Diário
Director

Independente
João de Sousa

Domingo, Fevereiro 25, 2024

Medicina Preventiva: Cargas emocionais

Alexandre Mello
Alexandre Mello
Pesquisador em inovação aberta e tecnologias sociais

Vale a pena abordar o efeito das cargas emocionais na saúde. Segundo a neurologista irlandesa Suzanne O’Sullivan, vencedora do prêmio literário britânico Wellcome Book Prize pela autoria do livro “It’s All in Your Head: True Stories of Imaginary Illness” (2015), há vários casos de pacientes apresentando quadros físicos problemáticos, mas que após exames, constata-se a matriz emocional geradora da “doença” – somatizações de causas psicossomáticas.

“De acordo com estudos, em outras especialidades médicas, um terço dos pacientes também apresenta sintomas de ordem psicológica”. A Dra. Suzanne cita também um estudo da Organização Mundial de Saúde – OMS, feito há alguns anos, que demonstrou que a incidência de doenças cujos “sintomas carecem de explicação médica” é praticamente idêntica em quase todos os países, independentemente de serem desenvolvidos ou em desenvolvimento e do acesso da população aos serviços de saúde.

Em seu livro, descreve o preconceito, inclusive dos próprios pacientes, ao serem informados de que o corpo está funcional e a verdadeira origem dos problemas que apresentavam é emocional. Pacientes que chegavam em cadeiras de rodas, outros com inflamações, se queixando de dores, paralisia, desmaios e convulsões. A questão é: por que mascaramos com dor, fraqueza ou mazela o que na verdade é emoção? É um fato grave que a falta de uma origem física faça a medicina subestimar esse tipo de distúrbio. “Se uma pessoa tem um problema, mas os seus exames são normais, costumamos dizer que ela não tem nada”, afirma a Dra. Suzanne.

“Nós, médicos, somos treinados para nos concentrarmos nas doenças, para encontrá-las. Quando examinamos um paciente, estamos preocupados em não deixá-las escapar. Se atendo alguém e não percebo que a pessoa tem uma doença, isso vai gerar muitas recriminações”, acrescenta. A atenção dos médicos está tão concentrada nas doenças que, quando elas são descartadas, seu trabalho é dado por encerrado. O que a Dra. Suzanne diz, em outras palavras, é que nem o médico nem os pacientes estão focados em prevenção, e que a Medicina se volta para a doença somatizada. A falta de esclarecimento faz os pacientes terem dificuldade de aceitar o diagnóstico, recebido como se fosse insulto. A falta de atenção e importância dada a esses males contribui para criar um estigma em torno das doenças psicossomáticas.

LEIA O ARTIGO COMPLETO

Primeira parteSegunda parte

Saúde: Direito fundamental

Em uma sociedade competitiva, compete-se também por saúde e educação, a tese liberal do “não há almoço grátis”.

 

Esta abordagem em saúde sustentável é importante para avaliar se os sistemas de informação e prevenção em saúde individual e coletiva, bem como a estrutura da assistência médica e cuidados gerais, estão comprometidos com a geração de saúde, isto é, se são salutogênicos.

águaMedicina Preventiva: Água, alimentos e bons hábitos

A medicina moderna caminha orgulhosa para afirmar-se curativa e poderosa, quando deveria ser preventiva, não medicamentosa, inclusiva e de baixo custo, maximizando os benefícios à população. A maioria dos problemas poderiam se resolver simplesmente aprofundando a nutrição e o esclarecimento sobre o efeito do estilo de vida, das cargas emocionais e dos bons hábitos na saúde.

O autor escreve em português do Brasil

Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a nossa Newsletter. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

- Publicidade -

Outros artigos

- Publicidade -

Últimas notícias

Mais lidos

- Publicidade -