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Sábado, Julho 20, 2024

‘Espiga de Honra’ para Charlotte Rampling no encerramento do festival

José M. Bastos
José M. Bastos
Crítico de cinema

Com uma gala de encerramento, em que se fará a proclamação e entrega dos prémios, chega esta noite ao fim a 68ª edição da SEMINCI que, desde o dia 21, tem vindo a decorrer na cidade espanhola de Valladolid.

Nessa sessão será exibido o filme neo-zelandês Juniper realizado em 2021 pelo sul-africano Matthew J. Saville e que tem Charlotte Rampling como protagonista.

A actriz britânica, que em 2015 foi distinguida com o prémio de melhor interpretação da SEMINCI pelo seu desempenho em 45 Anos, de Andrew Haigh, receberá uma das ‘Espigas de Honra’ desta edição. Recorde-se que Haigh tem um filme em competição na secção oficial desta edição do festival: All of us strangers.

Charlotte Rampling, que nasceu há 77 anos em Sturmer, uma pequena aldeia inglesa com poucas centenas de habitantes, tem uma filmografia de mais de 130 filmes em mais de quarenta anos de carreira. Recebeu o prémio para a melhor actriz em Berlim e em Veneza e obteve uma nomeação para o Oscar. No seu percurso regista participações em filmes de Luchino Visconti, John Boorman, Sidney Lumet, François Ozon, Woody Allen, Liliana Cavani, Giuliano Montaldo, Lars von Trier e Bille August, entre muitos outros.

Também Nathalie Baye, agora com 75 anos, foi distinguida nesta SEMINCI com uma ‘Espiga de Honra’. A actriz francesa já foi intérprete de quase uma centena de filmes, para além de desenvolver uma intensa actividade no teatro e na televisão. Foi distinguida com quatro prémios ‘César’ e foi considerada a melhor actriz em Veneza (1999) e em San Sebastián (2006). Robert Wise, Truffaut, Godard, Ferreri, Tavernier, Chabrol, Sautet e Spielberg são apenas alguns dos realizadores com quem trabalhou numa carreira que ainda não acabou. A homenagem a Nathalie Baye foi assinalada com a exibição de O Quarto Verde de François Truffaut (1978).

Para além de Charlotte Rampling e Nathalie Baye nesta SEMINCI / 2023 foram também distinguidas com a ‘Espiga de Honra’ as actrizes espanholas Blanca Portillo e Kiti Mánver. É verdade, quatro ‘Espigas de Honra’ para quatro mulheres.

Blanca Portillo (Madrid, 1963), uma das mais versáteis actrizes espanholas, recebeu a ‘Espiga de Honra’ durante a Gala do Cinema Espanhol. Nela foi exibido o filme Teresa de Paula Ortiz, abordagem da vida de Santa Teresa de Ávila, que tem Blanca Portillo como principal intérprete. Actriz de teatro cinema e televisão, ganhou o prémio de melhor interpretação feminina em Cannes com Volver de Pedro Almodóvar (2006) e a Concha de Prata de San Sebastián em 2007 com Siete mesas de billar francés, de Gracia Querejeta. Em 2021 obteve o ‘Goya’ pelo seu extraordinário desempenho em Maixabel o belíssimo filme de Iciar Bollain que trata de forma magistral a ‘humanização’ de um assassino da ETA.

Kiti Mánver (Málaga, 1953) é uma das ‘chicas Almodóvar’ desde os primeiros trabalhos do realizador espanhol. Com ele trabalhou em Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón (1980), Que fiz eu para merecer isto? (1984), Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988), A Flor do Meu Segredo (1995) e Abraços Desfeitos (2009). Trabalhou também com Iciar Bollain, Manuel Gutiérrez Aragón, Fernando Colomo, Fernando Trueba, Basilio Martín Patino, Álex de la Iglesia e José Luis Garci. Na televisão tem participado em várias de grande sucesso como ‘Cuéntame cómo pasó’, ‘As Telefonistas’ e ‘Casa de Papel’. A ‘Espiga de Honra’ foi entregue a Kiti Mánver na sessão com o filme Mamacruz, da venezuelana Patricia Ortega, de que é protagonista.

 

Cinema da Índia em destaque

A filmografia convidada desta 68ª SEMINCI foi a da Índia, o segundo maior produtor mundial de filmes e o país com maior número de espectadores de cinema.

Para além de um cinema de índole mais popular, aquele país tem também algumas figuras incontornáveis na história do cinema. Nomes como Satyajit Ray, Mrinal Sen, e Ritwik Ghatak tiveram, há algumas décadas, importante reconhecimento internacional tendo obtido vários prémios em muitos dos mais importantes festivais de cinema.

A mostra agora apresentada em Valladolid incidiu, contudo, nas obras de gerações mais recentes que também têm obtido destaque internacional. Foram dezasseis os títulos que estiveram à disposição dos participantes do festival, quatro deles realizados por mulheres. O filme mais antigos são de 1960 e 1961, mas a maior parte deles é dos últimos cinco anos. Todos participaram nos mais importantes festivais da Europa.

De entre eles destacamos A Night of Knowing Nothing da jovem cineasta Payal Kapadia, Prémio Golden Eye para o melhor documentário no Festival de Cannes de 2021.

 

‘Memoria y Utopia’, um ciclo de clássicos

Esta é foi uma das novas secções da SEMINCI em que foram exibidos alguns filmes já considerados clássicos, obras-primas esquecidas, censuradas e em alguns casos perdidas e restauradas por várias cinematecas europeias.

Entre os títulos exibidos encontrámos Le Retour à la Raison de Man Ray, La Captive de Chantal Ackerman, Sonhos de Ouro de Nanni Moretti, Boat People de Ann Hui, L´Amour Fou de Jacques Rivette, Millenium Mambo de Hou Hsiao-Hsien ou La Tarde del Domingo de Carlos Saura.

 

Música na SEMINCI

Foram várias as propostas do festival que associaram o cinema e a música. De entre elas destacamos a exibição, no Auditório Miguel Celibes, do filme mudo The Kid Brother (aqui chamado El Hermanito) realizado por Ted Wilde em 1927 e protagonizado por Harold Lloyd.

A ‘Orquesta Sinfónica de Castilla y León’ dirigida por Christian Schumann acompanhou as imagens com a música escrita em 1992 pelo compositor britânico Carl Davis.

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