Diário
Director

Independente
João de Sousa

Terça-feira, Julho 23, 2024

Herbie Hancock | Dos primeiros anos ao quinteto de Miles

José Alberto Pereira
José Alberto Pereira
Professor Universitário, Formador Consultor e Mestre em Gestão

Herbie Hancock é um pianista e compositor norte-americano. Começou a sua carreira com Donald Byrd mas, pouco tempo depois, juntou-se ao Quinteto de Miles Davis, onde ajudou a redefinir o papel da seção rítmica no jazz.

Durante os anos setenta, abordou diversos estilos de jazz, como a fusão, o funk e o jazz elétrico, tendo sido um dos principais arquitetos do som pós-bop. Os seus maiores sucessos incluem “Cantaloupe Island”, “Watermelon Man”, “Maiden Voyage”, “Chameleon”, “I Thought It Was You” e ” Rockit “. O seu disco de 2007, “River: The Joni Letters”, ganhou o Grammy para álbum do ano em 2008. Foi o segundo álbum de jazz a ganhar este prémio, depois do disco “Getz/Gilberto” em 1965.

Filho de Winnie Belle Griffin, secretária, e Wayman Edward Hancock, um inspetor de carne do governo, Herbert Jeffrey Hancock nasceu em Chicago, Illinois, a 12 de abril de 1940. Os seus pais deram-lhe este nome em homenagem ao cantor e ator Herb Jeffries. Como muitos pianistas de jazz, Herbie começou com uma educação musical clássica. Logo a partir dos sete anos o seu talento foi reconhecido, tendo sido considerado uma criança prodígio. Com onze anos tocou o primeiro movimento do Concerto para piano de Mozart No. 26 em D Maior, K. 537 (Coroação) com a Chicago Symphony Orchestra, num concerto para jovens músicos. Durante a adolescência, Herbie nunca teve um professor de jazz, mas desenvolveu seu ouvido e senso de harmonia, tendo sido influenciado pelas músicas do grupo vocal The Hi-Lo’s.

Em 1960, Herbie ouviu o pianista de jazz Chris Anderson tocar, tendo aproveitado para lhe pedir que o aceitasse como aluno e assumindo mais tarde que Anderson foi o seu mentor ao nível da harmonia. Aos vinte anos, Herbie deixou o Grinnell College, no Iowa, e mudou-se para Chicago, onde começou a trabalhar com Donald Byrd e Coleman Hawkins. Ao mesmo tempo estudava engenharia e música na Roosevelt University, escola que em 1972 o doutorou honoris causa em belas artes.


The Great Miles Davis Quintet
Wayne Shorter, Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Williams em Amsterdão, 1964.

Nessa altura Donald Byrd frequentava a Manhattan School of Music, em Nova York, e sugeriu-lhe que estudasse composição com Vittorio Giannini, o que ele fez durante um breve período. Herbie rapidamente ganhou alguma visibilidade e reputação, tendo participado em diversas sessões com Oliver Nelson e Phil Madeiras. Em 1962 gravou seu primeiro álbum a solo “Takin ‘Off”, para a Blue Note Records. O tema “Watermelon Man”, incluído neste disco, foi um grande sucesso na interpretação de Mongo Santamaria. Mas para além disse, o disco chamou a atenção de Miles Davis, que na época reformulava o seu grupo. Herbie foi apresentado a Miles pelo baterista Tony Williams, membro dessa nova formação.

Herbia passou a ser mais conhecido quando, em maio de 1963, passou a integrar o quinteto de Miles Davis. O trompetista procurou Herbie pessoalmente, tendo reconhecido nele um dos talentos mais promissores do jazz. Nesta nova versão do seu quinteto, Miles organizou uma secção rítmica jovem mas eficaz, incluindo Herbie no piano, o baixista Ron Carter e o baterista de 17 anos Tony Williams. Completavam a formação o saxofone de tenor Wayne Shorter e o saxofone de George Coleman ou, por vezes, o de Sam Rivers.

Este quinteto é frequentemente considerado uma das melhores formações da história do jazz. Apesar do trabalho intenso no quinteto de Miles, Herbie ainda encontrava tempo para gravar dezenas de sessões para a Blue Note Records, tanto sob próprio nome como em trabalhos de músicos como Wayne Shorter, Tony Williams, Grant Green, Bobby Hutcherson, Sam Rivers, Donald Byrd, Kenny Dorham, Hank Mobley, Lee Morgan ou Freddie Hubbard.

Vídeos


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante  subscrevendo a Newsletter do Jornal Tornado. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a nossa Newsletter. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

- Publicidade -

Outros artigos

- Publicidade -

Últimas notícias

Mais lidos

- Publicidade -