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Quinta-feira, Julho 7, 2022

Marcelo Rebelo de Sousa quase punha em causa a geringonça

Rogério V. Pereira
Rogério V. Pereira
Estudou Engenharia Química no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. Começou a trabalhar como Técnico de Organização Industrial e terminou no topo da carreira, como sénior manager, nas áreas da consultoria em organização e gestão.

Rogériografia de Marcelo Rebelo de Sousa

A minha geringonça, a que produz rogériografias, essa sim, tremeu com os resultados apurados a Marcelo. Eu explico. Tirava uma radiografia agora, e dava um resultado. Tirava outra mais tarde, e o resultado era diferente e se deixasse passar uns meses, esse terceiro diferia de todos os outros. Temi que à geringonça tivesse acontecido alguma desgraça, alguma avaria grave, algum curto-circuito, quem sabe?

Esqueci Marcelo durante uns anos e voltei a ensaios com ele, recentemente. Tudo igualzinho como acontecera antes. Vejamos as imagens rogériográficas acima, todas referentes a Marcelo.

A primeira, à esquerda, dá do examinado um cérebro normal onde podemos observar um Marcelo muito ecléctico, culto, trabalhador e não só… A forma equilibrada como se repartem as actividades de trabalho intelectual (hemisfério em favo – o esquerdo – onde os processos de actividade séria se localizam) e o trabalho lúdico, da fantasia das artes e dos afectos (hemisfério – o direito – em open space, repleto de verde e fantástica alegria).

Entre os dois hemisférios existe uma função de elevada importância para o desenvolvimento equilibrado do cérebro e que, no cérebro de Marcelo, assegura que as tarefas burocráticas sejam preenchidas por processos alegres, lúdicos e muito bem-dispostos.

A segunda, no meio, dá do examinado um cérebro diferente. É uma alegria olhar para esta Rogériografia. Nada de dois hemisférios diferentes que só lhe atrapalhariam os afectos. Os processos lúdicos, das artes, da cultura, da observação, do amor, da amizade e dos afectos, estão lá todos espraiando-se em viçoso verde. Verde até em zonas onde se esperaria verificar-se alguma massa cinzenta e circunspecta. Por essa razão os processos de reflexão, de pensamento profundo e de acção consequente são igualmente pasto de esplendoroso verde. Os processos existentes são, na sua grande maioria, processos de alto nível, pelo que aparenta ter Marcelo um cérebro normal embora não o sendo.

Pensava eu que estes dois Marcelos, pelas rogériografias analisadas, não teriam, por assim dizer, contradições insanáveis. Mas, a última (a da direita) estraga tudo. É que a terceira rogériografia anula todas as anteriores. O verde foi-se. A inexistência de processos verdes retira a este cérebro de Marcelo, contrariamente ao anterior, qualquer capacidade de produzir alegria e felicidade ao seu redor. Todas as suas manifestações são de aparente bom humor dada a sua elevada capacidade de mistificar comportamentos, mesmo quando está confrontado com as situações mais adversas. Não perdendo tempo com ninharias sabe Marcelo impor-se com a agilidade adequada para fazer inverter uma situação que lhe desagrada.

Tudo isto vos parece inverosímil? Também a mim. Mas, garanto-vos, é mesmo assim.
Só falta explicar uma coisa inexplicável: como é que um cérebro que em principio não se altera na sua fisiologia pode ser ele próprio e o seu contrário? Como é que, sem rogériografias, o saberíamos?

Nota do Director

As opiniões expressas nos artigos de Opinião apenas vinculam os respectivos autores.

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