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Segunda-feira, Julho 22, 2024

Novos Realizadores: um espaço de descoberta

José M. Bastos
José M. Bastos
Crítico de cinema

O Festival de San Sebastián tem, desde há muitos anos, a preocupação de conceder vários espaços para a descoberta e afirmação de novos valores. Desde logo na própria secção oficial que exibe ano após ano trabalhos de autores pouco ou nada conhecidos a par de outros já de créditos firmados. Contudo, é a secção “Novos Realizadores” o lugar expressamente dedicado à divulgação de primeiras ou segundas obras.

Os filmes têm que ser inéditos (só podem ter sido estreados no seu país de produção) e produzidos no último ano. Esta é uma secção competitiva, com um júri específico e um prémio pecuniário. Os filmes de “Novos Realizadores” são também candidatos ao Prémio da Juventude atribuído por um júri formado por estudantes com idades entre 18 e 25 anos.

Este ano são 11 os trabalhos a concurso. Na abertura e no encerramento dois filmes orientais.

Na abertura foi apresentado “Carefree Days”, segunda obra do realizador chinês Liang Ming que com o seu primeiro trabalho foi premiado em vários festivais, “Carefree Days” é a adaptação do romance homónimo de Ban Yu e segue uma jovem de uma cidade em decadência do norte da China e que procura o seu lugar no mundo. Para o encerramento “Beyond the Fog”, segundo filme do japonês Daichi Murase, o retrato íntimo de uma família que durante gerações geriu uma pousada numa remota aldeia de montanha.

Os restantes trabalhos desta secção foram:

  • “Achilles”, do iraniano Farhad Delaram;
  • “Bahadur the Brave”, da indiana Diwa Shah;
  • “Bayruna salu”, de Askhat Kuchinchirekov (Cazaquistão);
  • “El Otro Hijo”, do colombiano Juan Sebastián Quebrada;
  • “Hi, mom”, da russa Ilia Malakhova;
  • La estrella azul “, do espanhol Javier Macipe;
  • Last Shadow at First Light”, de Nicole Midori Woodford (Singapura);
  • “Les Rayons Gamma” do canadiano Henry Bernadet; e
  • “Mother, Couch!”, do sueco Niclas Larsson.

 

Cinema da América Latina em grande destaque

Doze histórias passadas na Argentina, Chile, México e Brasil dão corpo à secção “Horizontes Latinos” a área de programação que o Festival de San Sebastián dedica todos os anos ao cinema latino-americano.

Para a abertura desta mostra foi escolhido a co-produção argentina-uruguaia “El viento que arrasa” da argentina Paula Hernández, a história de um pregador e da sua filha que têm uma avaria no automóvel a meio de uma nova missão evangelizadora.

No encerramento o brasileiro “Pedágio”, da paulista Carolina Markowicz, que nos traz um pedaço de vida de uma trabalhadora de uma portagem de autoestrada que tem uma existência triste porque o seu filho é gay e ela faria qualquer coisa para mudar essa condição. O filme tem também produção portuguesa de ‘O Som e a Fúria’.

Os outros dez filmes da secção “Horizontes Latinos” são:

  • “Alemania”, primeira-obra de María Zanetti (Argentina);
  • “Blondi”, estreia na realização da actriz argentina Dolores Fonzi;
  • “Clara se pierde em el bosque”, outra estreia de outra actriz argentina, Camila Fabbri;
  • “El Castillo”, estreia na ficção do documentarista argentino Martín Benchimol;
  • “El Eco”, da salvadorenha Tatiana Huezo, filme premiado no Festival de Berlim;
  • “Estranho Caminho”, do brasileiro Guto Parente, já premiado no Festival de Tribeca;
  • “Heroico”, do mexicano David Zonana, que passou anteriormente por Sundance e Berlim;
  • “Los Colonos”, filme o chidleno Felipe Gálvez que esteve na secção ‘Un Certain Regard’ do Festival de Cannes;
  • “Los Impactados” da argentina Lucía Puenzo; e
  • “Totem”, filme que esteve no Festival de Berlim, realizado pela mexicana Lila Avilés que há dois anos fez parte do júri desta secção.

 

Cinema para degustar

A secção de cinema e culinária tem vindo a ganhar cada vez mais público. Nada mais natural já que a gastronomia é um dos principais motivos de atração da cidade de San Sebastián.

Nesta edição os espectadores puderam ver quatro filmes e uma série com histórias relacionadas com a gastronomia da Argentina, Alemanha, China, Perú ou França.

Na abertura a estreia mundial da série argentina “Nada”, realizada pela dupla Mariano Cohn y Gastón Duprat, responsável por alguns dos maiores êxitos do cinema daquele país sul-americano ( por exemplo “O Cidadão Ilustre” ou “Competição Oficial”).

“Nada”

“Nada” é uma série de ficção com cinco capítulos de 30 minutos cada e conta a história de um crítico gastronómico que se vê perante a falta de recursos e morte da empregada. A série conta com os actores Luis Brandoni e Majo Cabrera, e com Robert De Niro como convidado especial no último episódio.

No encerramento de “Culinary Zinema”, “La passion de Dodin Bouffant, do vietnamita Tran Anh Hung, prémio do melhor realizador no Festival de Cannes deste ano. Neste filme do autor do célebre “O Odor da Papaia Verde” conta uma história ambientada nos finais do século XIX, na qual Juliette Binoche interpreta a figura de Eugenie, que cozinhou durante 20 anos para o ‘gourmet’ Dodin (interpretado por Benoît Magimel), mas nunca aceitou casar-se com ele.

Os outros filmes da secção são:

  • Nan fang nan fang” /(Regresso ao Sul), primeira longa-metragem do chinês Xiao Haiping, em que a protagonista deixa peqim, o seu trabalho e o seu namorado para montar uma casa rural na sua cidade natal, onde cozinha para os seus hóspedes e conhece as suas histórias;
  • Pachacútec, La Escuela Improbable”, documentário do peruano Mariano Carranza que conta como a frequência duma escola situada num bairro desfavorecido de Lima fez com que três ‘chefs’ peruanos encontrassem o caminho para triunfar na sua profissão:
  • outro documentário é “She Chef”, dos alemães Melanie Liebheit e Gereon Wetzel. “She Chef” segue uma jovem cozinheira, Agnes, durante a sua aprendizagem em alguns dos restaurantes mais prestigiados do mundo.

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