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Segunda-feira, Junho 21, 2021

Paulo Freire e a educação para a liberdade

José Carlos Ruy, em São Paulo
Jornalista e escritor.

O educador Paulo Freire teria completado 97 anos neste 19 de setembro; neste ano se comemora também os 50 anos da publicação de seu clássico e fundamental Pedagogia do Oprimido.

O prefácio do livro Pedagogia do Oprimido intitulado “Primeiras palavras”, foi assinado por Paulo Freire no outono de 1968. Isto significa que no segundo trimestre deste ano se comemorou os 50 anos desta obra revolucionária e fundamental para a pedagogia crítica.

De certa maneira, o livro é uma reflexão teórica que aprofunda a obra anterior, Educação como Prática da Liberdade (1967), na qual sistematizou seu método que ficou famoso e que, aplicado na alfabetização de cortadores de cana em Angicos, Rio Grande do Norte, em 1962, abriu o caminho das letras, em apenas 45 dias, para 300 trabalhadores.

A repercussão foi imensa. O Brasil vivia o período democrático do governo Goulart que, de junho de 1963 até o golpe militar de março de 1964, criou – inspirado naquele feito – o Plano Nacional de Alfabetização, que previa instalar 20.000 círculos de cultura, envolvendo dois milhões de analfabetos, trabalho interrompido pelo golpe militar que implantou a ditadura de 1964, e reprimiu aquele esforço de educação popular. Paulo Freire foi preso e exilado, inicialmente no Chile.

Para ele, como escreveu naquele livro de 1967, “a educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa.”

Ato de amor que é também um ato político. Desenvolvido e explicitado em Pedagogia do Oprimido (1968) na defesa de uma ação pedagógica baseada no diálogo entre professor/aluno, o respeito mútuo, o aprendizado permanente de mestres e estudantes, ao contrário da pedagogia tradicional, fundada no distanciamento entre educando e educador como instrumento de opressão, e de reprodução do domínio das classes altas sobre as subalternas.

Ferramenta de libertação, seu método de alfabetização tem repercussão mundial e é aplicado em lugares tão diferentes como os EUA, a África e a América Latina.

Uma busca no Google revela o alcance dessa repercussão. Uma pesquisa, de 2016, da Open Syllabus, que analisou mais de um milhão de programas de estudos de universidades nos EUA, Reino Unido e outros países, revela que Pedagogia do Oprimido é o 99º livro mais citado e seu autor é o único brasileiro entre os 100 mais citados, e o segundo melhor colocado na área da educação. Outra pesquisa, da London School of Economics mostra Pedagogia do Oprimido como o terceiro livro mais citado, em todo o mundo, na área das ciências sociais.

Em 13 de abril de 2012, pela lei 12.612, o governo brasileiro o declarou Patrono da Educação Brasileira.

Mas o governo golpista de Michel Temer contesta esta homenagem; em 2017 foi apresentada ao Senado uma proposta, feita por um militante do movimento de direita Escola Sem Partido, pela revogação da lei que declarou Paulo Freire Patrono da Educação Brasileira.

É a volta da “educação bancária”, como o mestre pernambucano chamou a educação conservadora, que não aceita a educação como ato de amor pela liberdade.

 

Texto em português do Brasil

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