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Domingo, Julho 21, 2024

Mais mulheres no poder e mais educação para mudar o Brasil

Francisca Rocha
Francisca Rocha
Professora Francisca é dirigente licenciada de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE) e de Finanças da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB

A eleição do presidente Lula trouxe a esperança de mudanças na vida do país, tão maltratado nos últimos seis anos. Com Lula, a classe trabalhadora pode voltar a sonhar com trabalho decente e vida digna para si e para a sua prole.

Desde a sua posse, o presidente Lula já mostrou ao que veio com a montagem dos ministérios voltados para todos os interesses do país. A valorização do trabalho se mostra fundamental nesse governo. Para isso, é importante a revogação da reforma trabalhista e da reforma da previdência.

A volta do Ministério das Mulheres, a criação do Ministério da Igualdade Racial e também dos Povos Indígenas, a valorização do Ministério do Trabalho, da Agricultura Familiar e a criação de uma política de reindustrialização se mostram fundamentais para a reconstrução do país, tão devassado.

Além de defender os direitos humanos e a preservação ambiental e também proporcionar mais investimentos para avanços no SUS e ampla campanha de vacinação, o que marca a diferença de termos Lula na Presidência. As trabalhadoras e trabalhadores precisam de emprego com direitos e renda que possibilitem vida digna à família.

A vitória de Lula representa a vitória do povo contra o projeto neoliberal dos últimos seis anos, que acarretou a precarização do trabalho com a reforma trabalhista, de 2017 e a reformada da previdência, de 2019. Essas “reformas” constituem a cereja do bolo dos patrões contra os interesses de quem vive de sua força de trabalho.

Tanto que os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) repetidamente vêm mostrando o crescimento do mercado de trabalho informal. Com a novidade do aumento substancial de mulheres na informalidade. Muitas no trabalho doméstico ou como vendedoras ambulantes.

Na educação não é diferente. Como mostra o Censo Escolar 2021, do Ministério da Educação (MEC), 62,7% dos 2,2 milhões de docentes do ensino básico são mulheres. As professoras representam 96,3% da educação infantil. São 88,1% no ensino fundamental 1 e 66,5% no fundamental 2. No ensino médio são 55,7%. Mesmo com essa ampla maioria, as mulheres ganham cerca de 12% a menos que os homens, porque têm presença menor no ensino superior, que detém os maiores salários.

A degradação do trabalho docente cresceu, principalmente no desgoverno Bolsonaro, onde a perseguição às professoras e professores foi aviltante e os investimentos em educação pública despencaram.

Ao mesmo tempo, grande parte dos governadores, como o caso de São Paulo, transferem dinheiro público para empresas privadas e fogem da obrigação constitucional de fornecer educação pública e gratuita para todos os estudantes.

Aqui em São Paulo, não temos plano de carreira digno, não temos concurso público há dez anos. Com isso, grande parte dos contratos são os chamados “temporários”, ou seja, sem direitos.

Além de toda essa precarização, as mulheres têm sobre os seus ombros a dupla, às vezes tripla, jornada de trabalho. Essa condição ficou muito transparente durante a pandemia quando foi instituído o ensino remoto.

O dia 8 de março de 2023 deve representar uma nova era com a volta do Ministério das Mulheres e com maiores investimentos em educação pública. O Brasil precisa de mais mulheres com poder de decisão e uma educação pública voltada para o diálogo com a sociedade rumo a um futuro de mais igualdade e justiça.


Texto em português do Brasil

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