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Sexta-feira, Outubro 22, 2021

Governo Bolsonaro representa o projeto de destruição da Amazônia

Parlamentares no Congresso Nacional reagiram contra a política de destruição da floresta amazônica, respaldada nos altos índices de desmatamento na região.

A taxa oficial do desmatamento na Amazônia, este ano, alcançou novo recorde e chegou a 11.088 km², o maior índice desde 2008. A alta é de 9,5% em relação ao ano passado. Levando-se em conta a média dos dez anos anteriores à posse de Bolsonaro, o desmatamento cresceu 70%: de 2009 a 2018, a média apurada foi de 6.500 km² por ano.

O Pará foi o estado com maior taxa de desmatamento (46,8%), seguido do Mato Grosso (15,9%) e o Amazonas (13,7%).

Os dados preliminares do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais) foram divulgados nesta segunda-feira, dia 30, com a presença do vice-presidente Hamilton Mourão, que acabou reconhecendo o desastre: “Não estamos aqui para comemorar nada disso, porque isso não é para comemorar”. Ele disse que o índice poderia ter sido “pior ainda”.

Em nota, o Observatório da Clima afirmou que os dados representam o fracasso da Operação Verde Brasil 2, que envolveu mais de 3.400 militares na região. “Desde sempre, quando o desmatamento sobe, a gente fica se perguntando o que deu errado nas tentativas de controle do crime ambiental. Desta vez, a gente sabe que a alta aconteceu porque deu tudo certo para o governo”, diz Marcio Astrini, secretário-executivo da organização.

“Esse projeto de destruição tão bem executado custará caro ao Brasil. Estamos perdendo acordos comerciais, transformando nosso soft power literalmente em fumaça e aumentando nosso isolamento internacional num momento em que o mundo entra num realinhamento crítico em relação ao combate à crise do clima”, prosseguiu.

Segundo ele, o governo Bolsonaro funciona como uma máquina de produzir notícias vergonhosas para o país, especialmente na área ambiental. “Bolsonaro é o maior sabotador da imagem do Brasil”, disse.

 

Reação no parlamento

Para a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), a alta no desmatamento no governo atual “confirma a política de destruição colocada em prática”. “Bolsonaro pode querer jogar a culpa nos índios, esconder dados, mas a verdade é que o índice de desmatamento é o pior desde 2008 e avançou 9,5% em apenas um ano. Isso só confirma a política de destruição do nosso patrimônio que foi colocada em prática pelo governo federal”, destacou.

“Bolsonaro é vergonha para o Brasil!”, reagiu laconicamente o líder da minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE). O líder do PSB na Câmara, deputado Alessandro Molon (RJ), comentou as declarações de Mourão: “Tenho que concordar: poderia ser pior. E seria, se nós da Oposição não estivéssemos na luta para barrar as inúmeras ‘boiadas’ de Salles. Se dependesse do governo Bolsonaro, a ‘fogueirinha’, como classificou o ministro Heleno, teria destruído tudo”, disse.

“O desmatamento na Amazônia entre julho de 2019 e agosto de 2020 foi o maior nos últimos 12 anos. Essa destruição é projeto político do governo Bolsonaro”, afirmou o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ).

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) lembrou que a área equivale a 7,2 vezes a cidade de São Paulo. “É o resultado da política ambiental desastrosa e de uma visão de desenvolvimento ultrapassada”, criticou.

O senador Humberto Costa (PT-PE) disse que os dados do Inpe são “números que Bolsonaro tenta esconder ou jogar a culpa nos índios”. “Bolsonaro precisa parar de tratar o desmatamento como ele trata tudo na vida dele, fazendo piada ou fugindo. Isso não é piada, não é uma brincadeira. O país precisa de ações contundentes”, escreveu no Twitter.


por Iram Alfaia  |  Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


 

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