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João de Sousa

Segunda-feira, Janeiro 24, 2022

Dos amigos

J. A. Nunes Carneiro, no Porto
Consultor e Formador

DIA 15, FALAMOS

Penso muito nos meus amigos. Nos mais recentes e nos mais antigos. Nunca escrevi sobre eles apesar de serem as pessoas mais importantes na minha vida. Ao ter este pretexto para escrever, ocorrem-me três frases ou três ideias que me parecem resumir muito bem o que penso.

Não fui eu que as inventei mas gostava, se me permitem, de as usar hoje.

“Os amigos são a família que escolhemos”

Como tenho uma família muito pequena e considero como verdadeiros amigos apenas duas pessoas desse grupo, esta ideia agrada-me. E digo-o com alguma mágoa pois talvez fosse melhor se fosse de outra maneira. Não conheço em muitas famílias relações que sejam, simultaneamente, de família e de amizade. Pensando bem, conheço só uma. São cinco irmãos que se dão como verdadeiros amigos. E isso vê-se na relação próxima que estabeleceram ao longo de muitos anos entre si. No entanto, não estão sempre juntos e são pessoas muito (mas mesmo muito…) diferentes e autónomas. Mas estão presentes sempre que é preciso. E todos o sabem. E todos cumprem esse desígnio de serem não só família. De serem também família.

“Os amigos não têm de estar sempre presentes, estão presentes sempre que é preciso”

A essência da amizade é mesmo isto. Estar presente com um gesto ou uma palavra sempre que é preciso. Ou, por vezes, estar apenas presente, mesmo que em silêncio.

Como é reconfortante sentir esse apoio forte como uma rocha. E, muitas vezes, nem é preciso pedir ou anunciar um pedido de ajuda. Naturalmente, como nos conhecem bem, os amigos aparecem, telefonam ou encontram qualquer forma de se mostrarem e de permitirem que lhes roubemos tempo. Eles que podiam estar em casa ou noutro sítio qualquer. Mas escolheram escolher-nos a nós e ao nosso problema ou circunstância.

“Os amigos não têm de estar sempre do meu lado mas sim ao meu lado”

Finalmente, uma palavra para a discórdia, para diferença ou para a discordância. Ser amigo não significa (nunca significou) ter de deixar de ter opinião ou convicções. Quantas vezes podemos até estar em pontos opostos. Mas o respeito que nos merece um amigo implica isso mesmo: que ambos reconheçamos a diferença, se existir. Que pensemos: se fôssemos nós, talvez reagíssemos de forma diferente. Mas não quebraremos o elo. Podemos (e devemos) dizer sempre o que pensamos. Mas, a decisão do outro é soberana. Depois, basta estarmos presentes e ao seu lado. Para o bem e para o mal. Ali mesmo é o lugar do amigo.


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