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Sexta-feira, Outubro 22, 2021

Militares portugueses retiram do Kosovo

NINM
Colaboração do Núcleo de Investigação Nelson Mandela – Estudos do Humanismo e de Reflexão para a Paz (integrado na área de Ciência das Religiões da U.L.H.T.)

kosovo

 

Hoje, são raros os países sem conflitos, conflitos de dimensão assinalável e temível. Há sempre distúrbios que se vão notificando, quanto mais não seja os que nos envergonham ao nível interpessoal e nos cavam as diferenças. Falta um longo caminho para o patamar intercultural que muitos desejamos.

A cultura do homem contemporâneo, feita de armas na mão, não só o condena e não dignifica, como põe em risco o planeta, casa comum e maltratada que se degrada pelos efeitos provocados pelos confrontos.

Uma notícia como a do abandono da presença militar portuguesa do teatro de operações do Kosovo, anunciada para 2017, após 18 anos na missão da NATO no território, é uma boa notícia que induz a que (dezoito anos depois) o ambiente no Kosovo seja, finalmente, respeitável e capaz de alojar a vida dos locais sem sobressaltos.

O nosso País participa na força de manutenção de paz da NATO para o Kosovo desde julho de 1999.

Trata-se de uma decisão justificada pelo Governo com a melhoria das condições de segurança e estabilidade naquele país e também de uma minúscula vitória para aqueles que, em várias frentes, têm a paz como objetivo comum.

Como disse Azeredo Lopes, ministro da Defesa Nacional, citado por vários órgãos de comunicação, as “condições estratégicas e operacionais que ditaram o envio da força portuguesa alteraram-se, nomeadamente as condições de segurança e estabilidade no território, hoje francamente mais favoráveis ao normal desenvolvimento do Kosovo”.

A retração da força nacional começa no segundo trimestre de 2017 e estará completa até junho. Atualmente estão 189 militares portugueses na KFOR (Kosovo Force) que serão rendidos durante este mês. A KFOR é atualmente composta por cerca de 5 mil militares de várias nacionalidades.

O primeiro grupo português do último batalhão em missão no Kosovo parte a 17 de outubro e será constituído por 48 efetivos do Exército, num total de 186, da Brigada de Reação Rápida (2º Batalhão de Infantaria Paraquedista), para integrar o Batalhão de Reserva Tática da KFOR.

Esta é uma boa notícia. Fica também o registo do anúncio feito pelo Conselho Superior de Defesa que aprovou uma nova missão de paz, desta feita na Colômbia, ainda no âmbito da Aliança Atlântica.

Será uma “pequena missão” e está relacionada com o acordo de paz, em curso, naquele país. Recordamos que a Colômbia negoceia com as autodenominadas FARC, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo ( Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia – Ejército del Pueblo), também conhecidas pelo acrónimo FARC ou FARC-EP, uma organização guerrilheira de inspiração comunista, autoproclamada guerrilha revolucionária marxista-leninista, que opera mediante táticas de guerrilha.

As FARC “lutam pela implantação do socialismo na Colômbia e defendem o direito dos presos colombianos”. Também a ELN atuou muitos anos no território colombiano; o Exército de Libertação Nacional da Colômbia, organização guerrilheira, de inspiração comunista e de caráter político – militar, criado em Simacota em 7 de janeiro de 1965, por Fabio Vasquez Castaño, inspirado pela experiência bem sucedida da Revolução Cubana. Existe uma intensa cooperação no histórico da ELN e das FARC.

Recentemente, foi posto a sufrágio o acordo de paz entre o exército colombiano e os guerrilheiros. O acordo requereu quatro anos de difíceis negociações entre o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e o líder das FARC, Rodrigo Lodoño, também conhecido como Timoleón Jimenez ou Timochenko.

A opção por não ratificá-lo (no início de outubro de 2016) foi escolhida por 50,2% dos votos válidos. A diferença entre o “não” e o “sim” foi de menos de 60 mil votos. Os que negaram o acordo não concordam com o perdão às FARC – há cinquenta anos que a guerrilha opera e contam-se mais de 200 mil vidas ceifadas – e com a possibilidade das FARC ocuparem um espaço político que consideram imerecido.

Nota do Director

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