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Quarta-feira, Outubro 27, 2021

O feminista que contestou o Big Bang

Christiane Brito, em São Paulo
Jornalista, escritora e eterna militante pelos direitos humanos; criou a “Biografia do Idoso” contra o ageísmo.  É adepta do Hip-Hop (Rap) como legítima e uma das mais belas expressões culturais da resistência dos povos.

Rassouli é artista plástico e poeta. Pintou e pinta mulheres em movimento, que saltam das telas para dentro de nossas almas. São sábias, porém humildes na entrega à transformação do tempo. São seres de outra dimensão e século, habitam a paz e a poesia. Criaram o mundo e podem salvar a humanidade.

Freydoon Rassouli nasceu em Isfahan, no Irão, em 18 de novembro de 1943. Aos 15 anos, foi eleito o melhor artista do seu país, ganhou uma bolsa para estudar pintura na Europa. Depois migrou para os Estados Unidos e diplomou-se na Universidade do Novo México.

Expressionismo e surrealismo definem os caminhos da sua técnica, mas estão longe de explicar o efeito místico da sua obra. Assina uma galeria de deusas que materializam-se, fortes e livres ao nosso lado, ao mesmo tempo submissas à graça da suavidade e à impermanência.

“Eu vim de uma cultura que cobre a mulher com véus. Para pintá-la, preciso desvendar e me conectar com a sua beleza interior. É assim que consigo viver e respirar a arte. O mistério que os véus ocultam me atrai para uma grande aventura, me leva à descoberta de expressões muito mais profundas do que toda a aparência.”*

As mulheres de Rassouli são serenas e ardentes, quietamente comunicativas. Não há mortal indiferente às suas presenças, imagens que o premiado artista iraniano trouxe do cosmo e do inconsciente, de um útero do dragão para cumprir a sua missão nesta terra: unir todos os seres. Declara isso em um verdadeiro tratado de intenções que escreveu sobre a sua obra.

“Tanto o poder feminino como o masculino são intensos, mas é no campo feminino que a criação percorre o ciclo completo de nascimento,

transformação e morte. (…) Como pessoas do século 21, precisamos deixar que a voz e o coração da mulher nos guiem em direção à união de todos os povos.”*

Rassouli contesta a ideia, para ele masculina, de que o universo surgiu do Big Bang, de uma grande explosão, como querem os homens da ciência. Surgiu do “grande nascimento”, como o de um parto, como de um pacto com a luz invadindo trevas e iluminando labirintos em direção à manhã.

Rassouli expressa a sonoridade do corpo, indescritível em palavras, a maturidade das idades, plena de mistérios e magia, a fonte interna das alegrias, as palavras que florescem no outro, a ponte para o amor que a tudo transcende, menos a exuberância das formas e sentidos.

“Eu comecei a pintar as revelações do coração. Alcancei uma energia radiante que se tornou metáfora do amor, da verdade, da luz e da própria vida.”*

Na imaginação de Rassouli, na sua interpretação da arte, na sua percepção de realidade, inventada ou teoria científica a ser comprovada, o corpo da mulher é fértil até ao fim dos dias. Tem raízes e botões em flor. A maturidade é verde e bela!

“Minha arte convida meu espectador a uma jornada comigo, tento fazer com que ele veja através dos meus olhos e experimente os sentimentos da minha alma.”*


*Livre interpretação e tradução do inglês, por Christiane Brito

A autora escreve em português do Brasil

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