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Sexta-feira, Junho 21, 2024

‘Guerra Civil’ leva a estupidez das guerras ao interior dos Estados Unidos

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

A grande sacada do filme Guerra Civil, de Alex Garland, em cartaz nos cinemas, e certamente em breve em alguma plataforma de streaming, é a de levar para o interior dos Estados Unidos os horrores da guerra. Principalmente porque os EUA são acostumados a provocar guerras em todo o mundo por seus interesses geopolíticos, imperialistas e belicistas.

Ao contrário de O Planeta dos Macacos (1968), de Franklin J. Schaffner, onde a destruição do mundo é a destruição dos EUA, porque para eles os EUA são o mundo, no filme de Garland, a guerra adentra o seu país como qualquer outro país, ainda mais no mundo multipolar que prevalece atualmente.

Na trajetória de quatro jornalistas, que atravessam o país (muito comum no cinema estadunidense essa travessia), na cobertura da guerra, o filme debate a insanidade das guerras e o papel da imprensa no mundo contemporâneo.

Porque a mídia do capital ignora até crimes de guerra, como o genocídio de palestinos promovido por Israel na Faixa de Gaza, com apoio intransigente dos EUA, assim como defende a Ucrânia com unhas e dentes na guerra contra a Rússia, por se submeter aos interesses dos EUA.

Impossível não pensar no passado recente da guerra do Vietnã, nos anos 1960/70, com fragorosa derrota dos EUA. Derrota jamais engolida pelo país do norte. E das invasões do Iraque e do Afeganistão, após o atentado de 11 de setembro de 2001.

Com Wagner Moura no elenco, a obra de Garland tem outro mérito ao destacar a desumanização causada por um sistema onde predomina o individualismo e a ignorância. Mostra uma cidade, por onde passam, antes da crise do capital, de 2008, para Eric Hobsbawm, o equivalente à queda do Muro de Berlim, em 1989, para o socialismo.

Guerra Civil mostra quatro jornalistas atravessando o país na cobertura da guerra

E com o avanço das ideias da extrema direita no mundo, parece natural as execuções sumárias de inimigos já dominados e sem poder de reação, tanto quanto a tortura de inimigos capturados. Uma forte denúncia ao ódio, à violência e à discriminação que dominam mentes sem corações.

Nada do que a realidade não se mostre pior, como acontece por estas plagas, como a juventude negra, pobre e da periferia conhece muito bem por meio violência policial, incentivada por governadores, diversos partidos políticos de extrema direita, religiosos fundamentalistas  e de modo nem sempre sutil por parte da mídia do capital.

Mas raramente se vê no cinema estadunidense, os horrores cometidos pelas suas forças armadas. Onde a tortura é usada como forma de dominação supremacista e a morte como justificativa da superioridade deles, que agem como polícia do mundo e filtram tudo aos seus interesses mesquinhos.

E quando ocorrem protestos contra essas guerras, pessoas sofrem repressão sendo inclusive presas. O filme não mostra os soldados estadunidenses como heróis, visão muito comum em Hollywood, principalmente após a derrota que sofreram no Vietnã nos anos 1970. Os soldados são levados pela ideia do vale tudo em uma guerra.

A burrice maior está nos gastos bilionários em armamentos cada vez mais sofisticados, enriquecendo a indústria da arma e da morte. Dinheiro que poderia ser investido na melhoria de vida de toda a humanidade nos cinco continentes, tanto quando na preservação ambiental para salvar o planeta. Fica evidente que somente a paz interessa à classe trabalhadora, quem mais sofre com as guerras.


Texto em português do Brasil

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