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Terça-feira, Outubro 26, 2021

O passo largo do golpismo

Tereza Cruvinel, em Brasília
Jornalista, actualmente colunista do Jornal do Brasil. Foi colunista política do Brasil 247 e comentarista política da RedeTV. Ex-presidente da TV Brasil, ex-colunista de O Globo e Correio Braziliense.

Mais tarde será tarde, se já não for. Bolsonaro respondeu aos protestos populares, à CPI, ao panelaço e ao fracasso de seu governo com um passo vigoroso em seu projeto golpista.

Subjugou o Exército, que não punindo o general Pazuello, assumiu-se como partido armado de Bolsonaro, e não como instituição de Estado. Mas não são apenas as Forças Armadas. O bolsonarismo está dominando as PMs, a PRF e a PF.

O ativismo político-militar foi liberado, a pouco mais de um ano de uma eleição que Bolsonaro parece fadado a perder, mas dá sinais de não aceitar a derrota. Não foram os políticos, como disse o marechal Castelo Branco que, “como vivandeiras alvoroçadas”, foram “aos bivaques bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias do poder militar”. Só existe uma vivandeira, que é Bolsonaro, e o bolsonarismo é fruto da voluntária associação dos militares com ele para voltarem ao poder. Voltaram e vão marchar com Bolsonaro se o poder civil não reagir. Acreditar que a complacência do alto comando para com Pazuello, pela participação em ato político vetada pelo regulamento, foi apenas um recuo tático para evitar crise militar é uma ilusão.

A repressão violenta da PM nos protestos de Recife foi um sinal do ativismo político da PM. A prisão do professor petista em Goiânia, porque exibia no carro um adesivo “Bolsonaro genocida” foi outro. Há dois dias, Bolsonaro prestigiou a solenidade de formatura de uma turma da PM do Distrito Federal, em que o comandante da Academia e também o comandante geral da PM, coronel Márcio Cavalcante de Vasconcelos, encerraram seus discursos com o lema bolsonarista “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

O Governo, através do Ministério da Justiça, fará uma pesquisa com todos os PMs do país sobre questões salariais e operacionais, a pretexto de colher elementos para a política de segurança. E com isso, disporá de um banco de dados sobre todos os policiais brasileiros, uma arma poderosa para a mobilização de quem tem o poder das armas.

Ontem mesmo, num passeio a Formosa, congratulou-se com os policiais rodoviários e foi por eles aplaudido.

Bolsonaro está se armando. Mais tarde será tarde, se já não for.


Texto original em português do Brasil

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