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João de Sousa

Segunda-feira, Janeiro 30, 2023

Cinco tendências econômicas internacionais para 2023

A economia global enfrenta riscos e oportunidades no próximo ano, desde o aumento das taxas de juros até a reabertura da China.

A economia global no ano de 2022 foi abalada pelas restrições de tolerância zero à covid-19, implementadas na China, e pela guerra na Ucrânia, que injetaram uma nova desorganização nas cadeias de suprimentos globais. Em muitos países, a inflação atingiu seus piores patamares em quatro décadas, com os preços dos alimentos e da energia disparando.

A guerra continua abalando os mercados de alimentos e energia, enquanto o aumento das taxas de juros ameaçam sufocar a frágil recuperação pós-pandemia. Rússia é um grande fornecedor de combustíveis fósseis para a Europa e Ucrânia um grande fornecedor de grãos para toda a Ásia e Europa.

Reportagem de John Power, da Al Jazira, aponta cinco elementos a serem observados nos próximos meses, que definirão a capacidade de recuperação da economia global. Ele cita a questão do controle inflacionário como uma dificuldade que deve permanecer. Com isso, o aumento das taxas de juros será um elemento que favorece um clima recessivo.

As baixas taxas de crescimento devem permanecer, mas a abertura da China é uma grande esperança, ao mesmo tempo em que os EUA criam mecanismos protecionistas para sufocar a economia chinesa, gerar maior autonomia industrial e desgastar a globalização. Outro índice a ser observado é a queda na taxa de falências, um índice positivo nos últimos anos.

1. China e Covid

As expectativas positivas para os analistas estão na reabertura da China, após três anos de rígidas restrições à pandemia. As fronteiras internacionais da China devem reabrir a partir de 8 de janeiro.

Uma recuperação na demanda do consumidor chinês daria um impulso a grandes exportadores como Indonésia, Malásia, Tailândia e Cingapura, enquanto o fim das restrições oferece alívio a marcas globais de Apple a Tesla, que sofreram interrupções repetidas sob o “zero covid”.

Apesar disso, o fim de ano tem sido alarmado pelos temores de que a disseminação desenfreada do vírus entre os 1,4 bilhão de habitantes do país possa dar origem a variantes mais letais. A letalidade da variante pode definir a reação do gigante asiático, o que pode ser traumático para a economia global, novamente. No entanto, a vacinação mais avançada em todo o mundo, o surgimento de tratamentos e a consolidação de medidas sanitárias para reduzir contágios apontam para um cenário melhor em 2023.

2. Inflação e juros

Outro elemento importante apontado é a diminuição global na inflação no novo ano, apesar dos patamares altos. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a inflação global atingirá 6,5% no próximo ano, abaixo dos 8,8% em 2022. Espera-se que as economias em desenvolvimento tenham menos alívio, com a inflação projetada para cair apenas para 8,1% em 2023.

A energia e as matérias-primas continuarão caras devido às dificuldades de importações, a escassez de mão de obra em muitos países ocidentais. A novidade em torno das medidas de transição verde para combater a mudança climática também aumenta o custo da produção.

3. Clima recessivo

A pesar da queda na inflação, a crescimento econômico tende a ser lento com o aumento das taxas de juros. Utilizados para manter a inflação dentro de uma meta, juros altos tendem a reprimir a produção, o crédito e, portanto, o consumo, mantendo a economia recessiva.

O FMI estimou que a economia global crescerá apenas 2,7% em 2023 , abaixo dos 3,2% em 2022. A OCDE projetou um desempenho menos elevado neste ano de 2,2% de crescimento, em comparação com 3,1% em 2022. Considerando a queda brutal sofrida nos últimos anos, estes índices representam apenas recuperação sem taxas reais de crescimento.

Analistas renomados como o editor-chefe do The Economist, Zanny Minton Beddoes, foi bastante pessimista sobre o assunto em uma coluna no mês passado, em seu artigo: “Por que uma recessão global é inevitável em 2023”.

Mesmo que a economia global não entre tecnicamente em recessão – amplamente definida como dois trimestres consecutivos de crescimento negativo – o economista-chefe do FMI diz que ela se parecerá com isso.

“As três maiores economias, EUA, China e zona do euro, continuarão estagnadas”, disse Pierre-Olivier Gourinchas em outubro. “Em suma, o pior ainda está por vir e, para muitas pessoas, 2023 parecerá uma recessão.”

4. Falências

Outro índice positivo é a diminuição das falências em muitos países, devido a uma combinação de acordos extrajudiciais com credores e grandes estímulos governamentais. Esta redução anual de falências foi verificada nos Estados Unidos. A Allianz Trade estimou que as falências globalmente aumentarão mais de 10% em 2022 e 19% em 2023, superando os níveis pré-pandêmicos.

Este aumento se deve a contração de empréstimos forçados pelas empresas durante a pandemia da covid. Com o aumento dos juros, da energia e matérias-primas, com baixo consumo, piora a situação de endividamento e capacidade de pagamento das empresas.

Junto com essa tempestade perfeita, comparecem os governos com baixo investimento em ajuda direta ao setor privado, priorizando o apoio às famílias.

5. Guerra fria econômica

Os esforços para reverter a globalização aceleraram este ano e devem continuar em ritmo acelerado em 2023. O governo Joe Biden demonstra uma disposição de aprofundamento da guerra comercial e tecnológica com a China, desde que Donald Trump a impulsionou.

Biden assinou o CHIPS and Science Act, bloqueando a exportação de chips avançados e equipamentos de fabricação para a China – uma medida destinada a sufocar o desenvolvimento da indústria chinesa de semicondutores e reforçar a autossuficiência na fabricação de chips.

A aprovação da lei foi apenas o exemplo mais recente de uma tendência crescente de protecionismo e maior autossuficiência dos EUA, contra o livre comércio e a liberalização econômica, especialmente em indústrias críticas ligadas à segurança nacional.

Em um discurso no início deste mês, Morris Chang, fundador da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), maior fabricante de chips do mundo, lamentou que a globalização e o livre comércio estejam “quase mortos”.

Esta guerra fria tem vários ambientes de confronto, como o lawfare (perseguição judicial a empresas), formação de blocos econômicos e acordos comerciais, sanções financeiras rearranjo geopolítico, por isso, precisa ser observada com atenção. Importações mais caras e crescimento mais lento para todos os países envolvidos são praticamente uma certeza.


por Cézar Xavier | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

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