Diário
Director

Independente
João de Sousa

Sexta-feira, Dezembro 9, 2022

Na morte de Silva Marques

José Mateus
José Mateus
Analista e conferencista de Geo-estratégia e Inteligência Económica

Foi assim que Silva Marques me respondeu, durante uma conversa em S. Bento, pouco mais de um ano depois de se ter tornado deputado do PSD (cuja bancada parlamentar viria mais tarde a liderar, antes de se retirar definitivamente), à minha questão sobre o que pensava ele dos “nossos” políticos.

A mesma coragem intelectual e a mesma lucidez implacável aparecem nas páginas do seu livro sobre a acção do PCP, publicado logo em 1976, “Relatos da clandestinidade: o PCP visto por dentro”.

Congresso do PCP na Checoslováquia

Alto responsável do PCP “no interior do País”, Silva Marques era também homem de grande coragem física como ficou mais que provado quando ousou enfrentar Cunhal, durante um célebre congresso do PCP na Checoslováquia.

Depois desse congresso, voltou clandestinamente ao “interior do País”, recusando-se a abandonar as suas funções de dirigente, e endereça a Cunhal (então já a viver em Paris, depois de ter deixado Moscovo) uma célebre carta que começa “Interior do País…” em que estampa as suas divergências.

Na sequência é expulso e será Carlos Brito a tratar da execução da sua expulsão, nuns episódios que o visado relatava com pormenores saborosíssimos.

O seu livro foi o primeiro e um dos raros, até hoje (onde tens tu, oh Nuno, o testamento do Júlio Fogaça e as memórias do velho Caldeira?) a quebrar a “omertà” reinante mesmo entre quadros e dirigentes já saídos ou expulsos de “o partido”.

José Augusto da Silva Marques faleceu, aos 78 anos, neste final de Dezembro. Descansa em paz, Amigo.

Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a nossa Newsletter. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

Artigo anterior
Próximo artigo
- Publicidade -

Outros artigos

- Publicidade -

Últimas notícias

Mais lidos

- Publicidade -