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João de Sousa

Domingo, Outubro 17, 2021

Fátima

Fátima surge no meio do grande conflito entre a I República e a Santa Madre Igreja, que nunca deixa nada ao acaso e sempre soube, desavergonhada e odiosamente explorar os sentimentos da ignorância e do medo.

Só possível aqui. Num contexto de um povo assustadoramente analfabeto, miserável e ignorante. Fátima surge no meio do grande conflito entre a I República e a Santa Madre Igreja, que nunca deixa nada ao acaso e sempre soube, desavergonhada e odiosamente explorar os sentimentos da ignorância e do medo. É essa mesma Igreja, essa imensa empresa dos homens e das almas, inventando e fabricando o maior dos Embustes – Fátima – que soube conduzir maliciosamente à maior e à mais sinistra e maquiavélica mentira de todos os tempos.

O “fenómeno” (Fátima) jamais seria possível ter lugar numa Holanda ou numa Suécia. Por razões tão óbvias que me dispenso de as enumerar.

Com a invenção, fortemente influenciada pelas estórias que ouvia naquele tempo e repetidas em casa pela sua mãe, como a Missão Abreviada (muito semelhantes ao que ela depois repetia ter “visto” e “ouvido” a “nossa senhora”) Lúcia, uma pobre coitada, um tanto retardada mental, desgraçou assim a sua vida, sendo obrigada a meter-se num convento de clausura (…). Os outros pastores, Jacinta e Francisco, que nunca afirmaram ter “visto” ou “ouvido” coisa alguma, morrem prematuramente de pneumónica (a chamada gripe espanhola), muito comum à época.

Às “aparições de Lourdes” (outra invenção), não quis a igreja portuguesa aqui ficar atrás (…). De tal modo que levaram e abusaram levando a mentira a níveis e consequências nunca vistas até aos dias de hoje. As proporções a que chegou – e ao negócio – é de lamentar profundamente.

Os “segredos” que acompanharam toda a mentira durante muitos anos, não passaram também disso mesmo, de mais mentiras, como se pôde verificar.

“As Memórias da Irmã Lúcia” 3 versões no total, todas elas cheias de contradições entre si, são todas elas um autêntico tratado e atentado à mais baixa das inteligências humanas. Escritas ao sabor dos acontecimentos e pelo clero, claro está.

Já aquando dos cem anos das “aparições”, em 2017, já vários padres, muito timidamente, vieram a público dizer que “não podemos entender Fátima como se nossa senhora tivesse ali aparecido”; e da forma como a igreja sempre dá a volta quando se vê questionada, daqui a algum tempo que ninguém se admire que venham dizer que “Fátima e o seu fenómeno, nada mais foi do que um fenómeno/acontecimento subjetivo (…)”

E as contas do chamado terço contadas como mantras, são usadas há muitos milhares de anos no Budismo, no Islamismo, no Siquismo e no Hinduísmo. A igreja católica apenas as imitou. Como imitou a construção de uma senhora mãe que outras religiões possuíam.

Deixo a recomendação de leituras sobre a invenção Fátima. Para que se comece a pensar com inteligência e sentido crítico. Porque só o conhecimento é libertador. Nelas irão encontrar as explicações do “milagre do sol” e tantas outras fantasias para que Fátima mais consistente se tornasse. Porque a fé e a espiritualidade não é crer-se em invenções e mentiras. É vivê-las fazendo sempre o bem, com honestidade e verdade. Isso é tudo.

  • “Fátima, Milagre ou Construção” da jornalista Patrícia Carvalho
  • “Cova dos Leões” de Tomás da Fonseca
  • “Fátima Desmascarada”, de João Ilharco (1971)
  • “O Sol Bailou ao Meio-Dia, a criação de Fátima”, do historiador Luís Filipe Torgal
  • “As aparições de Fátima, temas e debates”, de Luís Filipe Torgal
  • “Fátima, Milagre, Ilusão ou Fraude?”, do jornalista irlandês Len Port
  • “A Senhora de Maio, Todas as Perguntas Sobre Fátima”, dos jornalistas António Marujo e Rui Paulo da Cruz
  • “Videntes e Confidentes, um estudo sobre as aparições de Fátima”, do antropólogo Aurélio Lopes
  • “Fátima nunca mais” do Pe Mário de Oliveira

Nota: Para quem quer adquirir um dos livros acima, e não tendo possibilidades de adquirir toda a bibliografia, recomendo o primeiro da lista (“Fátima, Milagre ou Construção” da jornalista Patrícia Carvalho), já se ficando com uma boa ideia de como tudo se construiu e arquitetou.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90



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