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Quarta-feira, Outubro 27, 2021

Francisco Lino Neto

Helena Pato
Antifascistas da Resistência

1918 – 1997

Prestigiado combatente antifascista, teve desde jovem um papel relevante e persistente na Oposição, e destacou-se na afirmação anti-regime de alguns católicos.

Militante da Juventude Universitária Católica (JUC), foi apoiante de Humberto Delgado às eleições presidenciais de 1958, candidato da Oposição nas eleições de 1961, e da CDE em 1969. Depois do 25 de Abril, foi deputado do Partido Socialista, na I Legislatura da Assembleia da República.

Biografia

Francisco de Assis de Mendonça Lino Neto nasceu na freguesia do Coração de Jesus, em Lisboa, a 14 de Janeiro de 1918 e faleceu na mesma cidade a 25 de Junho de 1997. Era oriundo de uma família tradicional, católica, e seu pai, o advogado António Lino Neto, havia sido presidente do Centro Católico. Formou-se em Engenharia Electrotécnica pelo Instituto Superior Técnico, onde foi assistente entre 1942 e 1945 e entre 1947 e 1952. Distinguiu-se profissionalmente no quadro do Metropolitano de Lisboa, desde a constituição da empresa, em 1949.

Na afirmação de um catolicismo ”consciente”, é a partir de 1958 que Francisco Lino Neto, assume uma postura de intervenção no contexto das eleições para a Presidência da República. Apoia activamente a campanha presidencial do general Humberto Delgado, tendo sido ferido numa manifestação em Lisboa, reprimida pela polícia.

A fotografia do incidente foi depois amplamente divulgada para denunciar a violência das forças policiais

De facto, essa campanha eleitoral acordou muitos católicos para a necessidade da intervenção política, mas é a primeira iniciativa de Francisco Lino Neto, que agrega várias personalidades do meio católico, tais como Manuel Serra, Carlos Portas, António Alçada Baptista, João Gomes, Manuela Silva, Pereira de Moura, Mário Murteira e Nuno de Bragança.

“Oposição católica”

Desde então, Lino Neto passou a liderar a chamada “oposição católica”, nomeadamente como redactor e subscritor de documentos públicos, iniciativas que o levariam a ser vigiado pela PIDE e preso em Outubro de 1958. Nesses documentos destacam-se a carta ao jornal “Novidades”, de 19 de Maio de 1958, denunciando o apoio do jornal ao candidato do regime; e o texto intitulado “Considerações dum católico sobre o período eleitoral”, em que de forma contundente e incisiva protesta e denuncia o facto da Igreja, publicamente, se comportar em ligação com o regime da ditadura – texto que é cortado pela censura, e publicado em folheto de edição anónima, em Junho de 1958.[1]

Em Fevereiro de 1959, escreve o texto introdutório do abaixo-assinado “As relações entre a Igreja e o Estado e a liberdade dos católicos”, subscrito por 43 cidadãos, e divulgado clandestinamente; e, em 1 de Março de 1959, escreve uma carta a António de Oliveira Salazar sobre os serviços de repressão do regime, que viria a circular como folheto impresso.

Foi nessa altura processado, mas uma amnistia promulgada por ocasião das comemorações henriquinas, em 1960, permitiu o arquivamento desse processo.

Apresentou-se como candidato (católico) nas eleições de 1961 e em 1965 integrou o Movimento Cristão de Acção Democrática, sendo um dos subscritores do documento de oposicionistas católicos que ficou conhecido por «Carta dos 101». Em 1969, foi candidato independente na lista da CDE de Santarém, às eleições para a Assembleia Nacional.

Nesse ano redige o documento “A questão ultramarina: sugestões para uma perspectiva de solução”, no qual sugere a necessidade da paz imediata. Nesse mesmo ano, 1969, foi um dos fundadores da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos.

Em 1972, foi um dos subscritores de um manifesto intitulado «A Situação Política Portuguesa e o Fracasso do Reformismo», apreendido pela DGS e foi por isso interrogado na PIDE. Em 1973 integrou a comissão nacional do III Congresso da Oposição Democrática, realizado em Aveiro.

Depois do 25 de Abril, foi deputado do círculo de Lisboa, pelo Partido Socialista, na I Legislatura da Assembleia da República.

[1] Segundo Nuno Teotónio Pereira, terão sido estas tomadas de posição, não publicadas por impedimento da censura, que estiveram na origem da célebre carta do Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes a Salazar, em 13 de Julho de 1958

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