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João de Sousa

Terça-feira, Junho 18, 2024

A história e a igualdade de género

Para se discutirem as dificuldades, mas também os problema que as mulheres nas sociedades contemporâneas e civilizadas enfrentam, é necessário não omitir todo o lastro da  História da Humanidade e trazer para o primeiro patamar temporal de todo esse percurso o desempenho da organização política e social que lhes esteve na genesis, incrustada ao longo dos séculos e da evolução da espécie em todos os pilares estruturais da sua arquitetura mental e de organização, de forma a reportar com a elementar justiça, a responsabilidade incontornável das diversas formas de organização económica e politica com incidência na pirâmide social com modelos políticos distintos e agentes políticos também distintos, consoante cada era e estádio civilizacional, tempo ou período da História da Humanidade, para que a assunção desse ónus seja reportado ao exercício do poder nas suas diversas variáveis tendo em atenção, como já referido, as eras, porque o centro aglutinador desse poder teve domínios e compromissos específicos diversos que aos olhos das sociedades contemporâneas “parecem” irrelevantes e de somenos importância como o foram as eras das civilizações nómadas com uma arquitetura de chefia para a caça, pesca e outros suprimentos de sustento da família e, ou, do grupo, posteriormente organizadas em  tribos nómadas que mais tarde se sedentarizaram permitindo a sua fixação em comunidades facilitando assim a sua dependência alimentar da pastorícia e de produtos agrícolas.

No entanto, e porque durante o período pré-histórico os registos para a memória futura são escassos com alusões pontuais ao seu modo de vida, o conhecimento sobre o desempenho da mulher nas sociedades da época, não aparece destacado do desempenho coletivo, resulta a premissa de que, eventualmente, não era um assunto tão distinto quanto hoje o é, quiçá, por considerandos emergentes à evolução da organização das sociedades.

Assim sendo, com eventuais erros de catalogação por ordem periódica de um não especialista, e a devida ressalva para a matéria em apreço, o machismo e o feminismo, destaco eras de primordial importância económica para a humanidade como o foram as eras:

  • do fogo;
  • da pedra;
  • do ferro;
  • da revolução agraria;
  • da revolução industrial;
  • da robótica;
  • das nanotecnologias;

entre outros estádios com enfase relevante em uma era determinada onde o esclavagismo foi um alicerce de relevo nas economias expansionistas e o servilismo primário sem qualquer espécie de direitos um pilar fundamental de todas as atividades económicas ativas geradoras dos fluxos das transações financeiras e de que resulta a atual forma de poder. A contrapartida remuneratória marca ténue diferença entre a atual forma de servir e o esclavagismo primário porque numa e noutra época foram as circunstâncias a ditar as diferenças e não o seu contrário.

Em ambas as eras as mais valias apuradas reverteram sempre a favor do poder económico vigente de quem, curiosamente, o poder político sempre foi refém.

E que, numa primeira forma, se traduzia esse poder económico na simples troca de bens e outros géneros até ao uso de um outro meio de troca convertível, mas de uso e transporte bem mais simples: o dinheiro/moeda.

Na era moderna a dimensão dos volumes de bens e de géneros transacionados e transacionáveis atingiram dimensão tal que o seu alicerce trasvazou a troca simples para se alojar em jogos de influência política para a exploração e transformação de matérias primas transacionada nos corredores das bolsas internacionais com complots em paraísos fiscais e, numa abordagem “modernista” para fugir ao controlo político que se aperta, construir um edifício transnacional giratório alicerçado em plataformas virtuais.

É neste período específico em que a organização das sociedades obriga a tarefas especificas por género, que o género feminino passa a desempenhar funções “subalternas” de índole doméstica segundo a opinião das próprias por se sentirem arredadas do desempenho igualitário em áreas como: a família; o poder: as empresas; a organização social; o Estado;

Reportando à presente era tida como sendo a das tecnologias e da globalização, pesem duas contrariedades antagónicas: a da pandemia causada por um vírus da categoria SARS COV 2 (covid 19) à escala global e a guerra declarada pela Rússia à Ucrânia colocando em causa a globalização em progresso onde a interdependência energética e outras se tornou inapropriada por perceção de que a Humanidade ainda não está culturalmente preparada para tamanho passo. Assim como se constata também de que neste conflito a diferença de género dita o desempenho no conflito: aos homens é imposta obrigação de combater pela independência do País; às mulheres é permitida a saída do País para que acompanhem e cuidem dos filhos e dos mais vulneráveis.

Na senda internacional as oportunidades para a igualdade de género escasseiam por imperativos do foro cultural transitado de geração anterior.

Daí que, nas sociedades modernas, a luta das mulheres pela igualdade de oportunidades, independentemente do género, assuma papel relevante para o desenvolvimento histórico e cultural das civilizações.

Mesmo assim, é corrente o uso de terminologias concludentes e incisivas como sendo da área de um só género a germinação da espécie esquecendo que, para a fecundação do óvulo de que resulta um embrião são necessários os dois géneros.

Ou seja:

  • Para que exista um homem é necessário haver uma mulher; sendo que, o contrário, é rigorosamente idêntico.

Também é usual a observação de que:

  • Por detrás de um grande homem está sempre uma grande mulher; como é óbvio o contrário também acontece.

Não se percebe por isso que a igualdade de género tenha uma espécie de “linguagem” transversal em alguns domínios político partidários como áurea na abordagem política de vitimização como argumento, e que seria da conveniência social dissecar, para concluir razões que a razão comum partilha de forma concertada em torno de valores incutidos geracionalmente e aonde a educação é formatada para valores e regras da sua  organização social implementados e impostos pelo poder politico vigente em cada ciclo politico e em que, a padronização do individuo é a sua pedra angular.

Estou em crer que, a igualdade de oportunidades para os dois géneros, de que resulte condição comum na procura do equilíbrio necessário à coabitação em um estádio com biodiversidade transversal à escala global e soluções civilizacionais para a espécie Humana como forma de sustentabilidade equitativa alicerçada em dinâmicas motrizes, será sempre a solução para essa competitividade social em todos os domínios consoante as condições implícitas ao atual estádio civilizacional que atravessamos.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90

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