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Segunda-feira, Outubro 25, 2021

Beyoncé: música pop e política no Super Bowl

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A cantora norte-americana Beyoncé actuou no intervalo do Super Bowl, no Estádio Levi’s, Santa Clara (São Francisco), no passado Domingo, no jogo que opôs os Denver Broncos aos Carolina Panthers, na grande final de basebol dos EUA, tendo a primeira equipa conquistado a vitória.

Com uma audiência estimada em 100 milhões de telespectadores, o intervalo musical foi também uma declaração política. No início da actuação, o corpo de baile da cantora posou com o braço erguido e o punho fechado, evocando a saudação black power dos atletas norte-americanos Tommie Smith e John Carlos nas Olimpíadas de 1968. Cinco dos bailarinos que actuaram com a cantora lembraram Mario Woods, um afro-americano morto pelos polícias de São Francisco, enquanto mostravam uma foto na rede social Instagram com o lema “Justiça Para Mario Woods”.

Já Beyoncé actuou com um colete de pele negra debruado com dois cintos dourados que se cruzavam, numa alusão aos Black Panthers, movimento político de nacionalismo negro ligado ao socialismo e anti-capitalismo que patrulhava guetos para proteger os afro-americanos dos ataques de forças policiais e advogou mesmo a luta armada evocando o passado de escravidão.

Ao mesmo tempo, decorreram protestos dos activistas a favor dos sem-abrigo: protestavam contra os esforços das autoridades da cidade para “varrer” estas pessoas das ruas, para dar lugar à Super Bowl City, uma estrutura feita para patrocinadores da NFL e adeptos participarem em eventos relacionados com a final.

O jornalista desportivo Dave Zirin falou ao site DemocracyNow sobre este evento: considerou que, em campo, os Denver Broncos deram uma das suas melhores exibições desportivas em termos de defesa na história do Super Bowl. Fora de campo, viu-se “um varrer sem precedentes dos sem-abrigo antes de um Super Bowl”, relembrando que existem 10 mil pessoas a viverem nas ruas numa cidade cuja população é de 800 mil, e que a melhor atitude do mayor Ed Lee para com o problema foi dizer-lhes “é melhor que saiam das ruas, porque vamos dar uma festa para os 1% . Vamos ter um Woodstock para os ricos e celebrar o Super Bowl, e celebrar o nosso consumo conspícuo”.

Sobre a actuação de Beyoncé, que lançara na véspera uma canção intitulada “Formation”, Dave Zirin recordou que o Super Bowl decorreu na chamada Bay Area, o mesmo local onde há exactos 50 anos atrás foi fundada a célula dos Black Panthers nessa área. O jornalista faz ainda elogios ao videoclip da canção, que fala do movimento Black Lives Matter e do que se passou depois do Furacão Katrina, declarando Beyoncé “uma artista audaciosamente brilhante” ao ter interpretado uma canção de protesto durante o intervalo de uma final do Super Bowl.

Vincent Warren, director executivo do Center for Constitutional Rights, vai mais longe e elogia a cantora por assumir as suas raízes norte-americanas, e por ter dado uma performance “fabulosa” num espectáculo “extremamente maravilhoso musicalmente”.

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