Diário
Director

Independente
João de Sousa

Domingo, Outubro 17, 2021

Dos treinadores de bancada

J. A. Nunes Carneiro, no Porto
Consultor e Formador

DIA 15, FALAMOS

Mas… Se havia outras soluções, por que não avançaram sugestões concretas? Por que motivo os treinadores de bancada continuam a apenas comentar os resultados depois do jogo?

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A pandemia que atinge as nossas vidas e o mundo, é o mais difícil desafio que os portugueses da nossa geração estão a enfrentar. Pela sua gravidade, pela sua dimensão e, sobretudo, pela sua imprevisibilidade.  Acresce o facto de, tendo por base um vírus novo (e as suas variantes), mesmo os especialistas têm dúvidas e nem sempre estão disponíveis respostas claras, objectivas e acertadas aos imensos problemas que surgem.

Neste contexto, a necessidade de decidir é uma constante. A urgência de tomar medidas é recorrente.

E, como sempre acontece quando não estão claros e seguros todos os dados a ponderar, quem decide pode decidir mal. As medidas adoptadas (desde as mais simples às mais complexas) têm um elevado risco. Mas, maior risco é o de nada fazer e o de deixar a situação evoluir.

Veja-se, a título de exemplo, a criminosa displicência de Trump e Bolsonaro. Perante a mais grave crise sanitária (seguida de uma crise sem precedentes na economia) a nível global, o que fizeram estes dois Presidentes? Nada ou… pior do que nada: ignoraram o problema, mentiram e criaram pela sua grotesca inacção as condições ideais para que milhares e milhares de pessoas morressem e milhões fossem infectadas.

 

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Portanto, em tempos difíceis como estes, é muito mais fácil criticar do que decidir. É muito mais conveniente fazer oposição do que governar. É muito bom ter espaço mediático para comentar.

Mas, também é muito mais importante decidir com base nos elementos que temos, ouvindo especialistas e técnicos, ponderando os prós e os contras.

Cada opção tem riscos. Cada decisão pode conduzir a soluções ou agravar problemas. Mas isso é inevitável.

Lembram-se daquele futebolista que dizia que “prognósticos só depois do jogo”? Pois, é ele que me parece estar a ouvir quando certas pessoas falam ou escrevem no espaço público. Como se isto fosse um jogo de futebol em que todos, no café da esquina, podem ser magníficos treinadores de bancada. Sem responsabilidades nem riscos.

 

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Ainda bem que vivemos numa democracia, que não há censura, que há liberdade de expressão. No entanto, seria sensato e até curioso reler o que, ao longo destes longos meses de pandemia, foi dito e foi escrito por políticos, comentadores e outros ocupantes do espaço mediático.

Podemos dizer que o governo oscilou e tomou decisões contraditórias. Que avaliou mal alguns dos problemas e avançou com medidas que se revelaram desajustadas. Que, sem dúvida, errou.

Mas a pergunta que me ocorre é esta: quem faria melhor? Neste contexto de indefinição, nestes tempos de crise sanitária e de crise económica acentuada, podíamos ter errado menos? Talvez.

Mas… Se havia outras soluções, por que não avançaram sugestões concretas? Por que motivo os treinadores de bancada continuam a apenas comentar os resultados depois do jogo?

Sempre que há uma decisão, a primeira tentação é criticar, criar obstáculos e lançar a dúvida. Minar a confiança.

Há algo que podemos e devemos fazer: dar o benefício da dúvida, contribuir activamente para o esforço nacional e para a batalha em que todos somos convidados a participar.

E que não haja dúvidas: acredito que é possível, desejável ou até mesmo obrigatório que uma democracia se consolide com debate de ideias, com divergências, com discordâncias.

Mas estou farto destes treinadores de bancada. De opiniões sem fundamento, de conversas da treta.

 

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Na escrita da nossa história, daqui a muitos anos, poderá concluir-se algo de mais concreto verificado e sustentado. Por agora, do ponto de vista da saúde, o importante é controlar a pandemia e salvar vidas.

Do ponto de vista económico, o importante é conter os efeitos da crise e criar condições para a retoma: sobrevivência das empresas, manutenção (e criação) de emprego, desenvolvimento do nosso país com mais justiça social e igualdade de oportunidades.

E esse combate tem de ser de todos nós. Portugal precisa de todos a caminhar na mesma direcção. O futuro não pode esperar.


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