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João de Sousa

Segunda-feira, Setembro 20, 2021

Da organização e da política. Autárquicas

Desde o primeiro momento em que se tornou inequívoca a intenção de organização social e depois política do Homem, que o “tomar partido” tem sido fator de conjugação de interesse.

Os de maior abrangência social são tidos, nos tempos modernos, como sendo os de maior justiça. E os de menor abrangência social, os de menor justiça.

Obviamente de que nem sempre foi esta a interpretação do pensamento dominante.

Esta nova forma de olhar a organização social e a distribuição da riqueza comum é, em temporalidade histórica, demasiado recente.

Emerge no período de transição do feudalismo para a era industrial por imperativo da aceleração do processo da vida em sociedade concentrada em cidades que crescem desordenadamente em torno das indústrias que se vão instalando e absorvendo a mão de obra agrícola subserviente e totalmente dependente assim como a mão de obra excedentária a sobreviver em condições de total precariedade registando um tempo médio de vida bastante baixo no tempo.

Com procedimentos salariais diferentes e muito mais vantajosos para as populações, a industrialização encontra dinâmicas pujantes de crescimento acrescentando valores até aí impensáveis e de que a cidade é um bem maior resultante.

As dinâmicas geradas pela industrialização trouxeram necessidade de organização social e política acrescidas face à proliferação dos interesses em disputa e a gestão das suas contradições em regime de concorrência e competitividade mas também nas roturas que provoca no tecido social existente porque aparecem novos grupos de interesses sociais estratificados em contra ponto com os até aí existente e que se resumiam a um binómio: amos e servos.

Surge assim uma classe média setorizada que resulta de divisão intermédia na organização empresarial e dos interesses que catapulta e de que são exemplos a queda política dos impérios e a divisão dos Continentes em Países com soberania fronteiriça e independência de Estado.

Neste contexto, a organização política dos cidadãos encontra na concepção e constituição de partidos políticos o método mais eficaz para a gestão e organização dos Estados e a regulação das Nações.

Nos últimos séculos, no domínio da governação o mundo tem tido um pouco de tudo. Desde sumidades a loucos e idiotas também.

É neste cenário de evolução da organização política das sociedades que as cidades surgem como pilar estrutural de proximidade entre o poder político e o cidadão com direitos adquiridos.

A cidade de Braga, entre muitas outras cidades, não teve origem motivada pela instalação de indústrias uma vez que as dinâmicas locais assentavam na pastoricia e outras tradições tribais herdadas dos seus antecessores Celtas.

Foi construída a mando do invasor, o Império Romano, para ser Sede do Convento Bracaraugustano.

São os jovens vindos dos Castros que motivados pela opulência demonstrada pelos soldados Romanos se empenham na construção da nova Cidade, Bracara Augusta.

A cidade teve uma arquitetura exterior muralhada como era uso na época para sua defesa que foi alterada a mando de Dom Diogo de Sousa permitindo assim a sua expansão arquitectónica extra muralhas que vieram a desaparecer na sua quase totalidade.

Depois de Dom Diogo de Sousa a cidade atravessou um longo período de estagnação e marasmo arquitetónico assim como em todas as outras valências dos interesses populares impostos pelos regimes sucessórios inclusivé o Estado Novo e a sua sucessora Primavera Marcelista até que aconteceu a Revolução de Abril, corria o ano de mil novecentos e setenta e quatro.

É a partir dessa revolução militar que se instala no País um regime democrático e se criam as condições para o crescimento económico e de bem estar das famílias.

A cidade expande-se respondendo às necessidades das  populações e acompanha em paridade as suas congéneres Europeias ao ponto de ultrapassar muitas delas em especificidades infraestruturais distintas como o são:

  • a rede de transportes públicos Concelhia;
  • a rede de distribuição de águas ao domicílio;
  • a rede de águas residuais e pluviais;
  • o tratamento e reciclagem dos lixos domésticos e indústrias;
  • as redes de comunicações e de telecomunicações;
  • o parque escolar pré primário, primário, secundário e superior;
  • a rede de parques infantis e de espaços desportivos;
  • a rede de parques industriais;
  • a rede viária e rodoviária;
  • entre muitas outras melhorias consideráveis;

Foram quase quarenta anos de crescimento e de solidificação sustentável desse crescimento.

No entanto, no ano de 2013, houve alteração sufragada por eleição autárquica. Alteração essa que estagnou todas as dinâmicas existentes ao tempo por imperativos ideológicos e que tem tentado reverter todo um trajeto feito em prol das populações.

A propaganda substituiu o progresso e o medo coage a coragem mas também a iniciativa.

Restam as cerimónias e a organização de festas que, com a pandemia Covid 19 estão em “banho Maria”, para animar o eleitor e o convencer a votar na continuidade do marasmo; exiguidade de obras públicas; reversão do conceito sobre o interesse público; reversão do investimento na cidadania, seus interesses e direitos.

Esta situação política autárquica a séculos de distância das revoluções agrária e industrial, em tempo de transição para a era digital e de combate às alterações climáticas, não é sustentável e, por isso, exige um novo caminho.

Um caminho com soluções ajustadas às atuais condições e qualidade de vida das populações no perímetro Concelhio. Soluções em todos os domínios da cidadania, para a cidadania! Desde logo;

  • emprego;
  • habitação;
  • creches;
  • apoio social aos mais carenciados em todas as valências;
  • reimplantação da rede social e suas estruturas;
  • transportes públicos;
  • interfaces;
  • infraestruturas viárias e rodoviárias;
  • estacionamento;
  • recolha de lixos domésticos e indústrias;
  • planificação de todos os serviços;
  • regulação do comércio;
  • reordenamento do Parque Industrial;
  • defesa e preservação do património público;
  • reorganização dos espaços municipais;
  • assunção das responsabilidades inerentes à descentralização política;
  • outros;

A atual era tecnológica exige um autarca com visão de futuro; iniciativa; competência; e, sobre tudo, consciente!

Um autarca capaz de perceber que é na distribuição equitativa da riqueza produzida e na gestão sustentada dos recursos naturais que reside a consciência social. Estas valências não as encontramos no atual Edil.

Por isso… A SOLUÇÃO para uma política autárquica a contento das populações locais passa impreterivelmente por, mudar o Edil.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90

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