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João de Sousa

Domingo, Fevereiro 25, 2024

Automação, trabalho e lazer

Ao chegar em um grande estacionamento me deparei com um senhor septuagenário, agoniado porque não conseguia encontrar ninguém para pagar e retirar o seu veículo. Realmente não havia ninguém no local, apenas uma máquina. Nela fiz a leitura do meu ticket, passei o cartão, peguei o recibo. O senhor que me observava pediu que eu o orientasse dizendo que não tinha um equipamento semelhante na cidade interiorana dele. Mostrei a ele os procedimentos e até com certa facilidade conseguiu. Depois comentou: “as maquinas estão substituindo os homens, eu já estou aposentado, mas não sei o que será dessa juventude”.

Realmente existe esse temor das máquinas e robôs reduzirem as vagas de trabalho. Principalmente nesse período de pandemia, os países mais desenvolvidos intensificaram sua produção robótica. A China já possui mais de 800 fabricas de robôs e já é responsável por cerca de 45% de todas as remessas de robôs industriais.

Principalmente nas grandes industrias cada robô já substitui uma grande quantidade de trabalhadores.

A indústria 4.0 e a robótica, já em estágio avançado nos países mais desenvolvidos, é parte intrínseca da evolução humana e, ao contrário daqueles que temiam que a revolução industrial reduziria empregos de artesões e outros trabalhadores, na verdade ampliou e melhorou expressivamente a qualidade e as condições de vida de toda a humanidade.

Hoje, risco grave correm os países e as populações que não derem prioridade para a indústria 4.0 e a robótica, como infelizmente é o caso do Brasil, que entre os anos de 1930 até 1980 foi o país de maior crescimento industrial do mundo, chegando a ser a 6ª economia do planeta. Infelizmente, após o governo Temer e atualmente Bolsonaro, a indústria brasileira, que já chegou a representar 30% do PIB, se encontra na casa dos 10%, apenas 1/3 do que foi e recuando para a 12ª posição econômica mundial.

Esse retrocesso industrial é uma das principais causas do desemprego que já atinge cerca de 13,8% da população. Isto demonstra que o que retira empregos não é o crescimento da automação e sim a sua estagnação e retrocesso.

Um exemplo claro de que a evolução industrial e da automação são benéficas é a China que durante mais de 30 anos cresceu em torno de 10%/ano, hoje em torno de 6% devido a pandemia. Mesmo com uma população de 1,4 bilhão de pessoas, cerca de 45% já é classe média e não existe ninguém na pobreza extrema.

Mas existe um fator de suma importância para determinar a evolução do país e a qualidade de vida da sua população. É o sistema de governo e o compromisso de seus governantes com o pais e seu povo. Nos países de regime capitalista a evolução industrial e a automação servem mais para acumular mais riquezas para quem é dono do capital. A eles o que interessa é reduzir o número de empregados e obter mais lucro. Não importa se milhões serão desempregados ou viverão na extrema pobreza, ou mesmo sem ter o que comer, como no Brasil.

Já na China, governada pelo Partido Comunista desde 1949, construindo outro sistema de governo, o socialismo, o desenvolvimento do país pode ser considerado fantástico, já que em apenas 7 décadas, de um dos países mais pobres, se transformou na 2ª superpotência mundial, próximo de ultrapassar os EUA.

A evolução industrial e a automação devem servir não só para desenvolver o país, mas principalmente para reduzir a jornada de trabalho, consequentemente gerar mais empregos, fazer com que os trabalhadores tenham mais tempo disponível para estudo, férias e lazer, dedicarem mais à família. Enfim, obter condições mais dignas de vida e de trabalho.


por Aluísio Arruda, Jornalista, arquiteto e urbanista  |   Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

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