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Quarta-feira, Agosto 10, 2022

Filmes de temática feminina ajudam a compreender desafios impostos às mulheres

Ambientadas em diferentes lugares e épocas, obras trazem à tona temas como violência contra a mulher e sexualidade.

Num momento em que o machismo e a misoginia parecem ter virado moda e a agressão à mulher torna-se praxe, compreender o universo feminino tem papel estratégico para fortalecer a luta contra a violência, pela emancipação e pela igualdade de gênero. Muitas obras — seja na literatura, no cinema, nas artes ou na música — contribuem neste sentido. E há três filmes disponíveis em streaming que aprofundam o entendimento sobre as várias facetas que envolvem a existência feminina em diferentes tempos.

Um deles é “A Bela e os Cães” (Beauty and the Dogs), da diretora Kaouther Ben Hania. O filme tunisiano de 2017 narra uma noite na vida da jovem Mariam  — vivida por Mariam Al Ferjani — depois que ela sofre violência sexual cometida por policiais e a sua luta para poder simplesmente dar queixa dos agressores.

Além de estampar de forma contundente o tratamento dado às mulheres no país árabe, o filme retrata toda a rede de proteção formada não em torno da vítima, mas dos criminosos — envolvendo inclusive questões políticas locais — e o machismo com que a protagonista é tratada inclusive por outras mulheres. A obra vale tanto pela temática quanto pela qualidade da direção e da atuação.

“Retrato de Uma Jovem em Chamas”

Em outra linha de abordagem, o premiado “Retrato de Uma Jovem em Chamas” (Portrait of a Lady on Fire, 2019), de Celine Sciama, conta com delicadeza e profunda beleza o amor entre duas mulheres na França do século 18.

Marianne (Noémie Merlant) é uma pintora contratada pela mãe de Heloise (Adéle Haenel) com o objetivo de pintar um retrato da filha, que será levado para seu pretendente. O quadro deve ser feito sem que Heloise perceba. Pouco a pouco, elas se aproximam e de maneira sutil e poética e nasce uma relação de final angustiante. Com cenas cujas imagens remetem a pinturas clássicas, o filme, além de tecnicamente irretocável, é um belo manifesto em defesa da liberdade da sexualidade feminina.

“Dívida de Honra”

Por fim, vem “Dívida de Honra” (The Homesman), filme de 2014 dirigido por Tommy Lee Jones e baseado em livro homônimo de Glendon Swarthout. A história gira em torno da viagem feita por Mary Bee (Hilary Swank), acompanhada de George Briggs (Jones) — um típico malandro atrás de dinheiro —, entre Nebraska e Iowa em 1854. O objetivo da jornada é levar três mulheres com graves problemas psicológicos para serem tratadas.

Cada uma dessas mulheres traz dentro de si uma história de traumas, perdas e violência. A brutalidade local e a incapacidade das famílias e da comunidade em lidar com os distúrbios faz com que as três tenha de ser lavadas aos cuidados de uma congregação religiosa. Mesmo com uma narrativa mais tradicional, hollywoodiana, o filme também traz à tona as dificuldades enfrentadas pelas mulheres num tempo áspero e profundamente patriarcal.

Os três filmes, ao seu modo, destacam desafios impostos a diferentes mulheres, de diferentes tempos, muitos dos quais ainda hoje lutamos para superar.


por Priscila Lobregatte | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornad

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