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João de Sousa

Quarta-feira, Julho 28, 2021

O fim do governo Bolsonaro

O governo Bolsonaro já chegou a um estágio que demonstra cabalmente a sua inviabilidade. As promessas apresentadas na sua campanha eleitoral caíram por terra, com o agravante de que a margem de manobra para justificar a postergação das medidas essenciais para enfrentar a grave crise do país não existe mais.

Bolsonaro foi eleito com a promessa de melhorias sociais e na infraestrutura do país, basicamente. Não estava claro qual seria o caminho para atingir essas metas, mas sua campanha eleitoral prometeu a retomada do crescimento econômico e com ele as garantias de investimentos maciços, que se desdobrariam nas melhorias prometidas. Mesmo sendo uma construção complexa, por envolver o trâmite institucional do Congresso Nacional, havia a expectativa de que tudo logo seria resolvido. Não foi o que aconteceu.

Os arroubos de Bolsonaro, que já assumiu vociferando contra as instituições democráticas, despertaram forte oposição parlamentar, além de firme resposta do Supremo Tribunal Federal (STF). Movimentos de frente ampla impuseram derrotas ao bolsonarismo, como a aprovação, da forma como ocorreu, do auxílio emergencial e o socorro às micro, pequenas e médias empresas e aos estados e municípios

Mesmo com o rearranjo de seus apoiadores, que levou à eleição do deputado Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Câmara dos Deputados, a tramitação da pauta governista não desemperrou. O que tem se evidenciado é a participação de parlamentares do chamado Centrão na escandalosa negociação de compra de vacinas, conforme vem revelando a CPI da Covid-19 no Senado.

No pouco que tramitou, a agenda governista trouxe consequências nefastas ao Brasil, como a Medida Provisória da privatização da Eletrobras e a ameaça de entrega total dos Correios à iniciativa privada. Por essa amostra é possível verificar o que de fato representa essa agenda. E mostra, abertamente, que a promessa eleitoral de melhorar a vida do povo era um engodo.

Na verdade, o que existia era um projeto de poder autoritário, brandindo um programa de governo voltado exclusivamente para fazer do Estado um dínamo do circuito financeiro, a política de parasitismo do orçamento e do patrimônio públicos.

Somando esses fracassos e desastres, o resultado é uma tragédia social de imensas proporções. A chegada da pandemia se deu com um governo de costas para as necessidades do povo, passivo diante de uma crise econômica que já resultava numa estratosférica escalada de desemprego. Preso à agenda de Paulo Guedes, o governo Bolsonaro só tomou providências emergenciais e passou a adquirir vacinas devido à pressão de amplos segmentos sociais e do Congresso Nacional.

O Estado, que já estava com seus instrumentos de fomento da economia (como bancos públicas e grandes estatais) travados, além de arrochado pela Emenda Constitucional 95 – teto dos gastos -, passou a ser ainda mais dilapidado com o avanço das privatizações e a reforma da Previdência Social. Sem investimentos públicos para puxar os investimentos privados, a crise econômica se alastrou e se aprofundou com a chegada da pandemia, elevando ainda mais o desemprego. Além de sabotar as medidas para conter a propagação da Covid-19, Bolsonaro empurrou o povo para a contaminação em massa com a sentença de que era preciso buscar o “pão de cada dia”.

Em meio a esse cenário catastrófico, o presidente abriu fogo contra governadores e prefeitos que adotavam medidas contra a pandemia, corroborado pela retórica negacionista tanto em relação à Covid-19 quanto à vacina, pregando a panaceia do “tratamento precoce”. As consequências logo aparecerem e hoje estão estampadas na cifra de quase 550 mil mortos, agravadas pelas evidências de corrupção desbragada como intermediação para a chegada de vacinas no país. São essas as razões mais fortes para a crescente desaprovação do governo constatada por diversas pesquisas de opinião  que apontam Bolsonaro como desonesto, falso, incompetente, despreparado, indeciso, autoritário e pouco inteligente.

O desastre bolsonarista, portanto, tem três dimensões: o fracasso da receita para enfrentar a crise econômica, os ataques à democracia e a escalada de mortes pela pandemia. Somando os resultados dessa imensa tragédia social, constata-se que o fim do governo Bolsonaro é mais do que necessário. As manifestações de rua em defesa do impeachment, que estão voltando com força, e a evolução dos movimentos de frente ampla, cada vez mais assumidos por vários setores da sociedade, são o caminho que pode levar ao término desse pesadelo.


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

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