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Domingo, Novembro 28, 2021

Financiamento das “Presidenciais”: Transparência, Exige-se!

José Mateus
Analista e conferencista de Geo-estratégia e Inteligência Económica

Foto de Alex Bordalo


A Maria de Belém, Marcelo e Sampaio da Nóvoa o mínimo que o eleitorado lhes exige é transparência nos financiamentos e na origem dos fundos das respectivas campanhas. Como ninguém diz mas toda a gente julga saber, as campanhas eleitorais são, simultaneamente, uma das principais causas da corrupção política em Portugal e um grande negócio… Pode haver mesmo – diz-se por aí – candidaturas que só aparecem para cumprir o objectivo de “empochar” uns milhões pelo caminho.

A eleição por voto secreto e universal do Presidente da República (que não sendo Executivo é, porém, a chave deste sistema político que actualmente organiza o Estado Português) implica e exige dos candidatos lisura de processos e supressão de opacidades. Há coisas que ainda, há 10 ou 12 anos, eram toleradas mas que hoje já não o são… Coisas que, apesar de pouco legais ou mesmo ilegais, eram “normais” durante a “guerra fria” deixaram, desde os anos 90, de o ser e (mesmo se tudo demora muito tempo a chegar a Portugal) isso já por cá se começou a notar.

O pior que poderia acontecer seria verificar-se uma opacidade nos financiamentos destas campanhas ‘presidenciais’ que levasse a especulações sobre origens obscuras dos fundos, sobre ‘lavagens’ e sobre o preço que os financiadores teriam imposto aos seus financiados candidatos.

Ainda as campanhas vão no adro e já se começa por aí a dizer que há “dinheiro chinês” a correr (ou a fazer correr…), que há dinheiro oriundo de negócios obscuros e consequentes lavagens (“que melhor do que uma campanha para lavar uns milhões…?”), que há intervenções de Estados estrangeiros, etc. etc.. e que Sampaio da Nóvoa é o pobretanas de serviço e que o melhor que tem a fazer é desistir porque não tem financiamentos! Nada disto terá (esperemos…) qualquer fundamento mas as percepções são sempre críticas e, nesta matéria, são especialmente críticas… Portanto, é este tipo de percepções que os candidatos não podem deixar que se instale na rua e entre os eleitores.

Como entre todos os candidatos, os no início citados são (pelo menos, por ora) os únicos com hipóteses de vitória, exige-se-lhes um cuidado ainda mais especial nesta matéria (e também nas restantes, claro). Até porque é conveniente não acordar fantasmas. Nem os fantasmas do Oriente, nem os de África, nem os do velho complexo bancário nacional e nem outros que estão, convenientemente, postos em sossego.

O cuidado é tanto mais necessário que (depois das casas da Coelha e de outros “amigos” de marca Fantasia) o Presidente da República tem de ser alguém acima de qualquer suspeita (disso depende, aliás, em boa parte o futuro desta República…) e o veneno já começa, como se viu, a correr por aí. Como ainda há pouco ouvi e que me suscitou a necessidade de escrever estas linhas: “Dizem que o Nóvoa não tem experiência política. O homem esteve sempre ocupado a trabalhar, nunca esteve na folha de pagamentos de Ricardo Salgado e nem passou férias na casa dele, não teve negócios com o BPN e nem com qualquer outro BPP e não passou por Macau… Não tem, portanto, essa experiência e é por isso mesmo que vou votar nele!”

Não se pode deixar que este tipo de percepção da realidade se torne hegemónico. É preciso preservar e mesmo restaurar a dignidade (muito abalada) da Presidência da República. Neste caso, o peixe não pode apodrecer pela cabeça…

Estes candidatos que se lembrem como Giscard perdeu umas eleições para Mitterrand muito à custa de uma bem explorada história de diamantes do “imperador” Bokassa… Aquilo não foi um pacote de diamantes, foi uma mina. Para o adversário de Giscard, é claro. Do mesmo modo, Sarkozy pode perder as próximas presidenciais de 2017 devido às ‘lavagens’ de dezenas de milhões de euros efectuadas pela sua máquina (eleitoral) na campanha de 2012, agora sob investigação dos juízes do “Pólo Financeiro”… Basta uma pesquisa, no Google, reduzida às notícias desta semana, para perceber a dimensão fatal para as ambições de Sarkozy que está a tomar o “affaire Bygmalion”.

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