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Quarta-feira, Julho 6, 2022

Inflação elevada: aumento das desigualdades e da pobreza

Eugénio Rosa
Eugénio Rosa
Licenciado em economia e doutorado pelo ISEG

A inflação elevada, que vai durar, está a causar uma redistribuição dos rendimentos em beneficio dos mais ricos, e a aumentar as desigualdades e a pobreza no país. A guerra e as sanções estão a destruir a vida dos portugueses, e é urgente um acordo para acabar com a guerra.

Neste estudo analiso, utilizando dados do INE e de um recente estudo da OCDE, mostro que o impacto da inflação elevada em Portugal não é igual para todos os portugueses (depende da classe social a que pertence), assim como analiso o aumento brutal no mercado mundial dos preços de bens essenciais a alimentação humana e ao funcionamento das economias e suas causas, mostrando que é uma ilusão acreditar que é possível acabar com dependências criadas pela globalização da economia no curto período de tempo que os lideres da UE dizem, a não ser à custa da degradação das condições de vida dos europeus e do retrocesso económico dos países da U.E. , o que se está já verificar.

 

Estudo

A inflação elevada, que vai durar, está a causar uma redistribuição dos rendimentos em beneficio dos mais ricos, e a aumentar as desigualdades e a pobreza no país. A guerra e as sanções estão a destruir a vida dos portugueses, e é urgente um acordo para acabar com a guerra.

Portugal é um dos países da U.E. onde o nível de pobreza e desigualdades é dos mais elevados. Segundo o Eurostat, o Coeficiente de Gini, que serve para medir as desigualdades entre pobres e ricos num país (quanto mais elevado for, maior é a desigualdade, e varia entre 0 e 1). Este coeficiente tinha, em 2020, em Portugal o valor de 0,311, enquanto média na U.E. era 0,303 e, na Noruega, Suécia e Finlândia, variava entre 0,253 e 0,269. Segundo o INE, a percentagem da população portuguesa a viver no ou abaixo do limiar da pobreza (475,2€ em 2020) aumentou, entre 2019 e 2020, de 16,2% para 18% (1.903.444 pobres). E o número de vezes que o rendimento dos 10% da população mais ricos é maior do que o rendimento dos 10% mais pobres aumentou, entre 2019 e 2020, de 8,1 para 9,8 vezes mais.

A escalada de preços (inflação), causada pela guerra e sanções vai agravar ainda mais as desigualdades e a pobreza em Portugal. E isto porque a inflação prejudica quem tem rendimentos fixos, como salários, pensões, etc., pois não aumentam com a rapidez e a dimensão que se verifica nos preços, causando o que causa uma rápida degradação, ou seja, perda de poder de compra. E beneficia todos aqueles que podem, quando querem, aumentar os preços. As empresas de energia (petrolíferas, gaz, eletricidade) são as grandes beneficiárias pois aumentam os preços praticamente todas as semanas obtendo lucros enormes à custa dos consumidores (a GALP em 2021 obteve 614 milhões € de lucros e só no 1º trim.2022, mais 155 milhões €) . Há uma transferência de rendimento dos mais pobres para os mais ricos

 

O DISPARAR DA INFLAÇÃO EM PORTUGAL PARA VALORES NUNCA VISTOS NOS ÚLTMOS DECÉNIOS

O gráfico 1, com dados do INE, mostra de uma forma muito clara a escalada de preços no nosso país.

Como mostra o gráfico 1 (dados do INE), a escalada de preços em Portugal é assustadora. Se comparamos os preços de maio de 2022 com os de maio de 2021 (inflação homóloga) conclui-se que o IPC total, que inclui todos os produtos, já aumentou 8,1%, mas os preços dos produtos alimentares, que afeta fundamentalmente as classes de rendimentos médios e baixos, porque os produtos alimentares têm maior peso nos seus orçamentos, já subiu 11,7%; e o aumento nos preços da energia, que está a dar lucros enormes às empresas deste setor (as petrolíferas aumentam os preços quase todas as semanas, e as do gás já anunciaram que iriam fazer mais dois aumentos este ano) atingiu, até maio/2022, 27,3%. Perante esta escalada de preços, que está a agravar muito a vida dos portugueses, o governo mantém-se passivo e nada faz com a desculpa que as petrolíferas não estão a violar a lei e recusa-se a por um teto máximo para os preços dos combustíveis. E também não faz qualquer ajustamento intercalar nas pensões e nas remunerações dos trabalhadores da Função Pública que tiveram este ano um aumento nas suas remunerações de apenas 0,9%, dando assim uma indicação aos patrões privados para fazerem o mesmo. Mesmo o poder de compra do salário mínimo nacional (705€) já é inferior ao de 2021 em 13€. No entanto, António Costa segundo a LUSA (4 jun.2022), em declarações publicas, afirmou que era necessário que o salário médio aumentasse em Portugal 20%, para que o peso dos salários em Portugal no conjunto da riqueza nacional, que é 45%, subisse para 48%, a média da U.E. É a velha história “faz o que eu digo, mas não faças o que eu faço”.

Uma inflação elevada tem outros efeitos perversos e graves para os portugueses, como seja, a diminuição, em termos reais, do valor das poupanças, causando também, embora indiretamente, o aumento das taxas de juros decididas pelo Banco Central Europeu E isto porque é o instrumento que normalmente é utilizado para conter a subida da inflação. Para que o leitor possa ter um ideia das consequências do aumento das taxas de juro, basta ter presente que um aumento da taxa de juro de 1% (ex.:, de 0,5% para 1,5%) determinaria para o Estado um aumento de encargos com juros de cerca 2.790 milhões €/ ano que teriam de ser pagos com mais impostos ( a divida publica atual ronda 279.012,8 milhões €); as famílias que têm empréstimos para habitação teriam de pagar mais 939 milhões € por ano (o credito à habitação ronda 102.052 milhões €, e 92% é de taxa variável, sobe com a Euribor) e para as empresas privadas que devem à banca 282.973 milhões € um aumento de 1% teriam de pagar por ano, só de juros, mais 2829 milhões €. Os valores da divida que utilizamos são os divulgados pelo Banco de Portugal. O grande beneficiário com o aumento das taxas de juro seria a banca que veria os seus lucros aumentarem embora seja previsível que o incumprimento também subisse bastante. Mesmo que o BCE não faça tal aumento de uma única vez, ele fará de uma forma gradual até atingir este valor ou até superior, até porque a inflação elevada veio para ficar. O Estado já está a pagar para se financiar este ano mais do dobro do que pagou em 2021 (a taxa de empréstimos a 10 anos já ultrapassou 2%).

 

A INFLAÇÃO ELEVADA NÃO TEM O MESMO IMPACTO NAS DIFERENTES CLASSES SOCIAIS, O MAIOR IMPACTO NEGATIVO SÃO NAS CLASSES DE RENDIMENTOS MÉDIO E BAIXOS SEGUNDO DADOS DA OCDE

O impacto nas famílias da inflação, que se prevê que continue a agravar-se se a guerra continuar, varia de acordo com os seus rendimentos como mostra o gráfico 2 constante do estudo da OCDE “Guerre en Ukraine: Conséquences économiques et sociales et implications pour les politiques publiques

Gráfico 2 – O impacto da escalada dos preços da energia e da alimentação é muito maior nas famílias “modestas” (parte esquerda do gráfico, 1º quintil, ou seja, os 20% da população com menores rendimentos) do que nos 20% mais ricas (5º quintil)

As colunas da parte esquerda do gráfico revelam o peso das despesas com alimentação nos orçamentos dos 20% das mais famílias com menores rendimentos (1º quartil, colunas a azul) e das 20% mais ricas(5º quintil, colunas a verde). Em Portugal, identificado com a sigla PRT, as despesas com a alimentação e energia das 20% famílias com menores rendimentos representam cerca de 28% da sua despesa total mensal (orçamento familiar), enquanto para as 20% mais ricas representa 14%, portanto cerca de metade. A subida dos preços dos produtos alimentares em 11,7% no nosso país até maio.2022 um impacto maior nas famílias de menores rendimentos. Esta crise está a afetar a vida dos portugueses de uma forma desigual. O impacto nas famílias mais pobres é dobro do que se verifica nas famílias mais ricas. Para fazer face ao enorme aumento da pobreza causada por esta crise, o governo limitou-se a atribuir a metade daqueles que vivem abaixo do limiar da pobreza ( e os que vivem neste limiar são cerca 2 milhões de pobres), uma ajuda de 60€, uma única vez, com a qual gastou 60 milhões €. Ao mesmo tempo o 1º ministro corria a Kiev e prometia uma ajuda de 250 milhões € a Zelensky (100 milhões € já este ano), e à Polonia onde entregou 50 milhões € a Andrzej Duda. Não faço comentários deixo estes dados que saíram nos media para reflexão dos leitores.

 

A PANDEMIA, A GUERRA E AS SANÇÕES ESTÃO A CAUSAR A ESCALADA DE PREÇOS E A ARRUNAR A VIDA DOS PORTUGUESES. É PRECISO FALAR VERDADE PARA SAIR DESTA SITUAÇÃO QUE PARECE UM BECO SEM SAÍDA

Quando no 1º estudo que publiquei após a invasão da Ucrânia pela Rússia defendi que era urgente parar a guerra através de negociações sérias, em que fosse discutida e assinado um acordo que garantisse segurança a todas as partes, pois as consequências da guerra e das sanções e retaliações seriam dramáticas não só para a Ucrânia, que seria destruída, e seus povos que, para salvar as suas vidas, têm de fugir do seu próprio país, e para a Rússia, mas também para todos os europeus e, nomeadamente para os portugueses, vários leitores  insurgiram acusando-me de ignorar quem era o agressor (a Rússia) e que com tal posição estava a defender Putin. Essa reação dominada pela emoção era compreensível e não me surpreendeu pois era difícil fugir ao pensamento único imposto por uma comunicação social uniforme que, de manhã a noite, dava imagens de destruição e sofrimento, repetindo mesmo várias vezes as mesmas imagens e reportagens. Nessa altura, e certamente também agora é difícil e mesmo arriscado ser racional e ter uma opinião própria diferente da opinião única dominante. Antes do 25 de Abril ter uma opinião diferente da oficial era logo ser acusado de subversivo, agora ter uma opinião diferente e racional é estar ao lado agressor e defender Putin. Mudam os tempos, mas as reações de alguns não mudam. No entanto, a vida e a realidade são mais fortes e acabam por se impor, e certamente muitos portugueses, devido à destruição das condições de vida, já compreendem a necessidade urgente de um acordo que acabe com a guerra. Em momentos difíceis e dramáticos como aqueles que vivemos é necessário pensar e ser racional, e não sermos apenas dominado pela emoção, pois, caso contrário, fechamos a porta a qualquer solução. Passados 100 dias de guerra, e apesar do apoio maciço dos países ocidentais e dos E.U.A. que parecem mais interessados em alimentar a guerra, e a incentivar Zelensky a continuar com a ilusão que pode ganhar a guerra, transformando-o para isso num “herói, a que todos os lideres europeus se sentem necessidade de ir a correr a Kiev para o felicitar (esta corrida ao beija-mão de Kiev dá bem uma ideia do nível dos atuais lideres europeus; Biden, como mais idade, teve a lucidez de não o fazer), no lugar de contribuir para um acordo que acabe com a guerra. É já evidente, para aqueles que não estejam dominados pela cegueira política, que a guerra não é solução, que só trará mais destruição e sofrimento para os povos europeus, e nomeadamente para os da Ucrânia. É urgente um acordo de segurança na Europa que as armas nunca darão.

 

A DEPENDENCIA DA U.E. E O AUMENTO DOS PREÇOS DE BENS ESSENCIAIS À POPULAÇÃO E A ECONOMIA EUROPEIA, E A ILUSÃO DE QUE SE PODE ALTERAR A RELAÇÃO DE DEPENCENCIA ENTRE OS PAÍSES DE UM MOMENTO PARA OUTRO

Para que se torne clara a necessidade desse acordo, e também para não ser criticado de parcialidade, vou utilizar os dados de um estudo recente da OCDE já referido anteriormente. Os gráficos utilizados constam dele, e mostram de uma forma clara não só os enormes aumentos de preços causado pela guerra e sanções, assim como a dependência da U.E. em relação à Ucrânia e Rússia em bens essenciais para a alimentação da sua população e para o funcionamento da sua economia, em particular Portugal, situação que não se pode alterar no curto prazo como os políticos europeus pretendem fazer crer, e o que se conseguir alterar será a um custo muito mais elevado tornando a vida muito mais cara para os europeus e, em particular para os portugueses que já estão a sofrer os efeitos da alteração dos fornecimentos, que têm como origem os EUA, o Canadá, etc..

Gráfico 3 – Aumentos de preços no mercado mundial de bens essenciais após a invasão da Ucrânia pela Rússia-OCDE


Comecemos por produtos em que o nosso país mais depende das importações que são o trigo (Blé) e o milho (Mais). Após o início da invasão da Ucrânia pela Rússia (24/2/2022) o preço da tonelada de trigo (Portugal importa mais de 94% daquilo que consome) aumentou cerca de 90% e o do milho, essencial para rações destinada à alimentação animal, (Portugal importa 60% do que consome) subiu cerca de 50%. O barril de petróleo já subiu cerca de 35% e o gás aumentou quase 75%. Os preços do barril do petróleo e do gás russo são inferiores ao que os europeus são agora obrigados a pagar aos E.U.A pelo gás liquefeito (para além de ser mais caro, para que possa ser utilizado tem de ser transformado, o que determina mais despesas) e pelo petróleo de xisto. Os aumentos de outros produtos essenciais para o funcionamento da economia e das empresas (ex. o alumínio) registaram também aumentos significativos. O gráfico 4, do mesmo estudo da OCDE, mostra a dependência em relação ao trigo da Rússia e da Ucrânia.

Quadro 4 – Percentagem das importações totais de trigo que têm como origem a Rússia e a Ucrânia por países- 2019

Para muitos países, mesmo da Europa, a percentagem do trigo que importavam da Rússia e da Ucrânia em relação ao total importado, tinha um peso significativo. Se as exportações da Rússia e da Ucrânia desaparecerem ou diminuírem para o mercado mundial, a oferta de trigo e milho diminuiria e também das oleaginosas, pois estes países também são grandes exportadores, e os preços subiriam ainda mais, até porque os especuladores aproveitam a escassez para inflacionar preços e lucros. É o mercado capitalista a atuar no seu pleno esplendor. As crises são momentos ideais para obter grandes fortunas.

E há mais produtos que não foram referidos anteriormente e que a dependência é também muito grande. Por ex. fertilizantes, em que a Rússia e a Bielorrússia são, respetivamente, o 2º e 3º maiores exportadores mundiais, os preços dispararam com a guerra (por ex., o preço do potássio desde fev.2022 aumentou 35% e triplicou num ano apenas), o que pode contribuir para a escassez geral de alimentos, para a escalada dos seus preços e até para a fome.

O gráfico 5 mostra a dependência da Europa em relação à energia da Rússia.

Gráfico 5 – Importação de energia da Rússia pelos diferentes países em percentagem do consumo total de energia-2019

Todos aqueles que têm um mínimo de conhecimentos como funciona a economia mundial sabem que os países que precisam de importar carvão, gás e petróleo para funcionar e se desenvolver, mesmo aqueles que não adquirem à Rússia, com uma eventual exclusão desta do mercado onde os países ocidentais compram, devido a redução da oferta (a Rússia é um dos maiores exportadores de petróleo e gás) terão de pagar, para os obter, um preço muito mais elevado, e vida nestes países será muito mais cara. É por esta razão que é fácil concluir que inflação elevada está para ficar, a não ser que lideres políticos ocidentais anulem as sanções o que só farão se tiverem o SIM dos EUA. E energia mais cara determinará uma redução na sua utilização. O gráfico 6 da OCDE mostra impacto na produção por países, incluindo Portugal (a sigla de Portugal na parte esquerda do gráfico é PRT).

Gráfico 6 – Diminuição da produção nos diferentes países resultante de uma redução de 20% na energia importada

Quando membros do atual governo dizem que as sanções não têm efeitos para o nosso país, e é fácil para Portugal aplicá-las incluindo petróleo e gás, ou revelam grande ignorância sobre a forma como funciona uma economia global como é a mundial ou estão a procurar enganar os portugueses. O próprio presidente da República, em declarações às TV, já reconheceu que a guerra é a causa da elevada inflação, e espera que ela termine até ao fim de ano, certamente por milagre, pois a U.E. não desenvolveu qualquer esforço sério para que haja um acordo que acabe com a guerra. A solução não é enviar material letal como alguns pensam e defendem.

 

O SOFRIMENTO DRAMÁTICO DOS UCRANIANOS E O IMPACTO ECONOMICO, SOCIAL E POLÍTICO DE MILHÕES DE REFUGIADOS

O número de ucranianos que tiveram de fugir do seu país para escapar aos horrores de uma guerra que está a destruir vidas e bens de uma vida é dramático como revela o gráfico seguinte também constante do mesmo estudo da OCDE.

Gráfico 7 – Número refugiados na Europa antes e depois da invasão da Ucrânia pela Rússia

Para além de ser uma situação profundamente dramática para os próprios ucranianos que tiveram de abandonar o seu país e os seus bens (mais 3 milhões de refugiados) cria importantes problemas económicos, sociais e políticos aos países que os recebem que não devem ser subestimados nem ignorados. A grave crise económica e social que já enfrentam os países europeus devido à escalada dos preços, associada a milhões de refugiados está a criar problemas, que até agora estão a ser ignorados, mas que podem originar uma explosão social em cada país e também à escala global. E tarde ou cedo, os partidos da extrema-direita aproveitar-se-ão disso para aumentar a sua influência, como a vida tem mostrado sobejamente. Antes disso acontecer é preciso ter a capacidade para prever, e tomar medidas, não atirando os problemas para debaixo do tapete, com a ilusão de que o problema vai desaparecer por si. O atual governo, dominado pela obsessão de reduzir drasticamente défice e a divida no contexto dramático que os portugueses enfrentam, parece ignorar tudo isso e os seus riscos. É preciso que se tenha a coragem de o dizer.

 

REFLEXÕES E CONCLUSÕES FINAIS QUE SÃO APENAS UM CONTRIBUTO PARA QUEO LEITOR POSSA FORMAR, DE UMA FORMA FUNDAMENTADA, A SUA PRÓPRIA OPINIÃO QUE É O MAIS IMPORTANTE

Os dados oficiais que utilizei neste estudo da OCDE e do FMI, assim como as reflexões que foi possível tirar com base neles, permitem, a meu ver, que se fique com um conhecimento mais claro da dimensão e caraterísticas da grave crise atual, e como ela vai afetar profundamente as nossas vidas e a dos nossos descentes. E tenha presente que, aos aumentos de preços referidos, há ainda a acrescentar a rotura na cadeia mundial de fornecimentos para empresas e população devido a dificuldades criadas pela pandemia e pela guerra o que torna os abastecimentos muito mais demorados e determina o aumento exponencial também dos preços dos transportes que contribui também para encarecer tudo. É a chamada crise perfeita e total que exige muita racionalidade, visão estratégica e determinação que os atuais líderes europeus já mostraram não possuir.

É já evidente para muitos que enfrentamos a crise mais grave e mais perigosa após a 2ª guerra mundial, em que está em jogo não apenas a invasão da Ucrânia pela Rússia, a destruição deste país e dos seus povos, mas sim um confronto global não só entre as grandes potencias económicas, mas também nucleares para manter ou obter posições de hegemonia no mundo atual. A Ucrânia é apenas o palco, e os ucranianos as vítimas de um confronto mais global entre as grandes potencias. Neste confronto, a U.E. tem revelado uma ausência total de vontade própria e de uma estratégia própria sendo os seus líderes meros seguidores da vontade dos E.U.A que a utiliza, como quere, no confronto com a Rússia e com a China, limitando os seus líderes, até parece com alegria (os seus rostos sorridentes em Bruxelas a aprovar sanções transmitidos pelas TV dão essa ideia), a multiplicar sanções e mais sanções, sem avaliar as consequências para os povos da U.E. e sem fazer qualquer esforço para implementar medidas visando minorar os efeitos dramáticos que a guerra, as sanções e as retaliações estão a ter já na vida dos europeus. A atitude do governo de Costa/Medina, que recusa qualquer ajustamento nas pensões e nas remunerações da Função Pública, que é uma indicação clara aos patrões privados para fazerem o mesmo, apesar da escalada de preços, é um exemplo que mostra a insensibilidade e incapacidade dominante nos líderes da União Europeia. Por isso é previsível uma explosão social de contestação pois a vida está-se a tornar insuportável para cada vez mais portugueses.


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