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João de Sousa

Domingo, Julho 21, 2024

Enfrentar a ameaça de um incidente nuclear na central de Zaporizhia

Paulo Casaca, em Bruxelas
Paulo Casaca, em Bruxelas
Foi deputado no Parlamento Europeu de 1999 a 2009, na Assembleia da República em 1992-1993 e na Assembleia Regional dos Açores em 1990-1991. Foi professor convidado no ISEG 1995-1996, bem como no ISCAL. É autor de alguns livros em economia e relações internacionais.

Enfrentar a ameaça de um incidente nuclear na central de Zaporizhia: um apelo aos Presidentes e Chefes de Governo dos países membros da OTAN

De acordo com numerosos relatórios concordantes, a central nuclear de Zaporizhia (Enerhodar) está repleta de minas e explosivos. Mais especificamente, de acordo com os serviços secretos ucranianos, o exército russo colocou explosivos em quatro das seis unidades da central.

Além disso, o mundo acaba de testemunhar a perda de vidas humanas, incluindo a de soldados russos, bem como a destruição de infraestruturas e de um vasto ecossistema, na sequência da explosão da barragem de Kakhovka pelas forças russas de ocupação.

A explosão desta barragem é apenas mais um episódio da estratégia das autoridades políticas e militares da Federação Russa para aterrorizar a população e destruir sistematicamente as infraestruturas civis da Ucrânia.

Tendo em conta o total desrespeito de Moscovo pela vida humana, os países da OTAN devem antecipar a possibilidade de as autoridades russas incluírem na sua estratégia militar para a Ucrânia um acidente nuclear na central nuclear de Zaporizhia.

Como salientaram os senadores norte-americanos Richard Blumenthal e Lindsey Graham, uma explosão no complexo nuclear de Zaporizhia, ou um grande incidente na sequência de uma interrupção do sistema de arrefecimento, resultaria numa grande catástrofe para a Ucrânia e para os Estados da região, incluindo vários Estados-membros da OTAN.

A fim de evitar tal ameaça, a Federação Russa deve ser convidada a:

  • Retirar imediatamente todas as suas forças militares da central de Zaporizhia;
  • Levar a que os militares russos, sob a supervisão de peritos das Nações Unidas, neutralizem todo o material explosivo e quaisquer outras armas no perímetro da central nuclear;
  • Garantir aos membros da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA) um acesso livre e permanente à central.

Na ausência de uma resposta positiva e rápida por parte das autoridades russas, pedimos à OTAN que tome todas as iniciativas necessárias, incluindo iniciativas militares, para que as autoridades russas compreendam que, para a Aliança Atlântica, esta é uma linha vermelha a não ultrapassar.

 

Signatários

Cengiz Aktar, professor de Ciência Política na Universidade de Atenas

Vera Ammer, Memorial Deutschland, membro do conselho de administração da International Memorial (2010-2023), Alemanha

Katarina Ammitzbøll, antiga deputada ao Parlamento da Dinamarca

Michèle Amzallag, professora, Universidade Sorbonne, França

Guillaume Ancel, tenente-coronel (ret.), escritor, ensaísta, França

Antoine Arjakovsky, diretor de investigação, Collège des Bernardins, membro do Conselho de Administração da Plataforma da Memória e da Consciência Europeias, França

Olga Artyushkina, professora de gramática e linguística russa, Université Jean Moulin Lyon 3, França

Anders Åslund, economista e antigo membro sénior do Atlantic Council, Suécia

Nicolas Auzanneau, tradutor, França/Bélgica

Gérard Bensussan, filósofo, professor emérito da Universidade de Estrasburgo, França

Olga Bertelsen, professora associada de Segurança Global e Inteligência, Tiffin University, EUA

Annick Bilobran-Karmazyn, Presidente da ADVULE, França

Marie-Aline Bloch, professora honorária da École des Hautes Études en Santé Publique, França

Vassilios Bogiatzis, PhD-historiador, investigador e docente associado, Universidade Panteion, Grécia

Christian Booß, historiador e jornalista, Alemanha

Martin Böttger, físico, antigo deputado ao Parlamento “Sächsischer Landtag”, Alemanha

Jean-Loup Bourget, professor emérito de estudos cinematográficos, École Normale Supérieure, França

Sara Brajbart-Zajtman, filósofa, ex-diretora da “Regards”, uma revista judaica progressista, Bélgica

Gastone Breccia, historiador militar, investigador na Universidade de Pavia, Itália

Giovanna Brogi Bercoff, professora emérita, Università degli Studi, Milão, Itália

Matthias Büchner, orador do “Neues Forum”, antigo membro do Parlamento Landtag Thüringen, Erfurt, Alemanha

Daniela Luigia Caglioti, professora de história contemporânea, Università di Napoli Federico II, Itália

Marco Cappato, antigo deputado ao Parlamento Europeu, Itália

Paulo Casaca, antigo deputado à Assembleia da República, antigo deputado ao Parlamento Europeu

Arnaud Castaignet, investigador sénior, Diplomacia Aberta, França

Giovanni Catelli, escritor, poeta, correspondente do Eastjournal, Itália

Mitch Cohen, tradutor alemão-inglês e editor de inglês, Alemanha

Dominique Colas, professor emérito de ciência política, Sciences Po, Paris, França

Michel Collot, professor de literatura francesa na Universidade de Paris III, especializado em poesia francesa moderna e contemporânea, França

Christophe D’Aloisio, pesquisador afiliado ao Instituto de Pesquisa Religiões, Espiritualidades, Culturas, Sociedades (RSCS, UCLouvain), diretor do Instituto de Teologia Ortodoxa em Bruxelas, Bélgica

Annie Daubenton, jornalista, ensaísta e consultora, especializada na Europa Central e Oriental (Polónia, Rússia, Ucrânia), França

Julia David, membro associado do Instituto de História Moderna e Contemporânea (CNRS/ENS), França

Isabelle de Mecquenem, professora de filosofia, Universidade de Reims, membro do Conseil des sages de laïcité et des valeurs de la République do Ministério da Educação, França

Christian Dietrich, presidente da Associação Internacional de Antigos Presos Políticos e Vítimas do Comunismo, Alemanha

Massimiliano Di Pasquale, investigador associado da Fundação Gino Germani, Itália

Ana Miguel dos Santos, advogada, ex-deputada, Portugal

Jean Bernard Dupont-Melnyczenko, professor de história, decano honorário do Colégio de inspetores académicos da Académie d’Amiens, França

Olivier Dupuis, antigo deputado ao Parlamento Europeu, Bélgica

Emmanuel Dupuy, presidente do Instituto de Prospetiva e Segurança na Europa (IPSE), França

Martin Exner, membro do Parlamento, República Checa

Penelope Faulkner, vice-presidente do Quê Me: Ação pela Democracia no Vietname, França

Andrej Findor, professor associado na Universidade Comenius de Bratislava, Eslováquia

Jean-Louis Fournel, professor da Universidade de Paris 8, França

Mridula Ghosh, professora sénior de relações internacionais, Universidade Nacional de Kyiv-Mohyla Academy, presidente do conselho de administração do Instituto de Desenvolvimento da Europa Oriental, Kiev, Ucrânia

Sébastien Gobert, jornalista, França/Ucrânia

Bernard Golse, psicanalista, psiquiatra, professor da Universidade de Paris V-René Descartes, fundador do Institut Contemporain de l’Enfance, França

Marija Golubeva, historiadora, antiga deputada ao Parlamento, antiga ministra do Interior, Letónia

Oleksii Goncharenko, membro do Parlamento, vice-presidente da Assembleia Parlamentar da Comissão das Migrações, Refugiados e Pessoas Deslocadas do Conselho da Europa, Ucrânia

Svetlana Gorshenina, historiadora, historiadora de arte, historiógrafa e especialista na Ásia Central, diretora de pesquisa do CNRS Eur’Orbem, Université Paris-Sorbonne, França

Iegor Gran, escritor, França

Andrea Graziosi, professor de história contemporânea, Universidade de Nápoles Federico II, Itália

Steffen Michael Gresch, ator e autor, membro da oposição na Alemanha Oriental na década de 1980, Alemanha

Paul Grod, presidente, Congresso Mundial Ucraniano, EUA

Tomasz Grzegorz Grosse, professor, Universidade de Varsóvia, chefe do Departamento de Políticas da União Europeia no Instituto de Estudos Europeus, Polónia

Florence Hartmann, jornalista e ensaísta, antiga porta-voz do procurador do TPIJ (Jugoslávia ou Ruanda), França

Pavel Havlicek, investigador na Associação para os Assuntos Internacionais (AMO), República Checa

Oleksandr Havrylenko, professor da Universidade Nacional V.N. Karazin, Kharkiv, Ucrânia

Richard Herzinger, colunista, Berlim, Alemanha

Gerold Hildebrand, ex-membro da Biblioteca Ambiental oposicionista em Berlim Oriental, Alemanha

Halyna Hryn, editora, Harvard Ukrainian studies, presidente da Shevchenko Scientific Society nos EUA

Yaroslav Hrytsak, professor, Universidade Católica Ucraniana de Lviv, Ucrânia

Christian Kaunert, professor de Política de Segurança Internacional, Dublin City University e University of South Wales

Oliver Kloss, Politólogo, ex-membro da resistência subversiva na Alemanha Oriental, Grupo de Trabalho de Direitos Humanos em Leipzig, Alemanha

Adrian Kolano, editor-chefe da European Foreign Affairs, Polónia

Christiane Körner, tradutora literária, Alemanha

Oksana Kozlova, professora de Russo, Faculdade de Letras, Tradução e Comunicação – ULB, Bélgica

Volodymyr Kravchenko, professor, departamento de história, diretor dos Programas de Estudos da Ucrânia Contemporânea, CIUS, Universidade de Alberta, Canadá

Bertrand Lambolez, professor de Neurociências Paris Seine, diretor de pesquisa INSERM, França

Gérard Lauton, professor sénior honorário, matemática aplicada, Université Paris-Est Créteil (UPEC), França

Sylvie Lindeperg, professora da Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne e membro emérito do Institut Universitaire de France

Jonathan Littell, escritor, Prix Goncourt, França

Frédérique Longuet Marx, antropóloga, França

Orysia Lutsevych, diretora-adjunta, Rússia e Eurásia, chefe do Fórum da Ucrânia, Chatham House, Reino Unido

Jacobo Machover, escritor cubano exilado na França, ex-professor sênior da Universidade de Avignon, França

Luigi Marinelli, professor de literatura, departamento de Estudos Europeus, Americanos e Interculturais, Universidade “La Sapienza” de Roma, Itália

Marie Martin, professora de estudos cinematográficos, Universidade de Poitiers, França

Eric Marty, escritor e professor emérito, Universidade de Paris, membro da IUF, França

Alain Maskens, médico, oncologista, fundador e antigo coordenador médico da Organização Europeia para a Cooperação em Estudos de Prevenção do Cancro (ECP), Bélgica

Marie Matheron, atriz, França

Alexandre Melnik, professor da ICN Business School, especialista e consultor em geopolítica, França

Marc-Emmanuel Mélon, professor, Faculdade de Filosofia e Letras, Universidade de Liège, Bélgica

Aude Merlin, professor sénior, Université Libre de Bruxelles, Bélgica

Yevhenii Monastyrskyi, estudante de doutoramento, Departamento de História, Universidade de Harvard, EUA

Alexander Motyl, professor de ciência política, Rutgers University-Newark, EUA

Véronique Nahoum-Grappe, antropóloga, investigadora do EHESS, Centre Edgar Morin, França

Boris Najman, professor associado e investigador em Economia na Universidade Paris East Créteil, França

Laure Neumayer, professora de Ciência Política, Universidade da Picardia Júlio Verne, França

Olevs Nikers, presidente da Fundação de Segurança do Báltico, Letónia

Elena A. Nikulina, analista de assuntos ucranianos/russos, Ucrânia/Alemanha

James Nixey, diretor do Programa Rússia e Eurásia na Chatham House, Reino Unido

Alexis Nuselovici, professor de literatura geral e comparada na Universidade de Aix-Marselha, França

Lydia Obolensky, professora de língua e literatura russas, Bélgica

Doris Pack, presidente do PPE Mulheres, presidente do Instituto Robert Schuman, antiga deputada do Parlamento Europeu e do Bundestag, Alemanha

Carmelo Palma, jornalista, diretor da Strade-on-line, Itália

Filipe Papança, professor da Academia Militar (Amadora), Portugal

Anne-Marie Pelletier, académica, teóloga, Collège des Bernardins, Paris, Prémio Ratzinger 2014, França

Yohanan Petrovsky-Shtern, professor, Northwestern University e Harvard Ukrainian Research Institute, EUA

Serhii Plokhii, professor de História, Universidade de Harvard, EUA

Antony Polonsky, professor emérito de Estudos do Holocausto na Brandeis University, EUA

Elena Poptodorova, vice-presidente do Clube Atlântico da Bulgária, antiga embaixadora nos EUA, antiga deputada do Parlamento búlgaro, Bulgária

Bohdan Prots, professor associado, programa Danúbio-Cárpatos e Museu Estatal de História Natural, Academia Nacional de Ciências da Ucrânia, Lviv, Ucrânia

Eva Quistorp, teóloga, escritora, antiga deputada ao Parlamento Europeu, Berlim, Alemanha

Utz Rachowski, escritor e ex-prisioneiro político na Alemanha Oriental, Alemanha

Pierre Raiman, doutorando em história contemporânea na Universidade de Paris 1-Panthéon Sorbonne, secretário de “Pour l’Ukraine, pour leur liberté et la nôtre !”, França

Philippe Robert-Demontrond, professor da Universidade de Rennes 1, França

Christian Rocca, diretor editorial da Linkiesta, Itália

François Roelants du Vivier, antigo deputado ao Parlamento Europeu, antigo senador, Bélgica

Sylvie Rollet, professora emérita, presidente do “Pour l’Ukraine, pour leur liberté et la nôtre !”, França

Avita Ronell, professora universitária de literatura alemã e comparada, Universidade de Nova Iorque, EUA

Nanou Rousseau, presidente honorário da Federação de Mães pela Paz, França

Malkhaz Saldadze, professor associado da Ilia State University, Geórgia

Andrei Sannikov, presidente da Fundação Europeia da Bielorrússia, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Bielorrússia (1995-1996), candidato presidencial em 2010, antigo prisioneiro da consciência, Bielorrússia

Ulrich Schmölcke, investigador sénior da ZBSA, Schleswig, Alemanha

Myroslav Shkandrij, professor emérito de literatura e língua ucraniana, Universidade de Manitoba, Canadá

Giovanna Siedina, professora de literatura russa e ucraniana, Universidade de Verona, Itália

Vasile Simileanu, diretor da GeoPolitica Magazine, Roménia

Wally Struys, professor emérito, economista da defesa, Academia Militar Real, Bélgica

Malvina Tedgui, psicanalista, França

Patrizia Tosini, professora associada de História da Arte Moderna, Universidade Roma Tre, Itália

Greta Uehling, PhD, professora de ensino, Universidade de Michigan, Ann Arbor, Michigan, EUA

Cécile Vaissié, professora de Estudos Russos e Soviéticos na Université Rennes 2, Chefe do Departamento de Russo, França

Maïrbek Vatchagaev, historiador checheno e analista político do Cáucaso do Norte na Jamestown Foundation, coeditor da revista “Caucasus Survey”

Emmanuel Wallon, professor emérito de sociologia política, França

Charlie Weimers, deputado ao Parlamento Europeu, Suécia

Miroslav Žiak, antigo deputado, Eslováquia

Othar Zourabichvili, presidente da Associação Georgiana em França

 

Apelo promovido pela Associação ‘Pour l’Ukraine, pour leur liberté et la nôtre’, Paris

Tradução ‘google’ revista por Paulo Casaca, um dos subscritores, para o jornal ‘Tornado’, a partir da versão inglesa tal como publicada por ‘The Lithuania Tribune’. O artigo foi publicado em francês pelo ‘Le Monde’ e em italiano pelo ‘Linkiesta’.

A declaração está disponível em ucraniano, alemão, espanhol e polaco no blog de Olivier Dupuis – o seu redactor principal.

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