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Segunda-feira, Dezembro 6, 2021

A cura está na classe trabalhadora, diz líder de entregadores de apps

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

Em uma entrevista de pouco mais de 14 minutos ao jornal Folha de S.Paulo, Paulo Roberto da Silva Lima, o Galo, um dos líderes do Movimento dos Entregadores Antifascistas, desmonta a tese do empreendedorismo, decantada em prosa e verso pela burguesia.

Galo conta que sofreu represálias da iFood e da Rappi ao defender suas ideias em uma entrevista à revista Exame. Simplesmente por afirmar que “nóis não é empreendedor porra nenhuma. Nóis é força de trabalho nessa porra”.

Para Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, “faz tempo que os patrões difundem a ideia de empreendedorismo para disfarçar a precarização do trabalho e a retirada de direitos”.

Assista o importante depoimento de Galo à Folha

Tanto que “as empresas atualmente tratam seus funcionários como ‘colaboradores’, ou seja, procuram de todas as maneiras cortar os vínculos trabalhistas e ainda tentam dizer que cada trabalhador é seu próprio patrão e diminuem os salários, tiram as férias, os domingos, obrigando cada trabalhadora e trabalhador a trabalhar sem descansar para ganhar o mínimo para a família sobreviver”, assegura.

A sindicalista afirma que a reforma trabalhista, aprovada em 2017, no governo de Michel Temer e a reforma da previdência, aprovada já no governo de Jair Bolsonaro fazem parte “da ideologia neoliberal de desmonte do Estado e retirada de todos os direitos trabalhistas”.

Para o líder dos entregadores, “a uberização é um processo que tem que avançar” para os capitalistas “ganharem dinheiro”. E toma dinheiro nisso. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, antes da pandemia, o mercado de delivery movimentava R$ 11 bilhões por ano. No mundo, esse mercado movimentou US$ 182 bilhões, somente em 2018.

Já a Mobills revela que no primeiro semestre de 2020, o mercado de entrega de comida cresceu 103%. Galo destaca que as empresas de aplicativo agem para sugar todas as forças dos entregadores. “É você conseguir extrair a última gota do suco de laranja e quando o bagaço tiver que ser jogado fora não precisa nem se preocupar”, assinala. O bagaço no caso é a trabalhadora, o trabalhador.

Mas o representante das trabalhadoras e trabalhadores de aplicativos acentua que “a cura da coisa está nos trabalhadores” ao realçar que “a tecnologia tem que estar nas mãos dos trabalhadores” para realmente mudar a situação.

Assistir e divulgar esse vídeo, neste momento, antes que a uberização atinja a todos, “faz parte da luta da classe trabalhadora por melhores dias e para a construção de um novo normal, que garanta dignidade à vida de todas as pessoas”, reforça Vânia.


Texto em português do Brasil


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