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Domingo, Julho 14, 2024

Nosso Amor de Ontem: o papel da mulher

Carolina Maria Ruy, em São Paulo
Carolina Maria Ruy, em São Paulo
Pesquisadora, coordenadora do Centro de Memória Sindical e jornalista do site Radio Peão Brasil. Escreveu o livro "O mundo do trabalho no cinema", editou o livro de fotos "Arte de Rua" e, em 2017, a revista sobre os 100 anos da Greve Geral de 1917

Juvenil e nostálgico, Nosso Amor de Ontem conta a história de amor entre Katie Morosky, uma ativista política, e o atleta, rico e protestante, Hubbell Gardiner, em 1937. A história atravessa vários anos. Cada um segue seu caminho e, quando se reencontram, os contrastes acerca da visão de mundo dos dois fica evidente.

A maior parte do filme se passa na época do macarthismo, e a dura empreitada anticomunista. Durante a era de Joseph McCarthy, no fim da década de 1940, os Estados Unidos sofreram, e exportaram ao mundo capitalista de então, a perseguição política e o desrespeito aos direitos civis. O macarthismo promoveu uma verdadeira “caça às bruxas”, até seu desgaste, com o repúdio da opinião pública, em meados da década de 1950. Como uma forma de contar a verdadeira história muitos filmes foram produzidos sobre este contexto de repressão.

Nosso Amor de Ontem é um deles. Sydney Pollack usou do romantismo para falar de transformações políticas e sociais. O filme ilustra a crise do moralismo e do Sonho Americano do pós-guerra, que já não empolgava a juventude. Katie encarna o espírito da segunda metade dos anos 50, época que já prenunciava a década posterior, marcada pela literatura beat de Jack Kerouac, pelo rock de garagem à margem dos grandes astros do rock e pelos movimentos de cinema e de teatro de vanguarda.

Assista o trailer:

Vale ressaltar que Nosso Amor de Ontem foi feito no início dos anos 1970, época de efervescência política e cultural, em que as posições ideológicas eram radicais e as revoluções comportamentais da década anterior, como o surgimento do feminismo e os movimentos civis em favor dos negros e homossexuais, se consolidavam.

Temos, desta forma, dois personagens muito bem caracterizados: Katie e Hubbell, representando, na verdade, a luta entre o conservadorismo e um comportamento avançado, a luta entre o novo e o velho.

Do ponto de vista da segunda década do século 21, o filme ainda é atual e traz importantes questões acerca da mulher, da militância política, da integridade moral e da liberdade e autonomia como direitos civis.

Nosso Amor de Ontem (The Way We Were)

EUA, 1973
Direção: Sydney Pollack
Elenco: Barbra Streisand, Robert Redford, Bradford Dillman, Lois Chiles


Texto em português do Brasil

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