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Terça-feira, Setembro 28, 2021

Em homenagem a Alan Parker, destacamos Mississippi em Chamas e The Commitments

Carolina Maria Ruy, em São Paulo
Pesquisadora, coordenadora do Centro de Memória Sindical e jornalista do site Radio Peão Brasil. Escreveu o livro "O mundo do trabalho no cinema", editou o livro de fotos "Arte de Rua" e, em 2017, a revista sobre os 100 anos da Greve Geral de 1917

Grandes filmes com viés social e político marcaram a carreira de Alan Parker, morto nesta sexta-feira aos 76 anos.

Alan Parker, cineasta britânico, diretor de clássicos como Mississippi em Chamas (1988), O Expresso da Meia Noite (1978), Pink Floyd: The Wall (1982), The Commitments – Loucos pela Fama (1991) e o musical Evita (1996), com Madonna e Antonio Banderas, morreu nesta sexta-feira, 31, depois de um longo período convalescendo.

Alan Parker

Nascido em Londres, em 1944, Parker começou a carreira escrevendo anúncios publicitários, e tornou-se diretor ainda jovem.

Em 2008, Parker veio ao Brasil para ser presidente do júri internacional de filmes de ficção em competição no 5.º Amazonas Film Festival – Aventura, Natureza e Meio Ambiente, realizado em Manaus. Na ocasião, o diretor passou a noite num hotel no meio da selva, onde se divertiu na festa do boi-bumbá e foi alimentar os botos cor-de-rosa, uma das grandes atrações do turismo na Amazônia. Segundo informações do Estadão, em conversa com o jornalista e crítico, Luiz Zanin Oricchio, Parker se mostrou “um tipo bonachão, sempre prestes a uma tirada de humor”.

Parker foi fundador do Sindicato dos Diretores da Grã-Bretanha, Parker também foi diretor do UK Film Council e do British Film Institute.

Em homenagem a este grande cineasta, desatacamos aqui dois de seus filmes: Mississippi Burning, de 1988, e The Commitments – Loucos pela Fama, de 1991. São dois filmes  totalmente distintos, uma comédia musical e um drama político. Ambos, porém, carregam o viés social e crítico que marcaram a carreira do diretor.

Mississipi em Chamas

Parker foi quem melhor retratou a Ku Kux Klan no cinema, em seu fundamental Mississippi em Chamas. O filme, com Gene Hackman, Willem Dafoe, Frances McDormand, conta a história da investigação do FBI sobre o brutal assassinato de três ativistas dos direitos humanos (dois brancos e um negro) durante o apartheid, em 1964. Ambientado no contexto da insurgência do movimento pelos direitos civis, que tinha Martin Luther King como um de seus principais exponentes, Mississippi em Chamas é um filme que denuncia o vergonhoso e devastador racismo americano.

 

The Commitments – Loucos pela Fama

Em The Commitments – Loucos pela Fama (The Commitments), a questão racial é abordada por outro ângulo. O jovem Jimmy Rabbitte quer levar a soul music para capital irlandesa, Dublin. Para isto ele forma uma banda que, em sua concepção, é composta por “negros irlandeses”. Só que esses negros são europeus brancos, loiros e de olhos claros. Para ele, ser negro é um estilo de vida, uma cultura e uma história. Não a cor da pele. A soul band formada por Rabbitte, The Commitments, sintetiza a identidade operária da periferia dublinense. E a fotografia do filme, que capta a estética underground dos guetos da cidade, confirma esta ideia. Uma verdadeira banda de soul, formada no bojo da cultura de um povo sofrido, se faz, então, legítima. Daí o sucesso repentino dos Commitments no filme.

 

Alan Parker deixou ao mundo uma rica herança: uma obra versátil, profunda, histórica, com a qual temos muito a aprender.


Texto em português do Brasil


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