Diário
Director

Independente
João de Sousa

Quinta-feira, Dezembro 1, 2022

L’Origine du Monde ou A Boceta

A arte tem essa função certamente – mexer com a alma das pessoas. Principalmente com a alma das pessoas pouco desenvolvidas no contexto metafísico.

O mundo tem muitos mil anos, mas a humanidade ainda tem uma vida curta. Certamente deverá envelhecer muitos milhares de anos para viver num clima de tranquilidade. Desde quando os gregos faziam arte, o membro sexual do homem tem sido reproduzido como obra de arte. E a vulva também serve de motivação para a criação artística. E mesmo assim uma enorme parte da humanidade ainda tenta impedir que os artistas utilizem essas formas como inspiração.

Em 1996, fui passar um mês em Paris com minha filha Isabela Lins. Então visitamos o Museu d’Orsay e lá fiquei deslumbrado com toda a arte impressionista que lá está. E ainda mais deslumbrado com o quadro de Gustave Courbet, L’Origine du Monde (A Origem do Mundo), que havia sido pintado em 1866 e estava lá desde 1995. Na hora quis comprar uma reprodução da obra, mas fiquei com acanhamento de comprar na frente de minha filha. Mas no outro dia visitei novamente o d’Orsay com o amigo Antônio Mota e então comprei uma reprodução em tamanho aproximado do original e vários postais. Nesse ano ainda era uma novidade o quadro de Courbet.

Um visitante observa a tela L’Origine du Monde, de Gustave Courbet, no Museu d’Orsay, em Paris

A escultura Diva, de Juliana Notari, construída na Usina de Arte, da família Pessoa de Queiroz, em Água Preta (PE), certamente chegará um dia a ser vista com tranquilidade. A arte tem essa função certamente – mexer com a alma das pessoas. Principalmente com a alma das pessoas pouco desenvolvidas no contexto metafísico. Há um sentimento generalizado de que a vulva é uma parte que deve estar escondida. E não exposta. Com o membro masculino ainda há muito mistério – mas menos.

Courbet era um artista como o pernambucano José Cláudio. Criava quadros para atender a pedidos. O L’Origine du Monde foi feito por encomenda do diplomata turco otomano Khalil-Bey, que era um colecionador de quadros eróticos. E pediu que Courbet fizesse um trabalho o mais expressivo da força feminina. E ele certamente fez.

Diva, de Juliana Notari, foi construída na Usina de Arte, em Água Preta (PE)

Nunca visitei a Usina de Arte, mas já conversei sobre ela com o curador, o artista paraibano José Rufino. O objetivo é transformá-la num autêntico centro não só da criação de arte, mas de exibição, como é o Inhotim, em Brumadinho (MG). E para isso, a arte que lá se coloca tem que ser verdadeira como é essa obra de Juliana Notari. Uma artista performática. Daniel Santiago me contou sobre ela e ressaltou uma performance em que ela é puxada pelos cabelos por um touro na praia.

A artista pernambucana Juliana Notari, ao lado de trabalhadores, durante a construção da escultura Diva

por Celso Marconi, Crítico de cinema mais longevo em atividade no Brasil. Referência para os estudantes do Recife na ditadura e para o cinema Super-8  |   Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


 

Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a nossa Newsletter. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

- Publicidade -

Outros artigos

- Publicidade -

Últimas notícias

Mais lidos

- Publicidade -