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João de Sousa

Segunda-feira, Outubro 25, 2021

Bolsonaro quer a reeleição acima de tudo

A semana que se encerra é mais uma marcada pelas manobras do presidente Jair Bolsonaro para tentar se reeleger em 2022, mesmo que a porrete.

Embora que, de dois meses para cá, o presidente deixou o porrete atrás da porta da sala e dele voltará a fazer uso toda vez que vez que lhe for necessário e adequado. Nesta semana, duas manobras se destacam como parte do projeto de reeleição: a indicação do desembargador Kássio Nunes ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a imagem publicitária do que seria uma cruzada presidencial para implantar um programa de renda aos mais pobres.

A indicação do desembargador Kássio Nunes não é unicamente de Bolsonaro, mas de um “coletivo” que abarca o presidente, ministros do STF, parlamentares, com destaque para presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Diante da hipótese de que seria indicado um pretendente “terrivelmente evangélico” ou um “companheiro de copo de cerveja”, a unção do nome do desembargador do TRF da 1ª Região foi recebido com alivio e mesmo elogios, como é caso das declarações de louvor do presidente da OAB-Federal, Felipe Santa Cruz.

Com essa manobra, Bolsonaro busca alargar e consolidar a base parlamentar que está construída do Congresso Nacional, tendo como núcleo setores do chamado Centrão. A vaga com a qual Bolsonaro seduziu Sergio Moro é agraciada a um juiz, tido na praça jurídica como garantiista, que no contexto, leia-se, não associado à Lava Jato. O presidente, que no verão passado fazia voo em helicóptero da Força Aérea, ladeado do ministro da Defesa, para saudar manifestações que pediam o fechamento do STF e do Congresso Nacional, com a indicação de Kássio Nunes busca apaziguar as relações com a Corte Suprema e estabelecer diálogo direto, ao menos com alguns de seus ministros.

A reeleição parece exigir, no cálculo que Bolsonaro passou a fazer, alguma normalidade institucional, ou o que é mais exato, uma melhor aparência de respeito às instituições. É um erro crasso, portanto, falar de “ Bolsonaro sem bolsonarismo”. Ou, às claras, Bolsonaro sem fascismo. O fascismo no seu projeto de poder faz manobras, recuos. É disso, portanto, que se trata.

O outro movimento que marcou a semana tem por objetivo preservar, a qualquer custo, a popularidade entre os segmentos sociais mais carentes. O resumo da ópera já se sabe. Bolsonaro, instado pela sociedade e pelo Congresso Nacional, acenou com R$ 200 de ajuda emergencial aos mais pobres lá no início da pandemia. O Congresso aprovou R$ 600 até setembro. Bolsonaro, por Medida Provisória, prorrogou até dezembro, reduzindo o valor para R$ 300. A oposição, as centrais sindicais e o movimento social lutam para que o benefício seja pago sem corte algum, até o final do ano. E, agora, todas as atenções se voltam para saber como ficará essa ajuda, que deverá ser necessária a partir de janeiro do ano novo, já que os efeitos das crise sanitária e econômica não deverão ser interrompidos no dia 31 de janeiro de 2020.

Apesar desses fatos, para a maior parte da população beneficiada o mérito é do presidente da República, até porque quem paga o auxílio é o governo. Isso turbinou a popularidade do presidente. Agora, no debate do orçamento do governo para 2021, Bolsonaro vende a imagem de um cavaleiro das Cruzadas, enfrentando o seu próprio ministro da Fazenda, o mercado, a grande mídia, os políticos, para implantar um novo programa, com alguns milhões de beneficiários a mais que o Bolsa Família e com um valor também superior ao que “Bolsa” paga.

Além dessas duas manobras, Bolsonaro, nesta semana, em São José do Egito, cidade do sertão de Pernambuco, disse que apoiará. nas eleições municipais em curso, candidaturas que tenham “ Deus no coração”. Lema dos integralistas, alcunha que o fascismo recebeu no Brasil quando, no século passado, o nazifascismo levou o mundo à desgraça da guerra.


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


 

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