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João de Sousa

Quinta-feira, Maio 30, 2024

… O Afeganistão e a história

Mais uma vez a identidade de um povo prevalece e dá exemplo de que a ocupação militar já não é solução para coisa nenhuma e que, nos últimos séculos, a História regista essa evidência com enfoque no resultado final das duas últimas grandes guerras mas também nos processos de descolonização e outros.

Que o digam as ex-colónias, o Vietname, e outros povos a quem ocuparam o País; os aculturaram; e de quem se apropriaram das riquezas naturais; organização política e económica; entre outras sevícias feitas pelos descobridores de nada porque já tudo lá existia – terra; povo; organização política, económica e social. – acabando os ocupantes usurpadores por eliminar os pertences dos povos nativos fazendo autênticas razias étnicas e impondo subordinação e subjugação racial a troco da imposição de civilizações orquestradas por  classes dominantes nos tempos em que ocorreram os massacres e as ocupações, já detentoras de arsenal  bélico capaz de impor pela força as principais pretensões dos ocupantes em épocas e eras distintas ao longo da História das Civilizações em expansão em que extinguir resquícios das civilizações exterminadas era um dever.

Este teatro de operações há já alguns séculos que é dominado por super potências sendo que, uma delas, os USA, são exemplo maior do extermínio por colonizadores, de comunidades distintas e em massa, divididas por território então dominado por tribos nativas, para implantação de uma mescla civilizacional de origens diversas imbuídas por crenças, hábitos, usos e costumes diferentes num tempo em que as pilhagens eram a rotina ao serviço de alguém e a colonização um objeto de poder mas também de ocupação em nome de uma das crenças existentes que ainda hoje são o suporte moral da genética intelectual da organização social.

Da História recente sobressai a descolonização com consequências dramáticas para os povos em resultado das políticas erradas implementadas pelas potências colonizadoras gerando alterações na correlação de forças do poder financeiro internacional principal responsável pelo descalabro internacional em domínios demasiado sensíveis para a vida como o são as alterações climáticas; os desequilíbrios sociais, ambientais e outros existentes no planeta e já em seu redor; a instabilidade dos habitats naturais; a insustentabilidade da vida das espécies face aos novos desafios impostos por dinâmicas imprevisíveis; a insegurança planetária; entre outras.

Em suma: o medo grassa como lava incandescente por entre os neurónios do cérebro do Ser Humano em contraste com a passividade de uma Natureza que tem todo o tempo ao seu dispor e a capacidade incomensurável de se ajustar ao inimaginável Humano.

É perante este apocalíptico cenário associado a outros interesses de ocasião temporal que os Estados Unidos da América entenderam abandonar o insubmisso Afeganistão deixando que o seu povo mártir decida, ou se submeta, a outra qualquer tirania.

Uma tirania sobejamente conhecida de origem obscura assente em princípios primitivos mas que não obsta a que cada povo tenha o direito a decidir sobre o seu destino.

A História recente mostra o complexo desnorte nas lideranças mundiais onde a desagregação de Federações de Estados; os acontecimentos no Iraque; Líbia; Síria; e outros; o arrastar da situação política e militar no Líbano; a instabilidade crescente em toda a América Latina; a miséria galopante na generalidade do Continente Africano; a invasão ao Capitólio nos USA; a situação pandémica gerada pelo Covid 19 e as nefastas consequências sociais, económicas e de sanidade pública que provocou; são, por si só, uma página que urge leitura e análise critica urgente na perspectiva da construção de soluções que revertam esta conduta demasiado nefasta para todas as gerações futuras.

Ou seja; a estrutura cultural das elites tem de ser reconstruída de forma a educar as classes dominantes com outros valores e projetos de futuro onde a coabitação seja o pilar central.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90

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