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João de Sousa

Quarta-feira, Fevereiro 8, 2023

“Os grandes cemitérios sob a Lua”

Paulo Casaca, em Bruxelas
Paulo Casaca, em Bruxelas
Foi deputado no Parlamento Europeu de 1999 a 2009, na Assembleia da República em 1992-1993 e na Assembleia Regional dos Açores em 1990-1991. Foi professor convidado no ISEG 1995-1996, bem como no ISCAL. É autor de alguns livros em economia e relações internacionais.
Cidade de Aleppo, Síria
Cidade de Aleppo, Síria

A exumação dos restos mortais de 52 pessoas – bala na nuca, algemas nos pulsos – em Porreres, em Novembro deste ano, terá sido a primeira em Maiorca depois da guerra civil. Só aqui, estimam-se em três milhares “os desgraçados suspeitos de pouco entusiasmo pelo movimento” assassinados.

A George Bernanos, autor destas citações, devemos o testemunho do massacre. Ele mesmo, simpatizante franquista, afastou-se do movimento nauseado pela sua gratuita barbaridade.

A mim impressionou-me sobretudo o cravo desoladamente caído que vi na vala comum já tapada; que só a “Confederação Nacional do Trabalho” estivesse institucionalmente presente com uma coroa de flores; que a lei em vigor continue a manter os crimes da guerra civil enterrados.

Não se trata de falar dos crimes de Franco em Espanha para esquecer os de Che Guevara em Cuba, que a obra de Pascal Fontaine revelou ao mundo. Trata-se de ter em conta que por cada cemitério que cismamos em não ver, outro lhe segue os passos. De Porreres a Aleppo, percorre-se um negro caminho desenhado pela cegueira humana, que só a Lua saberá por onde prosseguirá agora.
Maiorca, 2016-11-23

Nota do Director

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