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Quinta-feira, Abril 18, 2024

A Monstra anda à solta!

José M. Bastos
José M. Bastos
Crítico de cinema

16º Festival de Animação de Lisboa termina em 26 de Março. Atenção Lisboetas! A Monstra anda à solta por Lisboa (e não só…parece que já tem sido vista por Almada).
Desde o dia 16 e até ao próximo Domingo, na Avenida da Liberdade, mas também em Alvalade, no Largo de Camões, em Belém ou no Poço do Bispo é bem possível que se cruzem com ela… ou ele, o 16º Festival de Animação.

Itália -País em destaque

A Itália é o país em destaque na presente edição deste certame. Dos consagrados aos nomes que despontam nas novas gerações, a MONSTRA 2017 oferece a possibilidade de conhecer um vasto conjunto de obras marcantes da animação transalpina. Clássicas e modernas. Bruno Bozzetto, Giannini e Luzzati, Guido Manuli e Cavandoli, Enzo D’Alò, Gianluigi Toccafondo, Roberto Catani, Simone Massi, Ursula Ferrara, Magda Guidi, Donato Sansone ou Mauro Carraro, são alguns dos autores representados. A mostra italiana inclui um ciclo dedicado a “Pinóquio”, que inclui o filme de Walt Disney e que decorre na Cinemateca Portuguesa.

Grandes filmes do ano

Alguns dos filmes mais falados no último ano (candidatos ao Oscar incluídos) integram o programa, seja em competição ou em secções paralelas. Ma Vie de Courgette, La Tortue Rouge, Louise en Hiver, Molly Monster, Window Horses, Revengeance ou 25 de Abril (apesar do título deste filme remeter aparentemente para a nossa História esta é uma obra sobre a participação neo-zelandesa na 1ª Guerra Mundial) são alguns dos títulos mais sonantes. Mas também em competição, de curtas e estudantes, estão 130 filmes. Os portugueses concorrem ao prémio Vasco Granja | SPA que evoca um dos maiores divulgadores do cinema de animação que Portugal conheceu.

Considerada a mais pluridisciplinar de todas as artes e com uma história que vem de antes da invenção do cinema (bastará recordar as histórias de imagens animadas criadas ainda na primeira metade do século XIX com brinquedos ópticos – fenaquiscópio, praxinoscópio, etc.), a animação é habitualmente associada ao público infantil.

Cinema para todas as idades

E se é verdade que uma parte muito relevante da produção, um pouco por toda a parte, é dirigida a esse público, há também filmes que podem ser vistos por espectadores de todas as idades e outros expressamente destinados a adultos. Todas essas vertentes estão presentes na 16ª MONSTRA.

A MONSTRINHA, habitualmente frequentada por milhares de crianças, tem programação especial para as escolas, mas também encontros de professores e formadores e oficinas de animação nas quais os mais jovens poderão ter um primeiro contacto com várias técnicas de feitura de filmes.

Por outro lado, e pela primeira vez, existe este ano a MONSTRA Triple X, apresentada, não sabemos se com algum eufemismo, como “uma programação muito especial, dedicada ao cinema de animação sensual”.

Actividades paralelas

Workshops e masterclasses com grandes mestres mundiais como Jean-François Laguionie, Giannalberto Bendazzi, Ted Sieger, Claude Barras, Andrea Martignoni, Juan Pablo Zaramella ou o mestre do acting para a animação Ed Hooks, e várias  exposições (no Museu da Marioneta a exposição comemorativa dos 20 anos de um dos grandes estúdios franceses, a JPL Films e na Sociedade Nacional de Belas Artes Fotogramma Per Fotogramma reúne originais de filmes, desenhos, ilustrações, marionetas e storyboards de alguns dos melhores realizadores italianos) são ouros focos de interesse do certame.

Como se disse no início, este é um festival descentralizado e assim no Largo Camões será  instalado o Cinema Mais Pequeno do Mundo, com apenas 12 lugares, desta vez “Vestido” à italiana. “Pela mão de Les Ateliers de la Halle | Arras (França) a sala de 12 lugares vai encher-se dezenas de vezes para apresentar uma programação “apinhada” de curtíssimas animadas”.

“Nos cinemas Ideal e City Alvalade destaque para as secções dedicadas ao documentário animado DoKAnim, ao suspense no TerrorAnim, às retrospetivas históricas e ao Cinema Experimental, este com uma brilhante programação da britânica Vera Neubauer.”

“O ClipAnim tem este ano como curador o TIM. O timoneiro dos Xutos apresenta escolhas magníficas e de grande diversidade, tanto nos estilos e estéticas plásticas como nos ritmos e géneros musicais.”

“Mas este será o festival marcado pelo olhar estereoscópico e inovador da Realidade Virtual. Uma viagem imersiva ao mundo da animação realizada para a RV, com especialistas de renome mundial, como Rachid El Guerrab, project manager da ©Google Spotlight Stories, Tim Ruffle, realizador da Aardman Animation, Luke Ritchie, Head of Interactive Arts do Nexus Studios ou o português Rui Guedes, fundador da Ground Control Games. Um mergulho que vai permitir experienciar fascinantes viagens ao mundo da criação, movimentação e manipulação de objectos e formas em ambiente virtual.”

Uma nota final para referir que o presente texto é escrito por alguém que está no Porto e que, com muita pena, não pode participar na MONSTRA.

Servimo-nos por isso do texto de apresentação do Festival elaborado pelo seu Director Artístico, Fernando Galrito, e daí a reprodução integral de alguns dos seus parágrafos.

O Fernando Galrito foi-nos apresentado, talvez há duas décadas, no Festival da Figueira da Foz por um amigo comum, João Crespo, grande cinéfilo e amante, muito em particular, do cinema de animação. Já nessa altura, Fernando Galrito, que haveria de ser a “alma-mater” da MONSTRA tinha a pachorra de ir até à Figueira para pôr as crianças a fazer filmes de animação.

Enviamos-lhe uma saudação muito especial com os votos de que a MONSTRA 2017 seja um grande êxito.

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