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João de Sousa

Quarta-feira, Outubro 27, 2021

Dia de Joaquim Cardozo

Urariano Mota, no Recife
Escritor e colunista da Boitempo e do Direto da Redação. Colabora também com Vermelho, Carta Capital e Fórum.

Quem foi capaz de cantar o amor do mundo com estes versos, pode muito bem esquecer que um dia calculou Brasília.

Se tivéssemos uma civilização, ontem (26) no Brasil inteiro seria lembrado o dia do nascimento de Joaquim Cardozo. Percorro nas asas do Google os jornais e revistas, mas não encontro uma só linha publicada de ontem para hoje sobre o amoroso e grande poeta. Eu sei que para muitos, e não só longe de Pernambuco, sei de viva experiência que entre os recifenses também mais de uma pessoa perguntará: quem?

Tão confusos a pergunta nos deixa, que temos vontade de encher de raios a boca da horda do presidente. Então respondo de outra maneira.

Para engrandecer Joaquim Cardozo, sempre se fala que ele foi engenheiro calculista dos melhores do mundo, que foi ele quem achou a tangente perfeita para sustentar as curvas de Oscar Niemeyer. E que era poliglota, conhecedor de muitas e muitas línguas, até do sânscrito e do mandarim. Ah, tudo isso é grande, sem dúvida. Ah, mas tudo isso é também admiração de basbaque A poesia que ele escreveu é que é a sua maior qualidade. Quem foi capaz de cantar o amor do mundo com estes versos, pode muito bem esquecer que um dia calculou Brasília.

Tarde no Recife

Tarde no Recife.
Da ponta Maurício o céu e a cidade.
Fachada verde do Café Máxime.
Cais do Abacaxi. Gameleiras.
Da torre do Telégrafo Ótico
A voz colorida das bandeiras anuncia
Que vapores entraram no horizonte.

Tanta gente apressada, tanta mulher bonita.
A tagarelice dos bondes e dos automóveis.
Um carreto gritando — alerta!
Algazarra, Seis horas. Os sinos.

Recife romântico dos crepúsculos das pontes.
Dos longos crepúsculos que assistiram à passagem

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