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Domingo, Outubro 17, 2021

Músicas para celebrar a visibilidade lésbica contra toda violência

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

Neste domingo (29) comemora-se o Dia da Visibilidade Lésbica. Por isso, as seis canções selecionadas tratam do tema com muito amor. Cinco das escolhidas são de autoria de lésbicas assumidas. A única exceção é “Blues pra Bia”, de Chico Buarque, que retrata a questão com muito valor, no seu lugar de fala.

As outras cinco, são canções de destaque na música popular brasileira, esbanjando talento e colocando-o à frente das lutas por respeito à diversidade humana, à vida e à inteligência. Como diz Ailton Krenak”, nós temos de ter coragem de ser radicalmente vivos. E não negociar sobrevivência”.

Principalmente no país campeão em assassinatos de LGBTQIA+. País que maltrata a inteligência, a cultura, a diversidade, a justiça, a real beleza e a singularidade humana. Vamos cantar porque como dizia um professor de literatura (infelizmente não lembro o seu nome) para mostrar a diferença de sentido que uma vírgula emprega em uma frase: quem canta seus males, espanta.

Josyara

Com  um som diversificado. Tudo junto e misturado, Josyara impõe sua voz neste mundo dominado pelo patriarcado. Sua voz e seu violão são ímpares. Suas composições inovadoras. Nenhuma temática é proibida,

“Tenho frustração e luto. Quando a gente foi percebendo que só piorava, não queria compor, cantar, fazer live. Comecei a fazer porque vi que era única forma de entrar algum dinheirinho. Ia fechar o lançamento do Mansa Fúria no exterior, mas não deu tempo. Fora esse luto eterno no Brasil que não se tem perspectiva de nada”, disse Josyara em uma entrevista à revista CartaCapital.

“Tem uma preta muito linda
Ela gosta de mim
Gosto dela também
Com seus olhinhos de chineizin
Ela é de leão e tem fogo
Quando desce a ladeira da federação
Quando sobe a ladeira da quebrada
Altera a ordem do espaço com seus passos
Namora suas meninas na intensidade do fogo
Ela é de fogo”

Fogueira (2018), de Josyara

 

Ana Carolina

Na estrada desde 1999 como profissional, Ana Carolina fez seu caminho próprio e conquistou um lugar de destaque na MPB. É uma das vozes lésbicas mais destacadas do momento.

“E eu gosto de homens e de mulheres
E você, o que prefere?
E você, o que prefere? É…

Homens que dançam tango
Mulheres que acordam cedo
Homens que guardam as datas
Mulheres que não sentem medo

Homens de toda a idade
Mulheres, até as genéricas
Homens que são de verdade
Mulheres de toda a América

Homens no sinal verde
Mulheres de batom vermelho
Homens que caem na rede
Mulheres que são meu espelho”

Homens e Mulheres (2009), de Ana Carolina; canta com Angela Ro Ro

 

Karla da Silva

Com mis de 10 anos de carreira, Karla da Silva apareceu para o grande público no programa “The Voice Brasil”, da Globo. Ela se impôs e seu talento é a toda prova. Canta e compões como ninguém.

“Vi aquele all star velhinho
O meu peito acelerou
Teu esmalte é vermelhinho
No dia em que a gente se encontrou, ê
São duas meninas, mas o coração é de mulher
Se você não pode entender o clima
Amar você não sabe o que é, ê”

Duas Meninas (2017), de Karla da Silva e Lizzie Marchi

 

Marina Lima

Outra voz fundamental na temática LGBTQIA+ na MP|B é Marina Lima. Talento singular. Sua temática une o social e o individual como indissociáveis.

“Não demora muito agora
Toda de bundinha de fora
Top less na areia
Virando sereia
Essa noite eu quero te ter
Toda se ardendo só pra mim
Essa noite eu quero te ter
Te envolver, te seduzir
O dia inteiro de prazer
Tudo que quiser, vou te dar
O mundo inteiro aos seus pés
Só pra poder te amar
Roubo as estrelas lá do céu
Numa noite e meia desse sabor
Pego a lua, aposto no mar
Como eu vou te ganhar”

Uma Noite e Meia (1987), de Marina Lima

 

Zélia Duncan

Muito influenciada pelo rock, Zélia Duncan esbanja talento e diversidade, sempre preocupada em retratar a vida com esperança nem um flutuo melhor.

“me esperava no portão
me encontrava, dava a mão
me chateava, sim ou não?
Não

de repente a vida ganhou sentido
companheira assim nunca tinha tido
o que fica sempre é uma coisa estranha
é companheira que não acompanha

isso pra mim é felicidade
achar alguém assim na cidade
como uma letra pra melodia
fica do lado, faz companhia

pensava nisso quando ela ali
no portão da frente
me viu pensando, quis pensar junto
“pensar é um ato tão particular do indivíduo”
e ela, na hora “particular, é? Duvido”
e como de fato eu não tinha lá muita certeza
entrei na dela, senti firmeza”

A Companheira (2007), de Simone e Zélia Duncan

 

Chico Buarque

Chico Buarque cria personagens imortalizados pela força que carregam em si e por si. Aqui canta um rapaz capaz de tudo para chamar a atenção de sua amada, mas em seu coração não tem lugar para rapazes. Melhor virar menina então…

“Que no coração de Bia
Meninos não têm lugar
Porém nada me amofina
Até posso virar menina
Pra ela me namorar”

Blues Pra Bia (2017), de Chico Buarque


Texto em português do Brasil

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