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Sábado, Novembro 26, 2022

Cinema argentino das duas últimas décadas em grande destaque

José M. Bastos
José M. Bastos
Crítico de cinema

66ª SEMINCI – Semana Internacional de Cinema de Valladolid

Chega hoje ao fim, em Valladolid, a edição de 2021 da Semana Internacional de Cinema de Valladolid. A “segunda edição da pandemia” mas já assinalada pelo regresso do público às salas e também pela presença de muitos dos autores e intervenientes nas obras apresentadas. Esta noite, no Teatro Calderón, e antecedendo a projecção de “Funny Boy”, filme (referido em texto anterior) realizado pela presidente do Júri Internacional, a indiana Deepa Metha, serão entregues os prémios cuja divulgação deverá ocorrer no início da tarde de hoje e que serão objecto de um próximo texto sobre este festival.

Entretanto referimos hoje várias das outras actividades que animaram a capital da Comunidade de Castilla y León nos últimos dias.

A primeira nota é sobre o programa dedicado ao cinema argentino das duas primeiras décadas deste ciclo. “Histórias salvajes, relatos extraordinarios” é o título do ciclo aqui apresentado e que reuniu alguns dos trabalhos mais significativos de uma das principais cinematografias de língua castelhana.

O público presente na mostra de Valladolid teve à sua disposição obras premiadas em Cannes, Sundance, Locarno, Havana, e outros festivais e um vencedor de um Oscar: “O Segredo dos Teus Olhos”.

As longas metragens deste ciclo foram:

  • Un oso rojo, de Adrián Caetano (2002)
  • Los rubios, de Albertina Carri (2003)
  • La niña santa, de Lucrecia Martel (2004)
  • Los muertos, de Lisandro Alonso (2004)
  • El aura, de Fabián Bielinsky (2005)
  • XXY, de Lucía Puenzo (2007)
  • El hombrede al lado, de Mariano Cohn y Gastón Duprat (2010)
  • O Segredo dos Seus Olhos de Juan José Campanella (2009)
  • Abrir puertas y ventanas, de Milagros Mumenthaler (2011)
  • Viola, de Matías Piñeiro (2012)
  • Fantasmas de la ruta, de José Celestino Campusano (2013)
  • Dos disparos, de Martín Rejtman (2014)
  • El cielo del centauro, de Hugo Santiago (2015)
  • Gilda, no me arrepiento de este amor, de Lorena Muñoz (2016)
  • La flor, de Mariano Llinás (2018)
  • Las facultades, de Eloísa Solaas (2019)

Foram também exibidas as curtas metragens:

  • Massi me tiro, de Sebastián Carreras (2003)
  • Luminaris, de Juan Pablo Zaramella (2013)
  • El mes del amigo, de Florencia Percia (2016)
  • La prima sueca, de Inés María Barrionuevo (2017)
  • El récord, de Daniel Elías (2019)
  • Shendy Wu: Un diario, de Ingrid Pokropek (2019)
  • Bajo la superficie, de Pablo Spatola (2021)

 

“Spanish Cinema”

A secção não competitiva destinada a promover o cinema de produção espanhola dos últimos doze meses integrou este ano treze longas metragens e seis curtas.

Os filmes de ficção selecionados foram as primeiras obras de Julia de la Paz (Ama), Ainhoa Rodríguez (Destello bravío), Guillermo Benet (Los inocentes), Javier Marco (Josefina), David Martín de los Santos (La vida era eso) e Juanjo Giménez (Tres); o segundo trabalho de Claudia Pinto (Las consecuencias) e o terceiro de Enrique García (La mancha negra). Foram também exibidas obras de autores veteranos como Judith Colell (15 horas) e Agustí Villaronga (El vientre del mar). Os documentários exibidos foram Buñuel, un cineasta surrealista, de Javier Espada, La calle del agua de Celia Viada e  Un blues para Teherán de Javier Tolentino.

Completam a secção ‘Spanish Cinema’ seis cortas-metragens:  Contigo, de Manuel H. Martín; Farrucas, de Ian de la Rosa, e Versiones, de Claudia Torrese os documentários A comuñón da miña prima Andrea  de Brandán Cerviño, El síndrome de los quietos, de Elías León Siminiani e Lanbroa, de Ana Serna,Paula Iglesias e Maialen Oleaga.

 

‘Disidencias: Nuevos Cineastas, Nuevas miradas’

Com tanto, tanto para ver, a organização da SEMINCI programou outro interessantíssimo ciclo, com a colaboração da revista ‘Caimán’. Se houvesse tempo para olhar para ele atentamente…

‘Disidencias’ agrupou 16 primeiras ou segundas obras de cineastas que, nas últimas duas décadas, viriam a acrescentar algo de inovador ao panorama cinematográfico em oposição aos modelos mais tradicionais, quer no que se refere às temáticas abordadas quer na perspectiva da narrativa cinematográfica. Uma parte significativa dos títulos apresentados já teve exibição comercial em Portugal ou passou em alguns festivais portugueses.

Aqui fica a lista completa deste ciclo, filmes de treze países e quatro continentes, onde constam obras premiadas em vários festivais (incluindo a SEMINCI) e até Óscares, que deixavam já antever estarmos em presença de grandes criadores:

  • ‘Cravan vs Cravan’, Isaki Lacuesta (2002)
  • ‘O Céu Gira’, Mercedes Álvarez (2004)
  • ‘A Mulher é o futuro do Homem’, Hong Sangsoo (2004)
  • ‘A Morte do senhor Lazarescu’, Cristi Puiu (2005)
  • ‘Síndromes e um século’, Apichatpong Weerasethakul (2006)
  • ‘A Mulher sem Cabeça’, Lucrecia Martel (2008)
  • ‘Independência’, Raya Martin (2009)
  • ‘Todos os Outros’, Maren Ade (2010)
  • ‘O Atalho – Meek’s Cutoff’, Kelly Reichardt (2010)
  • ‘Jauja’, Lisandro Alonso (2014)
  • ‘O Filho de Saúl’, Laszlo Nemes (2015)
  • ‘Songs My Brother Taught Me’, Chloe Zhao (2015)
  • ‘Mrs. Fang’, Wang Bing (2018)
  • ‘Funeral de Estado’, Sergei Loznitsa (2019)
  • ‘Retrato da rapariga em chamas’, Céline Sciamma (2019)
  • ‘This is Not a Burial, It’s a Resurrection’, Jeremiah Mosese (2019)

 

“Espigas de Honra”

Foram sete as personalidades do mundo do cinema, cinco delas espanholas, distinguidas com a “Espiga de Honor”, o prémio de carreira habitualmente atribuído pela SEMINCI.

Foram elas:

  • o celebradíssimo director de fotografia italiano Vittorio Storaro. Nascido em Roma em 1940 trabalhou com realizadores como Luigi Bazzoni, Dario Argento, Giuseppe Patroni Griffi, Salvatore Samperi, Giuliano Montaldo, Luca Ronconi, Michael Apted, John Harrison, AlfonsoArau, Rachid Benhadj, peroe, principalmente, Bernardo Bertolucci, Francis Ford Coppola, Warren Beatty, Carlos Saura  e Woody Allen.  É detentor de cerca de 180 prémios internacionais e de de três Oscares com ‘Apocalypse Now’ (Francis Ford Coppola, 1979), ‘Reds’ (Warren Beatty, 1981) e ‘O Último Imperador’ (Bernardo Bertolucci, 1987);
  • o multi-premiado realizador argentino Juan José Campanella, “Espiga de Prata” em Valladolid com “El Hijo de la Novia” e vencedor do Oscar para o Melhor Filme Estrangeiro em 2010 com “O Segredo dos Seus Olhos”. Campanella deu nesta edição da SEMINCI uma ‘clase maestra’ (por aqui ainda se evita a expressão “master class”…);
  • a actriz catalã Mercedes Sampietro, detentora de uma importante carreira no teatro e no cinema e premiada em vários festivais com destaque para Moscovo e San Sebastián. Foi presidente da Academia e das Artes Cinematográficas de Espanha;
  • o realizador basco Alex de la Iglesia. cineasta especialmente ligado ao cinema fantástico e de terror. Premiado em muitos festivais incluindo o Fantasporto onde venceu em 2014 com “Las Brujas de Zugarramurdi”. Elex de la Iglesia deu também uma ‘clase Maestra’;
  • director de fotografia espanhol José Luis Alcaine. Trabalhou com muitos dos maiores realizadores espanhóis: Víctor Erice, Fernando Fernán-Gómez, Carlos Saura, Vicente Aranda, Montxo Armendáriz, Bigas Luna, Pilar Miró, Fernando Trueba, Manuel Gutiérrez Aragón, José Luis García Sánchez, Narciso Ibáñez Serrador, Fernando Colomo ou Emilio Martínez Lázaro. Com Pedro Almodóvar fez “Mulheres à beira de um ataque de nervos”,  e muito recentemente, “Madres Paralelas. Trabalhou também com Adolfo Aristarain, Asghar Farhadi e Brian de Palma;
  • José Coronado, conhecido actor de teatro, cinema e televisão. Popular em Portugal pela sua participação na série “El Principe”;
  • Emilio Gutiérrez Caba, actor com uma carreira de cinco décadas no teatro cinema e televisão.

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