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Segunda-feira, Janeiro 24, 2022

BBC suspeita de pecado de João Paulo II

João Vasco AlmeidaJoão Paulo II cometeu pecado? Preparemo-nos para a pergunta “Amar Anna-Teresa será pecado?”. João Paulo II foi Papa, mas Karol Wojtyla era um homem. Esta segunda-feira, 15 de Fevereiro do ano da graça do senhor de 2016 a BBC mostrará no programa Panorama, às 20h30, que uma paixão de 30 anos, sem malícia, percorreu o polaco e a polaca. Diz a televisão britânica que nunca terá havido mais do que platonismo entre ambos, mas o fervor era demoníaco.

Anna-Teresa Tymieniecka era uma filósofa polaca, casada com um norte-americano, e as cartas em que se baseia o documentário da BBC sugerem que, algures em 1975, ela terá dito a Karol o “amo-te” com que se confessam os apaixonados inapeláveis. Karol respondeu-lhe que não tinha resposta , apesar de a ler “destroçada”. A amizade durou, estima-se, até ao fim.

Agora santo da Igreja Católica Apostólica Romana, Karol Wojtyla era uma pessoa como todos nós. Aliás, Carl Bernstein, um dos repórteres do par Watergate e que biografou João Paulo II, já tinha sustentado que Anna-Teresa foi uma pessoa-chave na ascenção de Karol ao palco mundial e ao sumo-pontificado.

Nada de extraordinário, ainda que um romance tórrido de um antigo Papa com uma casada, com 30 anos de duração, seja uma delícia para derrotar a hipócrita e desajustada coisa do celibato.

O voto de castidade e o celibato não só não fazem sentido como são uma invenção muito tardia dos cristãos. A ideia do “clube do bolinha” é verdade e está diluída nos Evangelhos, atribuída a premissa ao apóstolo Paulo: “(…) penso que seria bom para o homem abster-se da mulher”. E escreve o mesmo autor: “Aos solteiros e às viúvas digo que é bom para eles ficarem como eu. Mas, se não podem guardar continência, casem-se; pois é melhor casar-se do que ficar abrasado.”

João Paulo II, Papa, acampado com amiga Anna-Teresa
Karol Wojtyla e Anna-Teresa, acampados. (c) Bill e Jadwiga Smith

Ora, se Anna-Teresa andava “abrasada” e era casada, as cartas de Karol mostram que ele combatia a braseira com o que justificou ser a “graça” que recebeu. Karol era Paulo, não Pedro. E Paulo sustentava cenas bestiais, que hoje são defendidas pela ISIS, como: “Aos que já estão casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido; se, porém, está separada, não se case de novo, ou, então, reconcilie-se com o marido; e o marido não repudie a sua mulher”.

Em suma, sexo. O problema está sempre no sexo. O corpo é que é pecado, o corpo imundo. Não é pecado Karol ter-se apaixonado ou mesmo, vergonha das vergonhas, onanizar de vez em quando com Anna-Teresa. O pecado é dirigido apenas à função biológica a dois.

Digo: é muito mais saudável o sexo contra Paulo do que uma sociedade moralista que deixou Karol e Anna-Teresa apartados e com as brasas em cinza, por causa de uma ideia que nem sequer, historicamente, se aplicou no princípio do catolicismo.

Se calhar, em vez de andarem escondidas, as primeiras damas (e damos) do Vaticano teriam feito mais pela crença do que o celibato.

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