio. Mas com o tempo ele se impôs. Conquistou plateias fora da América do Sul, passou a ser chamado para fazer trilhas sonoras, entrou no repertório de jazzistas e de orquestras sinfônicas. E os argentinos paulatinamente o adotaram como novo padrão do tango.

Nos anos 1980, Piazzolla já era o herói argentino que Gardel fora um dia. Acabou falecendo na Argentina, depois de tanto viajar pelo mundo, aos 71 anos, com uma longa e inesquecível carreira.


por Rogerio Galindo, Jornalista e escreve para o portal Plural  |  Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

Fonte: Plural em parceria com Centro Cultural Hispano


 

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